Pré-visualização gratuita Capítulo 01 - Rei
Fala, galera! Me chamo Miguel Ferraz 33 anos, moreno e alto, 1,85 de altura. Sou forte e tenho olhos claros. Sou conhecido como Rei, o dono da porrä toda! Temido por todos, ou quase todos, porque ainda rolam uns enviados de Lúcifer que tentam me tirar a paz. Mas comigo não, irmão! Porrä, eu não aceito erro e a lei é uma só, tá ligado?
Ontem foi dia de baile e eu tava tranquilão, curtindo a vibe com os aliados. Quando a safadä da Juju chegou se esfregando em mim, e como sou homem, não resisti. Dei pra ela o que queria! Comi com força e depois de gozär, deixei uma nota de duzentão pra ela e voltei pro camarote. Ela sabe que comigo é pente e rala. Não vou assumir marmita, nem mulher nenhum, já passei por muita coisa nessa vida e essa parada não cola mais comigo.
A vida é curta, então vou vivendo do meu jeito, sem amarras, tá ligado! Quando voltei pro camarote, o clima tava tenso, mano. Minha Coroa, meu pai e minha irmã me olhando com uma cara estranha. Sei que é por causa da Juju, eles não curtem a postura dela, mas fazer o que né? O importante é que já me aliviei e mandei vazar.
Aí sentei e comecei a trocar ideia com uns aliados que tão aqui curtindo o baile da Rocinha, que tá uma uva! A energia tá lá em cima, todo mundo dançando e se divertindo. Até Guto apareceu, fazia um tempão que ele não colava aqui desde que a mulher dele deu no pé, deixando as filhas com ele. O cara não frequentava mais os bailes, mas hoje ele tá todo solto, cercado de meninas novinhas com idade de ser filha dele! Mas cada um no seu quadrado, né?
Já eram cinco da manhã quando resolvi ir pra minha goma. Minha família já tinha dado no pé, então cheguei em casa, tomei um banho rapidão e me joguei na cama nú, sem nem pensar duas vezes. A única coisa que fiz foi ligar o ar condicionado pra dar aquela refrescada e apaguei som e imagem.
Acordei com o rádio tocando — Porrã, que dor de cabeça do caralhö, velho! Olhei pro relógio da cabeceira e vi que já eram sete da manhã. Não dormi nada! A noite foi intensa, mas o corpo cobra a conta, né?
— Fala, meu irmão?
— Patrão, tem uma moradora aqui falando que precisa trocar uma ideia com o comando, Disse que é urgente!
Ouço o desespero na voz de uma mulher ao lado do Beto, um dos meus parças de confiança.
— Marca trinta que tô chegando aí, parceiro!
Levanto na hora, faço minha higiene rapidinha e me organizo. Já tô pronto pra partir! Depois de resolver esse B.O., vou colar na casa dos meus coroas pra tomar um café da manhã. A diarista daqui de casa não vem no final de semana, então é hora de filar a bóia na casa da Coroa.
Chego no QG e já vejo uma mulher em desespero, os olhos inchados de tanto chorar. Assim que me aproximo, faço um toque com o Beto, meu primo, já foi acionado também pra desenrolar essa fita. Quando chego mais perto dela, ela me olha com uma expressão de angústia e grita:
— Rei, pelo amor de Deus, me ajuda!
— O que aconteceu? — Pergunto, já sentindo a dor e o desespero que ela transmite.
— Eu sou Jena, trabalho no posto de saúde. Faço plantão 12x36. Ontem à noite foi meu dia de plantão e deixei meu filho de cinco anos com a minha menina. Ele desapareceu quando minha filha foi na padaria! — A voz dela treme, cheia de aflição.
— Como assim? Onde ele estava quando foi visto pela última vez? — Questiono, tentando entender a situação.
— Ele estava cochilando! Minha menina deixou ele dormindo no sofá e foi na padaria que fica só seis casas depois da nossa. Mas quando ela voltou, ele não estava mais lá! A gente olhou na câmera de segurança da casa da vizinha e viu... — Ela pausa, engolindo o choro — Dois homens de blusão e boné saindo com meu filho nos braços!
O desespero dela é grande. Precisamos agir rápido. Não dá pra deixar isso assim. — Por que você não acionou o comando ontem mesmo? — Pergunto, arqueando a sobrancelha, tentando entender a situação.
— Mas eu procurei! Falei com o Guto, ele disse que ia resolver, mas até agora nada! Foi por isso que vim até você! — A frustração na voz dela é visível. Dá até para entender, é um filho de cinco anos desaparecido.
— Beto, o Guto te falou alguma coisa sobre esse assunto? — Pergunto, já com uma pulga atrás da orelha. Eu vi o Guto se divertindo ontem à noite e isso não combina com a gravidade da situação.
— Infelizmente não, Rei. Eu só vi o Guto ontem quando ele veio na bocä pra prestar conta antes das 16:00. Depois disso, não tive mais notícias dele. Talvez ele tenha falado com o TH.
Fico pensando no porquê de ele não ter me passado nada ou de não ter repassado o caso para um de nós. Onde será que essa criança está? Ver a angústia da mãe, aperta meu peito.
— Quem são esses caras que levaram esse pequeno? — Questiono, sentindo uma raiva crescendo dentro de mim.
— Olha, Jena, como você pode ver, não sabíamos dessa situação. Mas vou convocar meus homens agora mesmo e tentar descobrir se alguém viu alguma coisa. Vamos resolver isso! — Digo, com um tom firme, tentando transmitir confiança.
— Peço que você vá para sua casa e fique tranquila. Assim que tiver alguma informação, eu te aviso. E se alguém souber de algo, me avise também. Não vou admitir isso no meu morro! Sequestro de menor, e ainda mais tirando da própria casa. Isso é inaceitável! — Minha voz se eleva um pouco, deixando transparecer minha raiva.
A expressão de Jena mistura esperança e preocupação. Ela assente lentamente.
— Vou fazer tudo o que puder para trazer seu filho de volta — Prometo, olhando nos olhos dela com sinceridade. — Nós vamos atrás desses caras e não vamos descansar até que ele esteja seguro em seus braços novamente.