Era segunda feira de manhã e Eduardo estava ao lado do pai na sala de reunião da empresa. Sentia seu rosto queimar de raiva e incredulidade, seu pai queria que ele fosse presidente da empresa. Presidente! Esse fim de semana ele nem conseguira olhar para mulher nenhuma, estava de péssimo humor desde que recebera essa notícia e a única coisa que fizera fora beber com seu amigo Daniel, que aliás, estava ali também. Daniel era um dos advogados da empresa.
Enquanto esperava o restante do pessoal para a reunião, ouvia no fundo de sua mente a voz de seu pai dizendo aquelas palavras fatídicas.
“ ... você assumirá a presidência da Magalhaes Tecnologia.”
“ Eu e Marcos vamos fundir as empresas e além de produzir softwares para computadores, celulares, softwares de segurança para empresas, vamos produzir games para as mais variadas idades...”
“ ... você e a filha do Marcos vão assumir a frente dos negócios...”
“ ... nenhum acionista será prejudicado.... cada um manterá o mesmo percentual de ações que têm em cada empresa...”
Fazia muito tempo que não pensava nas filhas de Marcos. Ele tinha duas filhas, mas sempre foi mais próximo de Clara, a filha mais velha dele. Eles eram unha e carne, passaram a infância frequentando a casa uns dos outros, estudaram na mesma escola, mas ele se tornou um adolescente muito arrogante. Na época, as garotas que tinham que correr atrás dele, e elas realmente o faziam, afinal ele sempre fora muito bom com o sexo oposto, por esse, entre outros motivos ele acabara se distanciando de Clara logo no início da adolescência deles. E agora, ele teria que assumir essa nova empresa com ela senão seria deserdado! Deserdado!
Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho de conversas e ele virou sua cabeça na direção da porta da sala de reuniões. Depois de dias remoendo aquelas palavras, sua mente era um completo silêncio, mas outra parte do seu corpo acordou de uma hora para outra. Ele se sentou mais ereto, sentindo aquele aperto nas calças enquanto olhava para as pessoas que entravam.
Na frente vinha Marcos, com seu terno escuro e cabelo bem cortado, o sorriso de sempre nos lábios e atrás dele, Eduardo supôs, vinha uma das filhas. Ela era alta, ainda assim devia ter uns centímetros a menos que ele sem aquele salto, tinha cabelos ondulados que iam até a metade de suas costas. Eles eram pretos e tinham um brilho incrível. Os olhos eram castanhos e a boca, ahh... aquela boca, carnuda na medida certa e mostrou um sorriso incrível assim que meu pai se aproximou para cumprimentá-la. Ela tinha um corpo cheio de curvas, um tom de pele moreno claro e tinha hipnotizado Eduardo. Ele simplesmente precisava daquela mulher na cama dele, gemendo e pedindo por mais.
Seus pensamentos eróticos foram interrompidos quando sua avó disse o nome dela.
- Clara! – Gardenia exclamou enquanto a abraçava
– Nossa como você está linda! Há quanto tempo não vejo você, faz quanto tempo, desde que se mudou para Portugak, não é?
- Olá Dona Gardenia, que saudade! Sim, já fazem cinco anos que me mudei! E a senhora parece mais jovem do que naquela época, a senhora precisa me contar esse segredo – ela brincou um uma voz límpida, porém firme.
Então seu pai se adiantou e resolveu apresentá-los, bom, apresentar não seria a palavra certa já que eles se conheciam há anos, mas olhando para aquela mulher incrivelmente sexy à sua frente, ele sentia que realmente não a conhecia mais.
- Você deve se lembrar do meu filho, o Eduardo!
- Sim, Jeferson, eu me lembro. Como vai Eduardo? – o olhar dela mudou de caloroso para frio e talvez um tanto nervoso quando se voltou para ele enquanto estendia a mão para cumprimentá-lo com um aperto firme. Parece que ela também se lembrava dele.
- Oi Clara, eu vou muito bem e você? Bem vinda de volta a São Paulo – quando eles eram adolescentes ele passara a esnobá-la como fizera com todas as outras. Mas ela era muito tímida e reservada, na época ele a flagrara diversas vezes o encarando escondido para depois desviar o olhar. Ele achava aquilo engraçado, pois queria todas as garotas aos seus pés. Quando a mãe dele faleceu , ele ignorou Clara na frente de todos quando esta se aproximou para lhe dar seus cumprimentos. Pelo olhar frio que ela lançava a ele, ela não o perdoou por isso.
- Bom, acho que já estamos todos presentes, vamos fazer isso logo, o que acham? – ela disse para o pai, soltando a minha mão rápido demais para meu gosto. “Parece que não sou só eu que estou detestando essa situação”, ele pensou.
“ Eu não consigo acreditar que meu pai me tirou de Portugal para me colocar frente a frente com esse babaca”, Clara pensou enquanto todos se acomodavam ao redor da mesa de reuniões. Lá estavam ela, sua irmã Monica, vestida casualmente com sua calça jeans apertada e saltos altíssimos, minha mãe Noemia, e meu pai que se dirigiu à frente de todos junto com Jeferson para começar a reunião. Do outro lado da mesa estavam os três diretores da empresa que tinha direito à voto, Gardenia e o Eduardo, que por sinal não parava de lançar olhares para Clara. “Agora você olha na minha cara”, ela bufou em pensamento.
Então seu pai e Jeferson começaram a apresentação da proposta e ela não podia dizer que não era uma boa proposta. Ela já tinha olhado a papelada que seu pai lhe apresentara, mas aqueles dados estavam muito mais completos. Eles apresentaram toda a parte jurídica e financeira das duas empresas, os gráficos de lucros dos últimos três anos e a previsão dos especialistas para os próximos cinco anos. O que eles queriam era formar uma empresa de software, games e programação que tivesse seus produtos patenteados, e que também pudesse criar e prestar serviços para outras empresas do ramo. Além disso, queriam passar a fazer produzir as próprias propagandas em vez de contratar empresas de design e animação para fazê-lo. Olhando para tudo aquilo, ela simplesmente não podia negar, o negócio seria muito lucrativo para todos. E pelo olhar dos diretores da Magalhaes, eles também achavam isso.
- Bom, meus caros! – disse Jeferson enquanto acendia a luz novamente
– Eu acredito que esteja tudo muito claro, será um negócio muito lucrativo e que vai nos lançar no caminho para nos tornarmos uma multinacional. Ainda assim, acredito que tenham muitas perguntas. Então, alguém gostaria de questionar alguma coisa?
- Eu gostaria – ela disse, atraindo a atenção de todos
– Eu ainda não fui esclarecida com relação ao cargo que eu assumiria nessa nova empresa.
- Você seria a vice-presidente e chefe do setor de criação, que pretendemos unir ao setor de Marketing e Propaganda – Marcos respondeu
– E o Eduardo, seria o presidente.
- E porque eu tenho que ser a vice? – Clara notou um olhar presunçoso vindo de Eduardo
- Não é porque sou mulher, ou é?
- Claro que não filha. A verdade, se você olhar bem a papelada, o valor do capital total da M.A Games é ligeiramente menor que o da Magalhaes Tecnologia. Nada mais justo que o Eduardo fosse o presidente. Mas ainda assim as ações vão ser divididas de forma que tenham a mesma proporção que têm hoje. Você e Eduardo serão os acionistas majoritários.
Clara olhou para Eduardo, para dentro daqueles olhos azuis e de repente se lembrou da adolescente tímida e insegura que ela fora um dia e que só queria que o garoto mais lindo da escola olhasse de novo para ela como quando eles eram crianças. Dando graças a Deus e aos anos de terapia, lembrou-se rapidamente que não era mais aquela adolescente.
- Espera um pouco pai, mas eu não sou a sócia majoritária da M.A, eu e Monica temos a mesma quantidade de ações!
- Não temos mais irmã – disse Monica com seu jeito confiante, pela primeira vez
– Eu abri mão da parte do papai nas ações – quando Clara abriu a boca para reclamar a irmã continuou
– Você sabe que não tenho vocação nenhuma para essa empresa, mana, eu sou médica e estou feliz trazendo bebês a esse mundo todos os dias. Sempre soubemos que você seria a sucessora do papai. Vou continuar tendo as ações que tenho hoje, mas as do papai, são suas, já está tudo de papel passado.
Clara olhou para o pai de boca aberta e se deu por vencida.
- Acho que perdi essa guerra! Mas que fique claro que ainda não entendo o motivo de toda essa maluquice.
- Na verdade nem eu – Eduardo finalmente se pronunciou
– Parece que e eu e Clara seremos os donos dessa empresa no futuro já que você pai, é tutor das ações da vovó e me ameaçou de me deserdar caso eu não assumisse o cargo de presidente!
- Sim meu filho, - disse Jeferson depois de um tempo
- E saiba que não basta assumir, eu estarei de olho em cada passo seu. Sei com toda a certeza que você está a altura desse cargo, passei esses últimos meses te treinando sem você perceber, mas para ter direito à sua herança, você terá que merecê-la e se entregar à essa empresa exatamente como eu fiz.
Clara viu Eduardo abrir a boca para falar, mas Gardenia se adiantou:
- Chega Eduardo, seu pai está certo, você precisa tomar jeito, não terá sua família para sempre e eu seu pai precisamos saber que você se tornou um homem responsável antes de colocar tudo que construímos nas suas mãos. – ela fez uma pausa
– Vamos às votações.
Para Clara, votação era algo irrelevante agora, pelo que ela pôde notar, a decisão já estava tomada há algum tempo.