O sol ainda estava quente no morro, lançando sombras longas pelas vielas do Morro do Turano, quando o SUV blindado de Tico estacionou bruscamente em frente à farmácia principal da comunidade. Ele desceu do carro com o semblante fechado, a mandíbula travada e aquela aura de perigo que fazia os moradores desviarem o olhar por respeito e temor. Mas, por dentro, o turbilhão era outro. Ele não estava ali para cobrar dívidas ou dar ordens de contenção; ele estava ali em uma missão de vida ou morte para o seu próprio coração. Ao entrar no estabelecimento, o farmacêutico, um homem que já vira de tudo naquele morro, se prontificou a atende-lo. Tico não era de dar bom dia. Ele estendeu a receita médica amassada sobre o balcão de vidro, os dedos calejados batendo ritmadamente na superfície. — Quero

