A noite no Turano havia caído com uma densidade sufocante. No quarto da casa, o único som era o da água do chuveiro caindo, onde Catarina aproveitava a paz de tomar banho, sem medo. Sete estava sentado na beira da cama, com o fuzil encostado no criado-mudo e o celular da "boca" — o aparelho funcional que coordenava o tráfico — vibrando incessantemente sobre o lençol. Um número desconhecido piscou na tela. Nenhuma foto, nenhum nome. Apenas um arquivo de vídeo de visualização única. Sete franziu o cenho e tocou na tela. O vídeo carregou em segundos. No momento em que as imagens começaram a rodar, o maxilar de Sete travou de tal forma que os músculos do seu pescoço saltaram. Era a praça da Maré. A luz era crua, de postes amarelados, e o som era uma mistura de risadas cruéis e gritos que fiz

