O sol nem tinha esquentado direito e eu já tava ali, com o pé fincado no barro da viela e o radinho no bolso, atento a cada movimento. Café amargo na mão, e o pensamento longe, preso nas imagens da Valentina dormindo com o Vicente encostado no peito dela. Tava cada vez mais difícil sair de casa, deixar eles sozinhos. Um medo diferente, que nem era por mim, era por eles. Mas rua era rua. E eu ainda era o JL. O cara que segurava o morro. O cara que os outros olhavam esperando ordem. Encostei no portão de ferro da boca, acenei pro menor que tava na vigia e chamei: — Fala com o Marreta pra vir aqui. Agora. Demorou dois minutos. O Marreta veio apressado, coçando a nuca e com aquele jeito de quem sabe que ia levar dura. — Cê falou pra mim que o “doutor” tinha sossegado, não falou? Ele asse

