A força maior

1039 Palavras
Eu estava na sala fazendo minha lição de casa de bruço no sofá , escutando uma música baixa no rádio. Mas aí um ser aparece ligando a TV, meu primo! Ele liga o vídeo game e simplesmente me empurra para o lado jogando minhas pernas pro chão. _ Ei! Me ignora e continua clicando no botão daquele maldito controle. Assobiava como se fosse a coisa mais normal do mundo fingir que eu não existo. Eu estalo a língua e tento me concentrar no meu dever de matemática que eu era péssima. Mas juntando a minha música calma com os tiros do vídeo game eu não consegui me concentrar. Eu deixei o caderno pra lá já que não ia conseguir fazer de qualquer jeito. Fiquei assistindo ele jogar, até que parecia ser legal. Uma força maior que eu diz: _ Deixa eu jogar também? _ Não. _ E continua assombiando com os olhos na tela. _ Por favor. _ Para de encher o saco. Reviro os olhos pegando meu caderno e me retirando mas aí alguém bate na porta. _ Eu atendo! _ Disse Guilherme. Pensei ser o carteiro mas não entendi porque ele ficou tão eufórico para abrir a porta. Mas logo entendi o por quê?!. Escuto uma voz feminina. _ Oi, Gui. _ Oi, linda! Na ponta do pé eu vou para a cozinha, tentar escutar a conversa escondida ali. _ Estava ocupado? _ Não, tô não. Pode entrar. Pode o que? Eu não me contive e sai da cozinha cruzando os braços. Vendo a garota bonita daquele dia no campo, aquela que eu não via a um bom tempo. _ Sabe que minha mãe não gosta que tragam estranhos aqui. _ Ela é minha amiga, e a minha tia já tá sabendo, oh intrometida. Agora me deixa em paz e vai lavar uma louça. _ Ela falou pra você me ajudar a arrumar a casa. _ Tá, tá. Ele me ignora e vai pro quarto com a menina. Eu não gostei nada daquilo. Eu senti meu sangue ferver de raiva. Senti que precisava fazer alguma coisa, só conseguia ouvir risos e o som alto lá de dentro. O que ele pensava que estava fazendo? Impulsivamente eu pego a bola de futebol e jogo na porta do quarto dele. Várias e várias vezes. Até ele se irritar e abrir a porta. _ Para com isso, garota! _ Então para você! _ Tá me fazendo passar vergonha. _ Eu não quero ninguém estranho aqui. Eu vou ligar pra minha mãe. 1, 2... _ Para de ser chata, Júlia. Caramba! _ 2,5.. _ Tá, tá bom! Já vamos sair. Ele sai junto com a Daniela, os dois ficam séculos na porta do lado de fora conversando. Depois se despedem e ele entra. _ Amiga, é? Ele me olha sério e irritado. Depois Bate a porta e eu me escolho com o barulho. Voltei para o sofá, sorrindo pela vitória e pego meu caderno, voltando a estudar. A minha mãe chega em casa mais cedo, ás 7 horas. E eu corro até ela com o caderno na mão. _ Mãe, pode me ajudar com o dever de matemática? _ Júlia, eu acabei de chegar, e eu não sei nada de matemática. Você sabe disso. _ Ah. _ Meu sorriso cai na mesma hora. _ Por que não pede para o seu primo? Ele é bom. Em matemática, eu vi as notas do boletim com a mãe dele. _ Não sabia... Mas... _ Guilherme, vem aqui! _ Ela grita. _ Pois é, se passasse mais tempo estudando do que brincando com bola você não estaria nessa situação agora. _ Eu sei. _ Só quero ver o seu boletim no final do ano, Dona Júlia. Se tiver alguma nota vermelha, pode dizer adeus aquela escola. E oi escola integral pra você. _ Que? _ Meu queixo caí _ Guilherme! _ grita de novo. Ele aparece preocupado. _ O que, tia? Eu não fiz nada. _ Do que você está falando? Vem ajudar a Júlia com o dever dela, por favor. Ele se aproxima olhando pra mim. Minha mãe sai da sala. _ Você disse alguma coisa? Balanço cabeça negando. Ele diz: _ Acho bom. Estudar com Guilherme não foi nada legal, ele não tinha paciência, então ficava me chamando de burra de 5 em 5 minutos. Eu entendia que ele estava com raiva mas não era ele a vítima, era simplesmente eu. _ Você é burra, não é assim que faz. _ Ele pega a borracha, depois da um sorriso cínico _ Por isso não tem namorado, fica se amostrando na escola em vez de estudar. _ Ah? _ Estranho ele tocar num outro assunto do nada. _ De você com aquele garoto na quadra. _ Você estava me espionando? _ Eu não estava te espionando, a escola é pública que eu saiba. _ Sei. _ Cala a boca! Presta atenção. Não vou explicar de novo. Eu olhei para o caderno mas não estava prestando atenção, não contive o sorrisinho bobo no meu rosto, pois o Gui estava com ciúmes de mim. Pela primeira vez na história! Ele estava com ciúmes, eu tinha certeza. Eu achei tão fofo, não devia, ele é meu primo, chato e irritante mas eu não pude evitar, foi maior que eu. _ O que foi, estranha? _ Que foi o que? _ Você é estranha. Para de sorrir assim, tá me dando medo. Acho que deixei muito na cara pra ele ter falado aquilo, as vezes eu disfarçava, mas muito m*l. Então tentei me concentrar no dever, porque sabia que ele não iria me explicar de novo, já que estava claramente estressado. Mas aquele momento foi um dos que com certeza vou gravar no meu diário, por mais chato que ele fosse eu ainda podia sentir que tinha um bom coração, que se importava, só não queria admitir. Talvez... Só talvez, ele gostasse de mim de verdade. Não que eu estava apaixonada por ele ou caidinha por ele. Eu só queria que nos déssemos bem um com o outro, afinal de contas morávamos juntos, se ele quisesse poderia ter ido morar em qualquer lugar mas não. Ele optou por morar aqui, com a prima chata, por que será?
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