O silêncio do Quarto 04 era espesso, quebrado apenas pelo som da respiração ritmada de Ayla. Por volta das 22h, a porta correu no trilho metálico com um estalo seco. Um enfermeiro de plantão entrou segurando duas bacias de alumínio que tilintavam, uma esponja áspera e um pacote de gazes. — Boa noite. Vamos fazer a higiene agora. Vou precisar te virar na maca — disse o homem, com uma voz mecânica e impessoal, já colocando as luvas de procedimento. Tico, que estava no banheiro lavando o rosto para espantar o resto do sono, ouviu a voz masculina e o barulho do metal. O som disparou um gatilho instintivo em seu cérebro de soldado. Ele saiu de dentro do banheiro como um bicho, os olhos injetados e os ombros tensos, ocupando todo o espaço da porta. Ao ver o enfermeiro se aproximando do leito

