FALCÃO - INTERESSE

995 Palavras

O sol da Maré não aquecia; ele queimava, expondo cada ferida aberta na minha alma e na minha carne. Eu caminhava pelas ruelas, e o som do meu batendo no asfalto era acompanhado pelo ritmo irregular da minha perna esquerda. Pisa, arrasta, lateja. Cada passo era uma facada de dor, mas o que doía mais era o peso dos olhares. Eu sentia os olhos dos vapores nas esquinas. Sentia o silêncio que se formava quando eu passava. Eu, que já fui o Falcão do Turano, o homem que fazia o chão tremer quando passava, agora era apenas um vira-lata baleado, um traidor exilado que buscava abrigo sob o teto de quem sempre odiei. Os comentários vinham em forma de sussurros, mas para mim soavam como gritos. "Lá vai o homem de confiança que o Sete descartou", "Ficou manco pra aprender a não mexer com a mulher do p

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