Capítulo 03 - Rei

1124 Palavras
Estava com os crias na sala, já passo o rádio para meu coroa. O TH chegou fazendo um toque com os crias. — Fala, mano! O que aconteceu? — Ele pergunta, a expressão dele mudando rapidamente ao notar meu semblante sério. — Mano, a parada é estranha. Preciso investigar: sumiu um menor de dentro de casa. A mãe da criança falou com o Guto sobre o ocorrido, mas ele não informou ninguém do comando. Ele passou essa parada pra você? — Pergunto, tentando manter a calma, mas a inquietação na minha voz é evidente. — Caraca, mano! Não estava sabendo disso! — Responde, claramente chocado. — Vamo confrontar ele agora Mano. Assim que ele se cala, meu pai chega com a cara amarrada, o clima já tava pesado, agora se torna ainda mais tenso. — Fala tu, qual o B.O? — Ele pergunta direto, sua voz firme e autoritária. Contei tudo o que havia acontecido, cada detalhe que me foi passado, Meu pai ficou possesso de raiva. — Como esse putö não fala uma treta dessa? Isso é assunto sério! Cadê o filho da putä? — Ele explode, seu tom de voz ecoando pela sala. — Pai, o problema é esse! — Respondo, tentando manter a controle diante da fúria dele. — Esse é o primeiro caso acontecendo dentro da comunidade? Ou será que existem outros que não chegaram ao nosso conhecimento? Quem é o infeliz que está fazendo isso em nosso território? A tensão na sala é visível, e antes que meu pai possa responder, ouvimos a porta abrir. E o AFF, ele entra com um semblante sério. — Fala, encontrou ele? — Pergunto já levantando. — Não! O Guto sumiu patrão — Ele responde.— Passei no barraco dele e a filha disse que a última vez que viu o pai foi ontem às 19:00. Aquelas palavras ecoam na minha mente como um alerta. — Precisamos descobrir onde ele está, alguém deve ter visto algo. — Se esse cara está se escondendo, não vamos deixar que ele escape! Sinto a responsabilidade pesar sobre nossos ombros. Meu pai troca um olhar intenso comigo, e sei que estamos todos focados na mesma missão: Fazer justiça por nossa comunidade e proteger quem amamos. — Precisamos agir rápido e descobrir onde esse menor está antes que seja tarde demais — Já sabemos que vamos ter trabalho — Digo, respirando fundo. — Primeiro, o mano não fala uma parada importante dessa, e agora ele some? Tem algo muito errado nessa fita. — Aff, você vai ficar acampando na porta do barraco dele. Assim que ele aparecer, traz ele aqui — Meu pai ordena, sua voz firme como sempre. Aff acena em positivo e sai, deixando apenas eu, meu pai, Th e Beto na sala. O clima é pesado. — O que você tá pensando em fazer, mano? — TH pergunta, com expressão preocupada. — Vou chamar uns aliados pra fazer um pente fino. O Guto tá no comando desde que meu pai estava na ativa, nunca fez nada que atrapalhasse o fluxo. Agora essa parada da criança foi demais — Respondo, sentindo que vem chumbo grossö. Olho para cada um deles, percebendo a determinação nos rostos. Sabemos que estamos lidando com algo sério e que não podemos deixar passar. — Precisamos agir rápido antes que isso cause mais problemas. Não podemos deixar que essa situação se espalhe dentro da comunidade — Continuo, minha voz firme. Beto balança a cabeça em concordância, enquanto meu pai já começa a pensar em possíveis aliados que possam nos ajudar nessa missão. — E se o Guto realmente estiver metido nisso? — TH pergunta, seu olhar preocupado. — Então vamos descobrir a verdade e fazer justiça — Respondo com determinação. Não vou deixar que ninguém brinque com a segurança da nossa comunidade, é a vida de um inocente que tá em jogo Mano. Depois de resolver todas as paradas no QG, segui com meu pai para o cafofo dele. Já era hora do almoço, e o clima estava tenso. Minha mãe e minha irmã estavam de cara fechada para mim, e eu sabia que a situação ainda era por causa da Juju. — Cês vão ficar de cara amarrada pro meu lado mesmo? — Pergunto, tentando quebrar o gelo. Minha mãe solta um suspiro profundo. — Você é de maior, Miguel. Tem que parar com essas safadezas. Tá pegando putä por aí. Tu não tem mais idade pra ficar pegando uma aqui e outra ali, não, filho. — Pronto, agora sou velho? — Retruco, um pouco indignado. — Desculpa, mãe, mas eu entendo seu ponto de vista. No entanto, não quero mulher nenhuma na minha vida pra fazer o que aquelas desgraçadas fizeram. Já foi o suficiente pra eu não querer me amarrar a nenhuma interesseira. A minha irmã me lança um olhar desaprovador e volta a mexer no celular, como se estivesse tentando ignorar toda a conversa. Já passei por muita coisa e aprendi da pior maneira que nem todo mundo é quem diz ser. Meu pai observava em silêncio, como se estivesse pensando nas palavras antes de intervir. Ele sempre foi o mediador nas nossas brigas familiares. — Filho, Não deixe que as más experiências te fechem para novas oportunidades.— Ele diz finalmente . — Miguel, tu é um cara fodä, irmão. — Mas tu não pode deixar o que elas fizeram atrapalhar teu futuro. O que nos preocupa é que, você vive pegando uma marmita e outra. Não queremos mandar em você nem em quem você pega, mas deveria se aquietar com uma só. Eu sentia a pressão das palavras sobre mim. A intenção era boa, mas a forma como falavam me deixou inquieto. — Desculpa, mas esse papo já deu — Respondi, tentando manter a calma. — Vou pra minha goma. Tenho muitos assuntos pra resolver e minha vida sexüal não é prioridade no momento. Desculpa aí, mãe e irmãzinha. Me despedi com um beijo nas duas e fiz um toque de mão no meu pai antes de sair. O clima estava tenso, mas eu precisava de um tempo pra mim. A cabeça estava a mil, cheia de pensamentos confusos com esse B.O da criança e ainda ter que enfrentar a minha família falando sobre esse lance de fiel, aff. No caminho, decidi parar no bar da Dona Maria para almoçar. O cheiro da comida caseira me pegou de jeito. Pedi meu prato favorito — Um arroz com feijão e bife acebolado — Sentei em uma mesa ao canto, tentando afastar as preocupações. Enquanto esperava a comida chegar, não conseguia evitar os pensamentos sobre as conversas em casa. Depois do almoço, segui para minha goma ainda pensando em tudo o que ouvir por causa das minhas escolhas.
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