Deslumbre

1422 Palavras
Eric já não sabia há quanto tempo estava sentado em uma daquelas cadeiras que ficavam no corredor do hospital para o qual tinha levado a ômega que desmaiou em seus braços no hotel. Desde desse episódio, o alfa se sentia confuso em relação a si mesmo, afinal suas ações até aquele momento não condiziam nem um pouco com sua personalidade. Claro que ele tinha compromissos, o Ramos sabia que tinha uma agenda para cumprir aquele dia, mas a verdade é que ele não conseguia sair dali, não antes de saber pelo menos como aquela desconhecida estava. Se o alfa parasse para pensar nem que fosse por um segundo sobre aquilo veria o quão estranho e até um pouco absurdo aquilo soava, ele nem mesmo conhecia aquela mulher, não saberia dizer o nome dela se lhe perguntassem, porém não conseguia se tranquilizar antes de saber uma notícia dela? Talvez o fato da ômega ter desmaiado em seu colo ajudasse nessa preocupação, mas ainda assim era estranho. O amigo dela já estava lá, então o que ele ainda tinha haver com aquela história? Com certeza isso não fazia muito parte de sua personalidade, claro que não era um monstro, em outra situação que prestasse socorro à alguém que estivesse precisando ele também se preocuparia, entretanto deixaria a pessoa no hospital e pediria que lhe ligassem caso acontecesse alguma coisa, mas não ficaria ali, levando em conta a quantidade de compromissos que teve que cancelar. Poderia soar um pouco insensível para alguns, mas para o Ramos não, nunca pensou muito sobre o porquê de agir assim e não seria agora que pensaria. Eric estava mandando mensagem para sua secretária pela quinta vez para avisar que não poderia ir para a reunião que estava marcada para aquele horário quando viu o porteiro do hotel saindo do quarto onde a ômega estava, pouco tempo antes ele já tinha visto um médio e um policial entrarem e saírem de lá, aquilo era estranho, o Ramos queria perguntar o que estava acontecendo e se a desconhecida estava bem, mas não se sentia confortável em entrar naquele quarto, o que ele poderia fazer lá? Não era familiar, amigo ou qualquer outra coisa daquela mulher, era apenas um intruso que por um acaso acabou parando ali, um intruso que teve seu caminho cruzado por alguém que precisava de ajuda. -Com licença-O alfa falou chamando a atenção do beta para si-Como ela está?-Perguntou de uma vez o que estava lhe deixando inquieto. Nicolas olhou para aquele homem bem vestido, aparentemente com roupas caras e com uma aparência marcante, e tudo que conseguia pensar era: "o que ele ainda estava fazendo ali? " Porém, aquele desconhecido tinha ajudado sua amiga sem nem mesmo conhecê-la, só por isso ele já tinha sua simpatia. -Ela está bem, já está acordada, mas o médico disse que ainda gostaria de verificar as lesões-Explicou vendo o lúpus a sua frente lhe olhar assustado. -Lesões? Como assim? Ela sofreu algum acidente?-Eric perguntou preocupado. -Todos os dias da vida dela-O Barros falou baixinho, mas logo se deu conta de que mesmo parecendo gentil, aquele alfa não tinha nada haver com seus problemas. -Como? -Nada, ela disse que sofreu um acidente a caminho do trabalho, mas enfim, ela disse que queria ficar sozinha então já vou indo, obrigado por ajudá-la e ter me trago junto-Nicolas falou realmente grato pelas ações do outro. -Não há de que. Os dois se despediram e o beta foi embora deixando um alfa pensativo para trás, aquela história parecia um pouco m*l contada. Ele realmente tinha percebido alguns machucados no pescoço da mulher enquanto a levava em seus braços até o saguão do hotel, ela parecia tão indefesa ali que aquilo lhe despertou uma sensação que não sentia desde sua infância e aquilo era terrível para si. O Ramos estava tão imerso pensando sobre aquilo que nem sequer percebeu uma certa ômega saindo do quarto do hospital e passando por si como se estivesse fugindo, se o lúpus não tivesse sentido o delicioso aroma de damasco sequer teria percebido a presença dela. -Ei! Espera!-Chamou a outra vendo-a lhe olhar assustada. Claro que quando saiu de seu quarto no hospital, Amélie jamais esperaria que o alfa que havia lhe pegado chorando sozinha no terraço do hotel ainda estivesse ali. Afinal, o que ele estava fazendo lá? A Monteiro queria apenas sair daquele lugar antes que lhe fizessem perguntas que sabia que iriam lhe fazer sobre aqueles machucados, a ômega estava fugindo e a última coisa que esperava era ser pega em flagrante. Enquanto olhava para aquele homem alto e imponente, Amélie só conseguia pensar no que ele poderia querer consigo, porém em qualquer situação ela sempre esperava o pior, então mesmo que aquele desconhecido lhe despertasse curiosidade, mesmo que aquele cheiro de sândalo parecesse tão atrativo para si, o instituto da Monteiro era recuar, então quando o Ramos deu um passo em sua direção ela recuou e o alfa pareceu perceber isso o que o fez parar onde estava e apenas tentar organizar seus pensamentos que pareciam estranhamente confusos agora. Seu lobo uivava dentro si como se estivesse chamando a ômega a sua frente e aquilo lhe assustava como um inferno, não pediu para ter aqueles sentimentos confusos e naquele momento não queria tê-los de jeito nenhum. -Você não deveria estar no quarto descansando?-Perguntou a primeira coisa que passou por sua cabeça vendo a mulher lhe olhar desconfiada. -Desculpe, eu conheço você?-Amélie perguntou ainda mantendo distância do homem. -Ah claro, perdão, eu me chamo Eric, trouxe você até aqui com seu amigo-O Ramos falou só agora lembrando que ainda não sabia o nome daquela ômega e isso lhe fez soltar um risinho soprado o que ocasiou em um olhar confuso em sua direção. -Obrigada por ter me trazido, mas preciso voltar para o hotel, já perdi boa parte do meu expediente e não posso perder o emprego-Inventou qualquer desculpa, ainda que tivesse um fundo de verdade já que não sabia se ainda teria um emprego quando saísse dali, claro que poderia apresentar um atestado, mas ainda assim, nada era garantido, também tinha Nicolas e se tivesse o prejudicado? -Não se preocupe com isso, seu emprego está seguro-O Ramos falou vendo a mulher lhe olhar desconfiada. -Como pode ter certeza disso?-Perguntou confusa. -Eu... sou amigo do dono e além disso ninguém irá lhe demitir se levar um atestado, mas pra isso precisa fazer os exames que o médico pediu. Eric poderia ter falado de uma vez que ela não precisava se preocupar já que ele era o dono do hotel e não a demitiria? Sim, porém a ômega já parecia desconfortável o suficiente diante de si, ela não precisava saber que estava diante de seu futuro chefe. O Ramos não queria deixa-lá constrangida. Amélie estava tendo sentimentos confusos naquele momento enquanto brincava com seus dedos tentando dissipar um pouco da tensão que estava sentindo, a Monteiro não queria ficar ali, mas estranhamente parecia que estava sendo intimida a cuidar da sua saúde, poderia ser um situação engraçada se não soubesse o que estava lhe esperando quando chegasse em casa. E em meio aquilo ainda tinha aquele alfa que parecia tão atraente quanto aparentemente rico, ele lhe intimidava mesmo que sem querer e ao mesmo tempo lhe despertava uma curiosidade que nem mesmo Amélie sabia explicar muito bem, aquele maldito aroma de sândalo deixava seu lobo inquieto. Eric também estava passando por uma divergência em seu interior, se as pessoas habituadas ao seu dia a dia lhe vissem agora a primeira coisa que lhe perguntariam seria o porque o Ramos parecia tão interessado em alguém que sequer conhecia, nem mesmo com seus funcionários que via todos os dias ele trocava mais de um frase se não fosse necessário, então o que estava acontecendo? -Mas mesmo assim... -Olha...-Eric interrompeu a mulher antes que ela pudesse completar a frase-Eu sei que você não me conhece e para falar a verdade, não costumo me intrometer assim na vida de desconhecidos, mas fugir daqui não vai lhe ajudar, não agora, você não está bem. -Eu não estava fugindo-Amélie tentou disfarçar a vergonha que estava sentindo naquele momento, mas não conseguiu. -Apenas faça os exames, depois te deixo ir para onde quiser. A Monteiro percebeu que não teria muito o que fazer, a não ser aceitar o que estava lhe sendo proposto, então apenas concordou com a cabeça e caminhou de volta em direção ao quarto tendo Eric agora lhe seguindo. -Aliás, qual o seu nome?-O Ramos perguntou buscando finalmente cessar sua curiosidade. -Amélie.
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