— E como você se sente? — Miguel perguntou.
— Na verdade não sinto nada...— Ravi murmurou. — É como se eu estivesse sem emoções.
— Entendo... E sobre a escola?
— Eu quero voltar... — Ravi falou suspirando. — E mesmo que eu não quisesse, o papai não está muito feliz com minhas faltas, e também já avisou que nessa segunda eu vou voltar.
— Ravi, seu pai quer que você enfrente isso! Supere.
— Ele não me deixa ver meus desenhos... — Ravi falou triste. — Ele diz para eu assistir outras coisas, mas eu queria ver desenho.
— Ele cortou todos?
— Não... Só alguns, como Marsha e o Urso. — Ravi falou.
— Isso é bom! Você precisa passar essa fase. — Miguel falou suspirando.
— Eu não quero!
— Ravi, você já tem dezesseis anos... Algumas coisas da infância, nós levamos para nossa vida, mas outras, nós deixamos para trás. — Miguel falou atencioso ao garoto. — Faz parte do ciclo de crescimento, nós sempre vamos deixar algo para trás e assim abrir espaço para algo novo. — Miguel tirou os óculos e assim olhou diretamente nos olhos azuis que brilhavam pelas lágrimas que já ameaçavam cair. — Gostar de desenho mesmo estando adulto ou adolescente é normal, mas consumir apenas isso lhe traz algumas coisas que são caracterizados como parte da fase infantil!
— Vocês estão sendo injustos comigo...
— Queremos que você cresça! — A consulta ficou em absoluto silêncio, Ravi olhou ao redor e ficou seu olhar na janela que tinha uma bela visão da cidade. — Ravi, no internato você aprendeu muita coisa falsa, sobre nosso mundo, crescer não é r**m, pode ser um pouco assustador, mas nunca será r**m.
— A tia Chio dizia que adolescentes são ruins, e é verdade! — Ravi falou irritado.
— A senhora Chio não é sua tia! E ela também está errada nisso, você crescer te trará coisas boas... Você poderá sair sozinho, ou com amigos, ir a festas—
— Festas são ruins! — Ravi falou e o médico se calou, pensando em como prosseguir e suspirou.
— Está tomando os remédios?
— Meu pai me vigia todas as noites, não tem jeito de não tomar.
— Você vai levar essas atividades para casa... — Miguel falou mostrando as folhas com desenhos, logo vendo Ravi sorrir. — Faça junto ao seus pais.
— Tudo bem! — Ravi falou feliz.
Ele pegou a pasta que tinha os desenhos e saiu, sua mãe já lhe aguardava do lado de fora e sorriu por ver o filhote.
Ravi estava sentindo dores constantes, quando Ethan tentou explicar, o ômega começou a chorar e se negou a ouvir o pai.
A relação dos dois estava uma verdadeira guerra, Ravi queria permanecer em sua infância, que foi tão boa. Mas, o pai queria que ele fosse adolescente.
Adolescentes eram ruins...
Ravi aprendeu isso, e por isso ele não queria fazer a transição. Ravi olhava para as próprias mãos que doíam constantemente, olhava para a janela que passava a paisagem de forma rápida, e pensava em tudo que acontecia ao seu redor, ele não queria sair de sua bolha protetora, mas estava sendo obrigado e jogado no mundo.
Kayte parecia entender, mas já Ethan... O alfa vinha cortando cada vez mais coisas, primeiro foram os desenhos, depois foram os brinquedos... Ele deixou Ravi escolher apenas algumas pelúcias para enfeitar seu quarto, mas retirou boa parte das bonecas e outras coisas que ele tinha.
O loiro chorou!
Chorou e pediu para o pai não fazer aquilo, mas ainda assim Ethan lhe deu até o fim do dia para escolher, até mesmo sua coroa ele tirou do seu quarto e ele só poderia usar quando Miguel dissesse que estava tudo bem, coisa que o médico não fez. E isso deixou, Ravi irritado.
Outra coisa que o loiro não sabia fazer, era lidar com suas frustrações e sentimentos, e assim ele gritava demais e chorava com muita facilidade.
O que não surtia efeito em Ethan.
— Acha que o papai vai levar sorvete? — Ravi perguntou, já que tinha pedido ao pai.
— Claro que vai. — Kayte falou sorrindo, por algum motivo Ravi nunca sentava no banco da frente, era sempre no de trás, como se ele fosse uma criança!
— Quando ele vai me devolver minhas coisas?
— Meu amor, ele te falou que iria guardar... Você já ficou com seus preferidos.
— Mas eu quero! — Ravi falou mais alto.
— Abaixa o tom! — Kayte falou séria, por mais que aquilo doesse nela. Miguel tinha aconselhado que eles colocassem certos limites em Ravi.
— São minhas coisas! — Ravi continuou falando alto.
— Se não falar mais baixo eu não vou te ouvir e você vai ficar de castigo! — Kayte falou e viu pelo espelho quando seu filhote revirou os olhos e cruzou os braços.
Ravi já estava chorando e Kayte queria abraçar o filhote, mas apenas continuou dirigindo.
Quando eles chegaram em casa, Ravi desceu sem nem olhar para a mãe, batendo a porta do carro e batendo os pés ao entrar em casa.
Ethan estava na sala quando ouviu Kayte chamar por Ravi, mas o mesmo ignorar. Quando o ômega estava prestes a subir a escada, Ethan se pôs de pé.
— Para aí! — Ethan falou e Ravi ignorou. — Ravi estou falando com você!
— Eu não quero ouvir! — Ravi falou alto, terminando de subir a escada e batendo a porta do seu quarto.
Ethan ficou irritado.
Bem irritado!
Por isso ele palmas subiu atrás do seu filho e abriu a porta sem menos bater, Ravi estava sentado na cama e chorava.
— Sua mãe estava te chamando! Eu te chamei e você não pode simplesmente ignorar e sair fazendo o que você quer! — Ethan falou sério.
— Eu não quero ficar aqui! Não quero ficar com vocês! — Ravi falou e Ethan se sentiu magoado e ofendido, mas mesmo assim não demonstrou.
— No momento Ravi, essa vai ser sua casa! Então é bom você saber respeitar as regras e sua mãe e eu! — Ethan falou ouvindo o chorar do filho. — Você está de castigo por duas semanas! — Ethan falou recebendo um olhar machucado do filho.
— Eu quero voltar para o internato! — Ravi falou alto e se colocando de pé.
— Segunda feira você tem aula, é da escola para casa e só! Esquece sair, esquece seus brinquedos, esquece toda essa merda! — Ethan falou alto e se arrependeu logo depois por ter perdido o controle. — Mais alguma desobediência sua e te troco de quarto e tranco esse!
— Você não pode fazer isso! — Ravi falou batendo os pés e aquilo irritou o alfa.
— Chega! — Ethan rosnou contra o filho que se encolheu. — Não saía desse quarto até eu mandar, ou você não vai gostar do resultado.
— Eu te odeio! — Ravi gritou chorando.
— Não desobedeça!
Ethan falou fechando a porta do quarto e assim se encostando na mesma assim que a fechou.
O alfa deu alguns passos e logo estava apoiado na parede, seus olhos estavam repletos de lágrimas e tudo nele implorava para que ele abraçasse seu filhote e o pedisse desculpas.
Ethan foi para seu quarto e caminhou rápido até o banheiro, lavou seu rosto e olhou seu reflexo.
Ele só pensou em uma pessoa, para lhe ajudar.
Seu pai!
Ethan iria até seu pai!