A noite já tinha deitado no terreiro quando vi a Laysla sentada com o Bento na beira da cama, um papel velho nas mãos dos dois. A luz do candeeiro tremia, mas dava pra ver no rosto dela que aquilo não era papel qualquer. Me aproximei calado, com a testa franzida. Não era de costume da minha parte me meter sem entender, mas aquele ar de segredo mexeu comigo. — Que cês tão lendo aí? — perguntei, seco, já tomando o papel da mão dela. Ela me olhou fundo, com aqueles olhos que têm mais história que as páginas de um livro. Não falou nada. Só deixou. Desdobrei o papel com cuidado. A letra era do pai. Conhecia aquele garrancho como conheço a palma da minha mão calejada. As palavras eram esquisitas… “condutora de energia, máquina temporal, botão azul…” Fechei o cenho, e o coração bateu mais fo

