O Ritual Que Exige Tudo

472 Palavras
Capítulo 17 — O Ritual que Exige Tudo A floresta antiga acordou quando eles chegaram. As árvores não se moviam com o vento, mas com memória. Cada tronco carregava marcas de pactos antigos, de promessas feitas antes mesmo de vampiros e lobos terem nomes. — Aqui — disse Lilith. — Foi onde tudo começou. Aren sentiu o chão vibrar sob os pés. — E onde pode terminar. O círculo ritualístico estava intacto, embora coberto por musgo e sangue seco. Símbolos lunares misturavam-se a runas vampíricas — uma heresia antiga, apagada da história oficial. Lilith começou a traçar o ritual com o próprio sangue. — Se errarmos — disse ela — Valrath não apenas nascerá… ele reinará. Aren retirou a camisa, revelando a marca no peito, agora rachada como vidro prestes a quebrar. — O que exatamente vamos perder? Lilith hesitou. — O ritual não escolhe por nós — respondeu. — Ele revela o que já estamos dispostos a sacrificar. A lua começou a subir. Primeira fase. O ar ficou pesado. — Leia — disse Aren. Lilith recitou as palavras antigas. A floresta respondeu com um eco profundo. Segunda fase. A marca de Aren queimou. Ele caiu de joelhos. — Aren! — Continua — rosnou ele. — Não para agora. Terceira fase. O vínculo entre eles abriu. Não rompeu. Abriu. Lilith viu a infância de Aren. O primeiro uivo. O peso da liderança. O momento em que matou Korr. Aren viu Lilith presa ao trono da matriarca. Séculos de obediência. O desejo constante de fugir. As memórias se misturaram. E então… Valrath falou. — Que belo sacrifício — disse a voz, surgindo do nada. — Dois seres tão orgulhosos, tentando amar acima da própria natureza. A sombra tomou forma no centro do círculo. — Você não pode entrar — disse Lilith, com a voz firme. Valrath sorriu. — Já estou dentro. Do medo. Da dúvida. Do vínculo. Ele estendeu a mão. — Basta um de vocês desistir. Aren se levantou, o corpo tremendo. — Nunca — disse. Valrath riu. — Então escolha. O símbolo final brilhou. O ritual exigia decisão. Lilith sentiu algo se soltar dentro dela. Algo precioso. Ela entendeu. — Aren… — sussurrou. — Se isso funcionar… você pode não se lembrar de mim. O coração dele parou por um segundo. — O quê? — Memória é o que Valrath usa — explicou ela. — O ritual vai apagar minha existência da sua mente. A lua atingiu o ponto máximo. — Não — disse Aren. — Eu não aceito isso. Valrath gargalhou. — Não cabe a você. Lilith tocou o rosto dele pela última vez. — Amar também é deixar — disse. Ela deu o passo final dentro do círculo. O mundo explodiu em luz e sombra. O grito de Aren rasgou a noite. E Valrath, pela primeira vez, gritou também.
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