Pré-visualização gratuita CAPÍTULO 1
Fernando Marcos Ribeiro On
-O relatório da Cúpula de Genebra está pronto, Vovô- Digo enquanto meu avô Alexandre Marcos Ribeiro permanece imóvel em seu assento- Os contratos de energia renovável estão garantidos. O Conselho de Nova York aprovou o uso das subsidiárias offshore para a redistribuição de fundos. Nenhuma pista é deixada, como sempre- Continuo, enquanto o vejo atrás do vidro da janela apreciando seu café caro.
Bem, meu nome é Fernando Marcos Ribeiro, o sucessor do maior império da cidade de São Paulo. Tenho 29 anos e posso dizer que minha família é considerada umas das pioneiras em múltiplos negócios. Isso é só que a sociedade sabe sobre os renomados Ribeiros. Minha família foi fundada por meu avô Alexandre Marcos Ribeiro, homem de fibra que teve um passado meio sombrio. Claro que ninguém sabe sobre isso.
Meu avô foi diagnosticado aos 30 anos como sociopata de grau médio. Ele não precisava matar, mas precisava de âncoras para viver uma vida considerada normal. Ele m*l tem sentimentos, e o que tem é editado pela manipulação e controle. Quando ele descobriu seu diagnóstico, finalmente entendeu tudo que seu relacionamento com a minha avó significava. Ele a ama do jeito dele, mas a ama. E seu amor é conhecido como Love Bombing.
E foi assim que surgiu a organização Love Bombing, uma organização que abriga todos os sociopatas e psicopatas do mundo. Recrutamos todos que precisam de regras e que precisam seguir um roteiro. Claro que não é fácil e, às vezes, temos que eliminar as variáveis, mas tudo funciona conforme o modo de operação.
Comandamos o submundo e o que chamamos de “mundo limpo”, ganhamos muito e limpamos a sociedade da escória.
-Você é o meu melhor roteirista, Fernando. Preciso do seu toque metódico para manter a fachada do "mundo limpo"- Diz com um sorriso frio que muitos diriam que é sincero. Mas se conhecesse meu avô, saberia que é apenas um sorriso forçado e ensaiado inúmeras vezes.
-A linha é lógica. Seguir o roteiro garante a estrutura. A estrutura garante que a pressão não se torne inconveniente. Meu trabalho com os abatedouros é suficiente. Não há necessidade de vítimas humanas- Digo, pois fui diagnosticado com sociopatia de grau um pouco acima do grau de meu avô. Tenho a necessidade de corte, ou seja, preciso matar algo vivo e, por isso, tenho um abatedouro apenas para a minha necessidade.
Sou o que chamam de sociopata regrado, preciso sempre seguir um roteiro. Não sinto empatia nem amor por ninguém, apenas operou conforme o que a sociedade diz ser certo e protejo minha família. A única necessidade que preciso e sexo, que é uma função biológica do corpo.
-Ah, a sua "necessidade"- Ele se inclinou em minha direção- A sua versão simplificada da nossa condição. Eu também tive minhas válvulas de escape quando era jovem. A diferença, meu caro, é que eu não precisava de um roteiro. Eu criei o meu- Suspiro. Às vezes acho que meu avô é cínico, e aí lembro que ele é um dos sociopatas mais inteligentes do mundo. Se não fosse um, seria sempre manipulado por ele.
-E o preço do seu roteiro foi o nome da organização. Love Bombing. A maneira pela qual os psicopatas simulam e os sociopatas se apegam por conveniência- Digo com um sorriso ensaiado. Pois a nossa necessidade é de viver uma vida normal. Por isso, manipulamos nossas vítimas para sempre depender de nós, seja emocionalmente ou financeiramente.
O relacionamento do meu avô com minha avó e assim, eles são felizes dentro do seus próprios roteiros, tiveram dois filhos. Gabriel Marcos Ribeiro o mais velho e solteiro. Sociopata de grau baixo, sem empatia para quem não é da família, sempre limpando as variáveis. E Rafael Marcos Ribeiro, meu pai, que nasceu livre dessa condição, é um homem doce e bondoso que casou com minha mãe, Glória Guedes Ribeiro, terapeuta renomada que o ama.
-Não é apenas conveniência, querido neto. É eficiência- Levanta parando ao meu lado- Quando eu conheci a sua avó, a Patrícia, eu sabia que ela me ofereceria uma vida estável. Uma família para me ancorar, uma imagem a proteger- Toca meu ombro e sorrir com malícia contida- Eu comecei a chamá-lo de "Afeição Estrutural". Você não a ama, mas não pode perdê-la porque ela é o centro de gravidade que impede a sua órbita de se desintegrar. Isso é um tipo de amor, Fernando. Um amor funcional- Ele diz, e quem não conhece pode até dizer que tem carinho em sua voz, mas eu o conheço bem.
-Um amor que depende da exploração. É isso que se chama esse amor estrutural, querido avô- Digo me afastando e sentado na minha cadeira, vendo papeladas da cúpula de Genebra mais uma vez.
-Toda a sociedade depende de exploração, meu neto. Nós apenas a fazemos com mais sinceridade- Ele diz, pegando um charuto no meu armário ao lado das bebidas- A "Love Bombing" existe para garantir que pessoas como nós sobrevivam e prosperem. O mundo nos diria para viver na escuridão. Eu construí um império para que pudéssemos ter a luz. A organização é o nosso seguro de vida contra a mediocridade e a prisão- Sua voz saiu rouca e o cheiro do charuto inunda o ambiente.
Suspiro, pois sei que ele está certo. Nós que somos diagnosticados, sempre recebemos olhares de desconfiança quando descobrem. Muitos até mesmo passam suas vidas na mediocridade por culpa dos preconceitos da sociedade. Meu avô apenas aproveitou a chance de ouro e construiu um império próspero.
-Mas o método da organização... as "limpezas" que o Gabriel comanda. Os adolescentes que recrutamos e treinamos para serem máquinas de matar sem deixar rastros. A destruição total da vida de alguém, apenas por controle, é o que a organização Love Bombing significa- Digo, digitando em meu notebook, mas algumas cláusulas para o contrato com a filial do México.
Lembrando que só esse mês recrutamos 12 adolescentes com psicopatia extrema. Muitos mudam seus nomes e entram em aulas de controle de instintos e necessidade de matar.
-É a nossa disciplina. A maioria das pessoas normais é destrutiva por incompetência emocional. Nós somos destrutivos por escolha- Diz com calma calculada - Nossos recrutas aprendem a canalizar o instinto. Se vão matar, que o façam como profissionais, honrando o lema: "Nenhum vestígio, nenhuma dor para nós." Se não podem controlar os seus instintos, nós os controlamos por eles. É a única forma de protegermos o nosso ecossistema. E a nossa fortuna. A nossa família!- Diz com um sorriso medonho, e suspiro cansado, querendo apenas minha cama.
-E o que acontece se o seu roteiro falhar, Vovô? Se a necessidade se tornar incontrolável e eles quebrarem a estrutura? E se acabarem expondo nossa família? O que fazemos?- Digo, olhando em seus olhos. Os mesmos olhos são iguais aos meus. Um verde-musgo intenso e surreal. Gélido e mortal!
-Então, eles terão se tornado um risco para a Afeição Estrutural que eu construí para a minha família. E os seus destinos... a morte é claro!- Diz, pegando seu terno e quase saindo da sala, parando apenas para me olhar com um sorriso frio e sem vida.
-Entendido! O roteiro continua!- Digo, olhando em seus olhos antes de apenas revirar os olhos entediado.