O Luto Da Lua

419 Palavras
Capítulo 15 — O Luto da Lua A lua não estava cheia naquela noite. Estava opaca, como se tivesse perdido o direito de brilhar. A alcateia reuniu-se em silêncio ao redor do corpo de Korr. Nenhum uivo foi entoado. Nenhum ritual antigo foi concluído. O luto era profundo demais para palavras. Aren permanecia afastado. Não por covardia. Por respeito. O sangue ainda manchava suas mãos — não fisicamente, mas em algo mais difícil de lavar. Lilith observava tudo à distância. Pela primeira vez desde que o conhecera, Aren parecia menor. Não fraco. Apenas… humano. Ela se aproximou devagar. — Eles não te odeiam — disse. — Ainda — respondeu ele, sem olhar. — O ódio vem depois da compreensão. Ela sentou ao lado dele, ignorando os olhares desconfiados. — Você salvou muitos. — Matei um irmão — retrucou. — E isso não se compensa. Lilith tocou a marca no próprio peito. — O mundo ensina que liderança é poder — disse ela. — Mas o que você fez hoje… foi carregar a dor que ninguém mais conseguiu. Aren respirou fundo. — A lua exigia força. Eu dei misericórdia. — E por isso — respondeu ela — você deixou de pertencer a ela. Ele a olhou, finalmente. — E você? — perguntou. — Ainda pertence ao sangue? Lilith pensou nos clãs, na matriarca, nas correntes simbólicas. — Não — disse, com calma. — Pertencer nunca foi liberdade. O vento soprou entre eles. Um jovem lobo se aproximou, hesitante. — Aren… — disse ele. — O que somos agora? Aren sentiu o peso da pergunta. Não havia título. Não havia ritual. Apenas verdade. — Vocês são livres para escolher — respondeu. — Ficar… ou partir. Murmúrios surgiram. Alguns lobos se afastaram. Outros permaneceram. Não por obrigação. Por decisão. Lilith sentiu o vínculo reagir — não em dor, mas em estabilidade. Mas então… A marca queimou violentamente. Aren levou a mão ao peito. — Valrath — rosnou. A visão veio como um golpe. O santuário vampírico. Em ruínas. Corpos pendendo de símbolos quebrados. A matriarca, ainda viva… mas mudada. — Ele está reunindo poder — disse Lilith, o rosto endurecendo. — Alimentando-se da dor de todos. Aren se levantou. — Então não corremos mais. Ela o encarou. — Não — respondeu. — Confrontamos. A lua se escondeu por trás das nuvens. O luto terminava ali. A próxima etapa não seria fuga. Seria enfrentamento. E Valrath, pela primeira vez, sentiu algo próximo de preocupação. Porque eles não estavam mais reagindo. Estavam se preparando.
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