Naquela noite Mary não pregou os olhos, sentia dores horríveis no corpo e principalmente na mão, sentia um cheiro forte de queimado em sua mão parecia cheiro de plástico queimado. Mary esperou Ana acordar, e pediu novamente para ir ao hospital Ana se recusou, disse que logo a menina melhoraria, além de que não ter culpa alguma pelo machucado não tinha carro, nem bicicleta para levá-la ao pronto socorro.
Passaram dois dias e a menina não conseguia mais ajudar não tarefas de casa, sentia dores de cabeça constantes nada melhorava, Ana se irritava com aquilo acusava Mary de está se aproveitando do machucado para não ajudar nas tarefas, Ana humilhada a pequena a chamava de inútil, dizia que ninguém a queria que esperta mesmo era Maria Helena que largou aquele estorvo para seguir a vida. Mary se sentia m*l por não ajudar mais Ana como antes então pegou uma vassoura e com uma mão só e muita dor foi ajudar Ana a varrer o quintal. Mary pediu a dona Ana para tomar banho disse que desde o acidente não ganhava, Ana disse que não, pois o machucado não podia molhar, teria que ficar sem banho por sete dias. Ana já num tinha paciência com a menina agora então não agüentava mais. Tomou uma decisão pediu à menina que fosse a busca de seus tios no bairro próximo, pois não daria mais pra ficar ali se não podia ajudar nas tarefas.
Avisou a menina que ela não poderia mais voltar, pois não iria mais cuidar dela. Mary então se despediu e foi atrás de ajuda, correu por alguns minutos e não via onde era a casa de sua vó, a estrada era de barro vermelho e com fome, não sabia o que fazer, sentou-se naquela terra vermelha enquanto pensava no que fazer, sem muitas opções adormeceu ali mesmo sentada, enquanto dormia Mary teve um sonho onde uma mulher vestida de branco lhe dizia não tenha medo criança e a abraçava, Mary acordou mais leve e tranqüila, fez uma oração e continuou a andar depois de algum tempo encontrou uma casa conhecida uma casa simples com uma cruz na frente, Mary se lembrou que ia ali com sua vó Maria para fazer orações e todo domingo iam ver a missa, Mary lembrou o caminho para casa de sua avó correu desesperada, com um nó na garganta como se fosse explodir, lágrimas desceram de seu rosto e a pequena menina chegou à casa de sua vó, chamou mais ninguém respondeu abriu a porta e foi até a sala lá encontrou seu tio dormindo no chão o chamou, tentou acordá-lo mais não conseguiu, sentiu um cheiro forte de álcool nele, depois de muito tentar a menina limpou o rosto com as mãos sujas e saiu, não tinha outra escolha teria que voltar para casa de dona Ana temia que a megera não houvesse aceitasse mais levantou a cabeça e foi.
Mary caminhou por alguns minutos e enfrente aquela simples igreja viu Valter seu tio vindo de bicicleta, Mary não conteve suas emoções e chorando pediu ajudar ao tio. Valter disse que queria saber de tudo o que tinha acontecido, Mary teve medo do que Ana a faria por isso contou apenas que estava brincando e se machucou. Contou que Ana e José não havia procurado um médico, pois não tinham como levá-la. Valter perguntou a menina se ela estava indo a escola e Mary respondeu que não estava de férias. Valter estranhou mais preferiu não dizer nada. Levou a menina de volta para casa. Encontrou Henrique seu irmão bêbado no chão. Foi até a cozinha preparou algo para que a menina pudesse comer. Em segundos Mary comeu tudo Valter perguntou há quanto tempo ela não comia, pois achou estranho o desespero da menina ao comer.
Mary ficou com medo de falar a verdade mais sabia que dona Ana iria negar respondeu que não comia desde o meio dia do dia anterior que almoçou e ao meio dia tomou café mais algumas visitas que dona Ana havia recebido. De certa forma Mary não mentiu totalmente, pois realmente havia comido mais as visitas de Ana só que foi há três dias e não a há um. Valter ficou horrorizado. Como deixam uma menina com fome por tanto tempo. E perguntou por ela não havia comido Mary respondeu que se machucou pediu à menina que o esperasse, pois iria até dona Ana perguntar o que estava acontecendo. Mary concordou com a cabeça. Valter foi até a casa de Ana de bicicleta. Chegando ao local bateu no portão, chamou por Ana, mais ninguém respondeu os cachorros latiam, olhou por uma brecha no portão e viu que a porta e a janela estava aberta mais mesmo assim ninguém o atendeu.
Sem saber o que fazer voltou para casa para ver o que faria com a menina. Pediu Mary para que mostrasse seu machucado, a menina abriu a mão e ele perguntou por que a mão estava com queimaduras e restos de algodão queimado a menina respondeu que o marido de dona Ana colocou algodão e fogo em sua mão por que a ferida não parava de sangrar. Mary queria contar tudo ao seu tio sentia que podia confiar nele. Mais estou por mais que quisesse contar tinha medo que tivesse que voltar para casa de dona Ana, Mary se sentia culpada por tudo que havia acontecido se sentia uma inútil que ninguém queria e por isso decidiu que guardaria segredo que só contaria o essencial. Valter não sabia o que fazer ou pensar precisava de ajuda. Pensou em ligar para sua irmã e contar tudo mais Com certeza Maria Helena abandonaria o trabalho, compraria um passagem e voltaria Valter não podia fazer isso. Pensou em pedir ajuda a sua irmã Lúcia mais ela vivia ocupada com o trabalho, filhos, marido. Então Valter pensou em Melissa ela talvez o ajudasse montou Mary na garupa de sua bicicleta e foi para casa de Melissa. Melissa olhou para Mary e Valter nem precisou falar Melissa de imediato disse primeiro vamos cuidar da menina e depois conversamos pegou Mary levou ao banheiro, deu um banho quentinho, lavou os cabelos, e não fez uma pergunta sequer, quando foi lavar as mãos, a pequena se recusou, disse que estavam machucada e que não podia lavar. Melissa disse que estava tudo bem, não quis pressionar. Após o banho levou a Mary para o quarto de seus filhos, pegou uma roupa da sua filha e vestiu em Mary, que perguntou de quem era aquele quarto Melissa respondeu que era de seus filhos. Mary então perguntou onde eles estavam Melissa disse que seus filhos haviam ido visitar alguns parentes e que logo voltariam.