A Matriarca Quebrada

540 Palavras
Capítulo 16 — A Matriarca Quebrada O santuário vampírico não cheirava mais a sangue. Cheirava a medo. Lilith sentiu isso no instante em que cruzou o arco de pedra. As velas negras estavam apagadas, símbolos antigos riscados como se alguém tivesse tentado apagá-los às pressas — ou em desespero. — Eles tentaram invocá-lo — murmurou ela. — E falharam. Aren manteve-se alerta, o lobo inquieto sob a pele. — Ou conseguiram demais. Um gemido ecoou do salão principal. Lilith avançou primeiro. A matriarca estava sentada no trono de ossos, mas não parecia uma rainha. As costas curvadas, os olhos antes imponentes agora vazios, como se algo tivesse sido arrancado de dentro dela. — Lilith… — sussurrou a voz fraca. — Você voltou. — Eu nunca fui embora — respondeu Lilith. — Apenas parei de obedecer. A matriarca riu, um som seco. — Ele nos prometeu controle — disse. — Paz definitiva. Um mundo sem misturas. Aren sentiu o nojo subir. — Valrath — rosnou. A matriarca assentiu lentamente. — Ele se alimenta melhor quando acreditamos que estamos certos. Lilith se aproximou. — O que você fez? A matriarca ergueu as mãos trêmulas, revelando a marca n***a gravada em sua pele. — Eu me tornei um receptáculo — confessou. — Um canal. Ele usa minha memória… meus rituais… minha autoridade. A marca de Lilith queimou em resposta. — Ele está perto — disse Aren. — Sempre esteve — respondeu a matriarca. — Mas agora… ele quer um corpo definitivo. Silêncio. Lilith entendeu antes de ouvir. — A quarta lua — sussurrou. A matriarca fechou os olhos. — Quando ela subir, ele tentará nascer completamente. Não como sombra… mas como rei. Aren cerrou os punhos. — E como impedimos isso? A matriarca abriu os olhos, pela última vez realmente lúcida. — Não com força — disse. — Mas com renúncia. Lilith sentiu o coração gelar. — Explique. — O vínculo de vocês — continuou a matriarca — é o que o enfraquece… e o que pode libertá-lo por completo. Aren olhou para Lilith. — Ele quer que a gente se destrua — disse Aren. — Ou que se sacrifique — completou a matriarca. Ela estendeu a mão para Lilith. — Há um ritual antigo — disse. — Um que quebra pactos falsos… mas cobra algo verdadeiro. Lilith segurou a mão dela. — O quê? A matriarca sorriu, cansada. — Aquilo que vocês mais temem perder. O silêncio pesou. — Amor — murmurou Aren. A matriarca assentiu. — Ou identidade. Ou futuro. O trono começou a rachar. Sombras vazaram pelas fissuras. — Ele está vindo — disse Aren. A matriarca puxou Lilith para perto. — Você sempre foi mais livre do que pensava — sussurrou. — Não cometa meu erro. Ela empurrou Lilith para trás com a última força que tinha. — Corram. O santuário começou a ruir. Do lado de fora, sob um céu instável, Lilith parou, ofegante. — Ele quer que escolhamos entre o que somos… e o que sentimos. Aren segurou o rosto dela. — Então escolhemos algo maior. A marca pulsou — instável, perigosa. Ao longe, a lua começava a mudar de fase. A quarta lua se aproximava. E Valrath já não estava apenas observando. Ele estava se formando.
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