Éder narrando Não adianta. Não importa o que eu faça, o quanto eu me desgaste, ela continua lá. Enfiada naquele esgoto chamado morro. Grávida de um traficante. Humilhando meu nome. Cuspindo no meu sobrenome como se fosse lixo. Já tentei tudo. Conselho, ameaça, até promessa. Mas ela não me ouve. Me desafia. Me esquece. Pois agora vai ser no meu jogo. Olho pro celular da Márcia largado em cima da mesa como se fosse uma arma. Pego o aparelho e caminho até o quarto. Ela tá lá, dobrando roupa como se nada tivesse acontecendo. Como se fosse uma esposa comum, numa casa comum, com uma filha comum. — Liga pra ela — digo, estendendo o celular. Ela ergue os olhos, assustada. — O quê? — Pra Priscila. Liga. Agora. — Eu… Éder, eu já falei, ela não quer falar comigo, e… — começa a se justificar,

