Pré-visualização gratuita PRÓLOGO
Simon
Eu estava andando de um lado para o outro na sala de espera. Eu estava mais do que nervoso, estava quase desesperado. Tudo estava correndo bem a poucos minutos atrás. Eu estava junto da minha esposa, na sala médica para assistir ao parto da minha filha. Eu me sentia o homem mais feliz do mundo e não conseguia conter a minha alegria, minha esposa também era só sorrisos. Quando minha filha veio ao mundo, não consegui conter a minha emoção, peguei o meu pequeno pacotinho de felicidade e caminhei cuidadoso até o rosto da minha esposa cansada. Jane estava pálida e um pouco abatida, mas tinha o maior sorriso do mundo e seus olhos brilhavam de emoção ao ver nossa pequena filha.
– Oh, Simon. Ela é linda. – chora emocionada.
– Você já escolheu um nome? – pergunto.
Nós combinamos, se fosse um menino, eu escolheria o nome e se fosse uma menina, seria ela quem escolheria. A hora havia chegado.
– Sim, ela se chamará Maeve. – Jane diz com um sorriso no rosto. Logo a enfermeira vem para levar a minha filha e eu a entrego com certo receio. Eu queria segurá-la um pouco mais, mas sei que isso é o procedimento padrão e eu preciso ser um pouco paciente.
Estava pronto para voltar para o lado de Jane, mas percebi uma movimentação estranha na sala, subitamente, senti a mão de Jane segurando a minha, seu braço estava esticado e ela estava muito pálida, talvez mais do que a poucos segundos atrás. Me aproximei e com um pequeno puxão da sua mão, me abaixei até que estivesse próximo ao rosto dela.
– Cuide bem da nossa filha. E diga que eu a amo muito e sempre estarei com ela. – sussurra.
– Você pode dizer você mesma. – digo sem entender o porque ela estava fazendo aquilo.
– Prometa. – ela pede apertando a minha mão com mais força.
– Eu prometo. Agora descanse. – digo acariciando seu rosto.
Jane suspira cansada e fecha os olhos. Sua mão afrouxa o aperto e por algum motivo, eu fico temeroso com alguma coisa. Uma bola de nervos começa a crescer na boca do meu estômago, mas eu não sei explicar o porquê, só sei que algo não parece estar certo. Mas em instantes, parece que algo mudou e os médicos começaram a correr de um lado para o outro, as enfermeiras começam a lançar olhares para mim e de repente, um médico aparece na minha frente, ele parece cansado.
– Senhor, por favor, deixe essa sala imediatamente. Precisamos cuidar da sua esposa. – diz. Mas eu sinto que tem algo que ele não está me dizendo.
Balanço a cabeça e caminho para fora e fico esperando na sala de espera do lado de fora da sala de parto.
Não vou negar, agora que eu parei para pensar, parece que algo estava acontecendo, mas por algum motivo não me disseram. As palavras de Jane também foram muito estranhas, era como se ela estivesse garantindo que eu fosse cuidar bem da nossa filha, como… uma despedida.
Deus, não.
Que isso seja apenas um pensamento sem sentido e não uma dura realidade.
Isso não.
Começo a ficar seriamente nervoso. Mesmo que eu não queira dar asas a esse pensamento, a ideia ronda a minha mente como um maldito abutre e eu não consigo me livrar dela totalmente. Por mais que eu queira pensar que tudo vai ficar bem, a demora em receber notícias sobre Jane me diz outra coisa. Sou abatido por um medo tão grande que eu preciso me sentar para não cair. É assustador só de pensar.
Esperei por tanto tempo que nem sei com consegui.
Finalmente o médico saiu para me dar alguma resposta, eu estava ficando louco de preocupação. Mas o que eu pensei que poderia ser uma boa notícia, não era. Percebi pelo semblante do médico enquanto ele caminhava até mim. Senti o estômago embrulhar e fui assaltado por um medo tão grande que eu tive que me esforçar para me manter de pé.
– Como ela está, doutor? – pergunto assim que ele está perto o suficiente.
– Eu sinto muito. Mas as notícias que trago não são boas. – o homem diz.
Engoli seco, o medo fechando suas garras em mim com força.
– O que aconteceu? – pergunto temeroso.
– A sua esposa teve uma hemorragia e… – o médico começa a dizer, mas eu o interrompo no momento em que ele diz que ela sofreu uma hemorragia.
– Ela vai ficar bem? – pergunto apressado e cheio de aflição.
O homem não parece muito bem e depois de me olhar em silêncio por alguns segundos, ele suspira cansado, passa a mão no rosto e finalmente fala: – Eu sinto muito, mas ela não resistiu.
Caí sentado na cadeira. Tentei assimilar o que aquelas palavras realmente queria dizer, mas minha mente e coração não queriam acreditar no pior, ia ser demais, qualquer coisa menos isso.
– O que o senhor quer dizer com isso? – pergunto mais uma vez, pois não consigo acreditar e preciso novamente de uma confirmação.
– A sua esposa veio a falecer. Eu sinto muito por sua perda. – dessa vez o homem diz com todas as palavras possíveis.
É impossível não entender o que significa aquelas palavras, está óbvio, mesmo que eu me negue a acreditar, aí está a verdade.
Jane está morta.
– Não. – sussurro abalado.
– Fizemos tudo o que podíamos, infelizmente, ela não resistiu, não fomos capazes de parar o sangramento. – o médico coloca a mão em meu ombro, em um gesto consolador.
Subitamente, a cena em que Jane me pede para que eu prometa cuidar da nossa filha vem à mente. Ela sabia, de alguma forma ela sabia que estava indo e queria uma garantia.
Deus.
Tudo estava indo tão bem, tudo tão perfeito. E agora… é o fim disso tudo, dos nossos sonhos. Tudo o que restou de Jane, foram as lembranças e a nossa filha, que acabou de nascer e já perdeu a mãe. Percebi agora a gravidade da minha situação atual, agora eu sou viúvo e tenho uma filha para recém-nascida para cuidar.
Eu estou devastado pela dor e prestes a surtar com o pânico crescente por causa dessa situação desesperadora. Mas eu vou fazer o meu melhor, por essa menininha. Eu só espero que Jane me ajude de alguma forma de onde ela estiver e que cuide de nós dois, pois, esse será o maior desafio da minha vida.