Ignorância

1391 Palavras
Depois de algumas horas, Amélie já tinha feito todos os exames que o médico solicitou anteriormente e tendo constatado que não havia nenhuma fratura mais séria, apenas algumas luxacões e machucados, a ômega recebeu alta com algumas recomendações e receitas, ela estava feliz por finalmente poder sair daquele quarto de hospital e tirar aquelas roupas depois de tanto tempo ali, mas ao mesmo tempo sua cabeça estava cheia de preocupações. Recebeu uma recomendação de repouso, ou seja, teria que tirar folga no trabalho, porém como diria isso para Jackson? E como poderia ficar naquela casa durante todo o dia se sequer suportava estar lá por uma hora? Nem sabia como seu marido iria reagir quando chegasse em casa sabendo que a Monteiro estava no hospital, como ele iria reagir se ela dissesse que teria que ficar em casa? Não conseguia parar de pensar no desastre iminente que aquela situação parecia. -Eu pensei que o Samuel estava me pregando uma peça, que você não seria tão burra ao ponto de vir para o hospital. Assim que ouviu aquela voz áspera falando em um tom tão sarcástico Amélie gelou, ela sabia que teria que ver Jackson, porém não sabia que teria que ser tão cedo. Seus pensamentos que antes pareciam tão longes agora estavam vazios, suas mãos tremiam e seu estômago estava começando a revirar, a Monteiro sabia o que estava por vir. -Não vai me responder Amélie?-O Marques perguntou com um sorriso no rosto, como se ver a esposa tão atônita e assustada diante de si lhe deixasse satisfeito-Talvez você queira me dizer quem era o homem que estava aqui segurando sua mão como se fosse a p***a do seu marido enquanto eu estava em casa pensando que você estava fazendo alguma coisa de útil para ganhar nosso dinheiro, talvez eu seja um pouco ignorante em relação ao o que você faz fora de casa ou talvez você seja simplesmente uma vagabunda. Enquanto falava o alfa começava a se aproximar de si e diferente da noite anterior, quando ainda tentou recuar, dessa vez a Monteiro apenas esperou, ela estava cansada de tudo aquilo, cansada de tentar recuar, cansada de pensar que poderia evitar qualquer situação que fosse lhe fazer m*l, Amélie só queria que o que quer que fosse que seu marido iria fazer consigo que fizesse logo, talvez dessa vez ele finalmente fosse acabar com aquilo e lhe deixar ir. A ômega olhava fixamente para a cama do hospital, está que a lúpus tinha acabado de arrumar, claro que não precisava pois era paciente, porém ainda assim não gostava de dar trabalho para ninguém, Amélie não conseguia olhar para nenhum outro lugar, como se aquele ponto fixo pudesse lhe fazer esquecer todo o resto que acontecia ao seu redor, ela sentiu seu braço ser segurado pelas mãos ásperas de Jackson, em um primeiro momento o toque parecia delicado, mas logo a Monteiro sentiu o aperto ficar ainda mais forte machucando o local que já estava roxo e lhe causando uma dor incômoda. -Será que encontramos um novo emprego para você? O quanto aquele homem aceitaria pagar para te f***r? Talvez eu esteja perdendo dinheiro não deixando você expressar todo o seu potencial-O Marques sussurrava esses insultos em seu ouvido com uma voz baixa e calma como se estivesse lhe elogiando ou recitando juras de amor, exatamente como fazia quando ainda eram namorados anos atrás-Eu acho que você ainda não sabe bem o seu lugar Amélie, talvez eu tenha que pedir para o Samuel um pequeno favor, quem sabe eu possa pedir pra ele te jogar uma noite naquela cadeia, sei lá, talvez eu possa te incriminar por alguma coisa, isso não é tão difícil sabe? Posso deixar seu nome na lama para que ninguém acredite em você caso resolva falar alguma coisa contra mim, ou talvez nos possamos resolver isso lá em casa. Eram sempre essas mesma ameaças, ele sempre fazia questão de demonstrar que não importasse qual fosse a situação, o alfa estava no controle e Amélie não poderia fazer nada a não ser esperar pelo próximo impacto e torcer para que esse fosse finalmente definitivo. Então a Monteiro se deixou ser puxada até a porta do quarto, mas antes que Jackson conseguisse sair consigo outra pessoa entrou no cômodo e a ômega finalmente se obrigou a erguer a cabeça para encarar Eric parado ali diante de ambos. Amélie estava assustada e isso era visível para qualquer um que a visse, então o Ramos não pode deixar de notar isso enquanto observava aquela situação e encarava a mão daquele alfa envolta do braço da mulher, o lúpus podia sentir que nada ali parecia muito bem e isso o fez ficar em alerta. Ele sentiu seu lobo se revirar dentro de si em irritação, como se quisesse partir para cima daquele homem e tirar as mãos dele da Monteiro, porém o Ramos apenas respirou fundo controlado aqueles instintos irritantes e que estavam lhe fazendo agir como uma pessoa completamente diferente desde que aquela situação começou a se desenrolar. -Você o conhece Amélie?-Eric perguntou ignorando completamente a presença do outro alfa e vendo a ômega lhe encarar como se tentasse lhe dizer algo através do olhar. "Por favor saia daqui", era o que a Monteiro pensava enquanto olhava para aquele homem gentil que tinha apenas lhe ajudado até aquele momento. Não queria prejudicá-lo e sabia que isso poderia acontecer caso seu marido começasse a pensar bobagens. Entretanto, Amélie não sabia quem de fato era Eric e que o Marques não poderia prejudicá-lo facilmente, mesmo que tentasse muito. Enquanto que Jackson, que também não sabia sobre a real identidade do Ramos, olhou para o homem a sua frente com desdém, como ele poderia apenas ignorar sua presença ali? Quem ele pensava que era? -Sou o marido dela, Jackson Marques-O alfa largou o braço da esposa e estendeu a mão na direção do lúpus que apenas ignorou a ação e continuou a olhar para Amélie. -Você está bem?-O Ramos fez novamente uma pergunta para a ômega vendo-a abrir a boca e fechá-la rapidamente como se estivesse com medo de respondê-lo. -O homem lhe fez uma pergunta amor, é falta de educação não responder-O Marques falou passando o braço envolta da cintura da Monteiro e depositando um beijo em sua bochecha, um gesto aparentemente carinhoso, mas que para a mulher lhe causava apenas repulsa-Mesmo que rejeitar um cumprimento seja igualmente uma falta de educação. -E-Estou bem, meu marido vai me levar pra casa-Falou, dessa vez desviando os olhos do Ramos. A Monteiro não se sentia bem mentido para o alfa, não depois de ele ter lhe ajudado, mas o que poderia fazer? Eric sabia que havia algo errado ali e pela conversa que teve com o médico minutos atrás sabia muito bem o que era. Se sentia de volta a sua infância, uma criança ingênua e impotente, mas dessa vez não, dessa vez era um adulto e não faria a escolha errada. -Tudo bem então, eu liguei para o senhor Lima e avisei que você vai ter que tirar licença do trabalho por alguns dias-Eric falou vendo Amélie lhe olhar assustada o que lhe fez estranhar aquela reação. -Merda!-Quem falou dessa vez foi Jackson-Você sabe que esse tipo de coisa faz uma pessoa perder o emprego! -Não podem me demitir porque tirei uma licença Jackson-A Monteiro falou tentando amenizar a situação. -Escuta aqui, se você perder esse emprego... -O que acontece?-Quem perguntou foi Eric que por um momento teve sua presença esquecida por Jackson. O lúpus estava cada mais expandindo sua presença enquanto o aroma de sândalo se espalhava pelo local fazendo ambos ali recuarem e por um momento pode-se ver os olhos de Eric oscilarem para um vermelho vivo e pela primeira em ano, Amélie viu Jackson com medo de alguém. -Por favor, não quero ser m*l educado, mas minha vida e da minha esposa não são da sua conta-O Marques falou e voltou a puxar Amélie para saída do quarto, mas antes que pudesse passar pela porta com a esposa, algo o impediu. O Ramos segurou a mão da ômega vendo-a lhe olhar novamente enquanto Jackson lhe lançava um olhar de raiva. -Espero que se recupere bem Amélie-Falou e em seguida soltou a mão da mulher. -Nós agradecemos sua gentileza-O Marques falou cínico e em seguida levou a Monteiro para longe dali.
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