Dorian Vince
Encostado contra o colchão, observei Camila, ou seria Carolina? Fodä-se. Eu a conheci há pouco mais de uma hora, em um bar perto do meu novo apartamento, e agora ela estava se vestindo enquanto eu continuava deitado, tragando meu baseado e deixando a onda da cannabis me atingir em cheio.
— Deixei meu número aqui. — Ela sorriu de lado, maliciosa, enquanto largava um guardanapo rabiscado na mesa de cabeceira.
Apenas assenti. Eu obviamente não ligaria. Já sabia como essa história terminaria.
Levantei-me com preguiça, me aproximei dela e deslizei os dedos pelo seu pescoço antes de puxá-la para um último beijo. Ela suspirou contra minha boca, me afastei dela, abrindo a porta e observando enquanto sumia dentro do elevador.
Sozinho novamente, fui até a geladeira, peguei uma cerveja gelada e voltei para a varanda. Dei outro trago no baseado, sentindo a fumaça preencher meu peito antes de soltá-la devagar no ar da noite. Meu corpo relaxou na mesma hora.
Meus olhos vagaram pelo bairro, captando os detalhes da rotina daquele lugar:
Um casal de idosos carregando sacolas de um mercadinho do outro lado da rua.
Uma mãe solo voltando da escola com seus dois filhos.
Um adolescente de moletom indo para a academia.
E uma morena absurdamente gostosä atravessando a rua.
Meus olhos seguiram o balançar dos cabelos longos e pretos dela, tão escuros quanto a noite. Mas o que realmente prendeu minha atenção foi a bundå. Descaradamente exagerada e se movendo num ritmo hipnotizante a cada passo.
E o melhor de tudo? Era minha vizinha nem um pouco simpática.
Sorri de canto, levando a cerveja à boca. Ela tinha razão, Camille (ou Camila, sei lá ) não era nem um pouco discreta.
Continuei observando enquanto ela entrava no mercado à frente. Dei outro gole na cerveja e mais um trago no baseado, até que meu celular vibrou no bolso.
Peguei o aparelho e olhei o nome na tela.
Cassian.
— Vai me dizer que já estava metendo em alguma aleatória do seu novo bairro? — foi a primeira coisa que ele soltou assim que atendi.
— Se tivesse ligado cinco minutos antes, eu ainda estaria. — Respondi, ouvindo sua risada do outro lado da linha.
— Então já chegou no Brooklyn?
— Positivo. Cheguei no início da tarde.
— Ótimo. Vou te passar as informações do pacote. — O tom dele ficou sério de repente.
— Beleza. — Respondi, agora totalmente atento.
Desliguei a ligação e, segundos depois, meu celular vibrou com uma nova mensagem. Abri o arquivo anexado e li as informações do meu próximo pacote.
Nome: Robert Smith.
Profissão: Policial Militar.
Histórico: Envolvido na morte do filho de um grande mafioso espanhol, tudo por dinheiro.
Incluída no dossiê, havia uma foto do homem. Cerca de quarenta anos, branco, olhos claros e um sorriso falso de quem já vendeu a alma pelo preço certo. Cara de corrupto.
Acessei a deep web e, em poucos minutos, rastreei sua localização. O desgraçado morava no Queens, em um bairro de classe média, divorciado, dois filhos adultos que estudavam fora. Sem testemunhas em casa.
Fácil.
Passei a língua pelos dentes, um sorriso convencido se formando. Esse trabalho não me tomaria muito tempo.
Antes que pudesse fechar o arquivo, uma voz irritada chamou minha atenção lá embaixo.
— Vai se føder, babacä!
Me inclinei sobre a grade da sacada e olhei para a rua. Lá estava ela, minha querida vizinha, erguendo o dedo do meio para um cara que passava de carro.
Arqueei uma sobrancelha, curioso.
O cara hesitou por um segundo, mas, em vez de reagir, pisou no acelerador e sumiu da rua. Ela bufou, ajeitou a bolsa no ombro e entrou no prédio como se nada tivesse acontecido.
Definitivamente, essa mulher não precisava de um príncipe para salvá-la.
Soltei um riso fraco e balancei a cabeça.
Gostei dela.
Voltei para dentro do apartamento, fechando a porta da sacada atrás de mim. Joguei-me na cama, apagando a luz do abajur, deixando apenas o brilho suave da cidade iluminando o quarto pela janela. Precisava descansar, pois mais tarde entraria em ação.
Peguei o celular, configurei o despertador e o deixei na bancada ao lado da cama. Meu corpo começou a relaxar, e, aos poucos, entreguei-me à escuridão do sono.
(...)
O som do celular vibrando me despertou. Eram 1h30 da manhã. Desativei o alarme e me sentei na cama, piscando algumas vezes para espantar o sono. Hora de trabalhar.
Levantei-me e fui até o guarda-roupa, vestindo uma calça cargo preta, uma camisa de manga longa justa e, por cima, uma jaqueta escura. Precisava ser discreto. Peguei minha pistolå, silenciador, uma maleta com ferramentas para invasão, laptop e munições, organizando tudo na mochila antes de sair do apartamento.
Desci até a garagem, retirei a placa da minha moto e parti em direção ao Queens. Depois de alguns minutos, estacionei discretamente em frente à casa do alvo. Grande demais para um homem que morava sozinho.
Desci da moto e procurei a rede de energia da casa. Assim que a encontrei, usei uma chave para abrir o compartimento, conectei meu laptop e em poucos segundos tinha acesso às câmeras. Editei as imagens, apagando qualquer rastro meu e congelei as gravações por duas horas.
Guardei o laptop e segui até a entrada dos fundos. Vesti as luvas, peguei uma das minhas chaves mestras e destravei a fechadura em segundos. Os alarmes foram desativados no mesmo instante.
Entrei silenciosamente e subi as escadas sem fazer um som sequer. Primeira porta, vazia. Segunda, também. Terceira… bingo.
Robert Smith estava deitado na cama, nü, com duas mulheres igualmente despidas ao seu lado.
Merdä.
Respirei fundo e me aproximei, sacando a pistola e apontando direto para a testa dele.
Um único tiro. Preciso. Silencioso. Letal.
O corpo dele teve um espasmo leve com o impacto, depois relaxou. O sängue começou a escorrer pelo travesseiro, mas as acompanhantes nem se mexeram, provavelmente drogadäs.
Peguei o celular e tirei a foto do serviço concluído. Em seguida, saí do quarto e desci as escadas do mesmo jeito que entrei: sem deixar rastros.
Enviei a foto para Cassian. Segundos depois, a notificação apareceu na tela:
$10.000,00 transferidos para sua conta.
Sorri de canto. Fácil demais.
Subi na moto e desapareci na noite, de volta ao meu apartamento.