Valério entrou na sala com passos silenciosos, uma prancheta nas mãos e uma expressão neutra no rosto. Seus olhos, sempre atentos, repousaram sobre a jovem sentada no canto da cama — corpo encolhido, olhos vermelhos, a respiração ainda trêmula pela saudade. Ele não disse nada de imediato. Sentou na poltrona branca de couro ao lado da cama. O som quebrou o silêncio: um leve estalo da prancheta sendo aberta. — Já que você quer entender, Laysla... deixa eu te mostrar o que eu sei sobre você. Ela ergueu os olhos, desconfiada. A prancheta parecia um objeto qualquer, mas, ao toque dele, iluminou-se com pequenos códigos, e um texto se projetou sutilmente sobre ela, como uma transparência viva. Valério leu em voz alta: — "Laysla Martins. Vinte e dois anos. Teve uma infância comum, cheia de a

