Capítulo 5

1616 Palavras
Os dias que se seguiram foram uma verdadeira loucura. Reuniões com advogados, funcionários, contadores, diretores e acionistas. Clara perdeu as contas de quantas vezes por dia fazia o caminho da M.A Games para a Magalhaes Tecnologia. A sede da nova empresa seria onde funciona a Magalhes, o edifício era novo e fora inaugurado apenas seis meses antes, alguns andares ainda estavam vazios, como o penúltimo andar onde ficaria a sala da vice-presidência juntamente com o setor de criação. O prédio ficava localizado na Capital e seria perfeito para o que tinham em mente. Seu pai e ela fizeram várias reuniões através do Skype com a filial em Portugal, eles tinham esperança que conseguiriam trazer pelo menos alguns dos funcionários para o Brasil. Camila já havi concordado e Clara esperava que pelo menos Paulo também concordasse em vir, ele era um ótimo desenhista e ela confiava muito no trabalho dele, além de ser um bom amigo. O setor de Marketing e Propaganda da Magalhaes fazia um bom trabalho, mas para aquilo que Marcos e Jeferson estavam planejando para a nova empresa, não seria o suficiente. Então decidiram que ele passaria a ser um setor subordinado ao Setor de Criação do qual Clara seria a chefe. O dia que isso foi anunciado certamente seria um dia difícil de esquecer. Eles marcaram uma reunião para as dez da manhã de quinta-feira com Clara, Marcos, Eduardo, Jeferson, Gardenia e Cintia, que foi a chefe do setor de Marketing e Propaganda até o momento. A reunião seria feita na sala da presidência e quando Clara saiu do elevador no 25º andar se deparou com uma cena um tanto quanto inadequada. Eduardo estava encostado na mesa de Michelle, secretária de Jeferson, ele estava de braços cruzados, falando bem próximo ao ouvido dela, que por sua vez, parecia estar prestes a arrancar a roupa ali mesmo e pular no pescoço de Eduardo. Clara estava prestes a fazer um comentário sobre a cena com a loira de cabelo na altura dos ombros e um vestido verde musgo extremamente decotado que chegou de elevador com ela, quando esta saiu do elevador gritando: - Eduardo meu amor, o que faz aqui... com essazinha – falou com desprezo - Devia ter esperado por mim dentro da presidência – ela o puxou pelo braço, levando-o para longe de Michelle. - Talvez ele tenha preferido ficar aqui conversando comigo – disse Michelle o puxando de volta. Nesse momento, Eduardo viu Clara parada no meio do caminho entre o elevador e a sala da presidência observando a cena. Ele ficou desconcertado por um segundo apenas, quando se desvencilhou de Michelle e se colocou fora do alcance das duas, dizendo com um tom de voz rouco que fizera até os pelos de Clara se arrepiar: - Calma meninas, tem Eduardo para todas. E Cintia, eu não sou seu amor. Acho que podemos entrar e começar logo a reunião, já que estão todos aqui. O que acha Clara? Ele pronunciou o nome dela de forma sedutora, como se as letras dançassem na língua dele. “Comigo não garanhão”, Clara pensou antes de responder da forma mais fria possível: - Concordo plenamente Eduardo, afinal temos muito trabalho a fazer – e passou direto ignorando o braço que ele lhe oferecia. Alguns minutos depois, quando Jeferson informou que seu setor seria subordinado ao de Clara e que ela não seria mais a chefe do setor, Cintia. Clara entao percebeu com um pouco de prazer, estava se segurando para não avançar no pescoço dela. Seu rosto foi ficando vermelho, a respiração ofegante e ela saiu da sala fuzilando Clara com o olhar. - Bom, acho que por hoje é só, eu e Marcos vamos ao andar debaixo para ver como estão a transferência dos equipamentos e você e Eduardo podiam ver como andam a propaganda do anúncio que vamos fazer sobre a fusão da empresa – Jeferson disse já saindo - Até mais tarde vocês dois. Antes que eles pudessem responder, Jeferson, Marcos e Gardenia saíram do escritório, deixando uma Clara desconfortável e um Eduardo contente pela oportunidade de ficar sozinho com ela. Antes que ele pudesse fazer qualquer comentário, Clara disse: - Namorada interessante a sua. - Quem, a Cintia? Ou a Michelle? - Me diga você, ou você não sabe qual delas é sua namorada. Ele demorou um pouco para responder, enquanto passavam pela mesa de Michelle. Clara observou quando ele piscou o olho para ela e depois respondeu: - Nenhuma delas é minha namorada. - Elas sabem disso? – Clara deu uma risadinha - Qual é Clara, você acha que eu sou cara de namorar? - É, acho que não, parece que você não mudou nada. - Nisso tenho que discordar de você, se quiser eu posso te mostrar um dia desses como eu mudei – ele colocou uma mão no bolso, e passou a outra mão do cabelo. “Ele sabe como ser charmoso, esse b***a, mas eu também sei”. - Eu dispenso – ela respondeu com desprezo vendo como ele olhava a b***a dela disfarçadamente. Hoje ela vestia uma saia lápis cinza, saltos altos, e uma blusa de manga preta. O clima do mês de junho era tão agradável em Sao Paulo que ela não podia perder a oportunidade de colocar uma roupa fresca. Ela não podia fazer nada se essas roupas também marcavam suas curvas. “Dois podem jogar esse jogo, Eduardo” – Vamos, hora de enfrentar a Cintia de novo e ver como está ficando essa propaganda. – a porta do elevador se abriu e ela sentiu o olhar de Eduardo no corpo dela enquanto caminhava rebolando. “Finalmente sexta a noite”, Eduardo pensou enquanto estacionava seu carro na frente da boate onde ia encontrar seu amigo Daniel. Essa história de fusão de empresas estava dando um trabalhão, ainda mais que precisava andar para cima e para baixo ao lado daquela morena cheia de curvas que parecia ser imune ao poder de sedução dele. Mas essa noite ele não ia pensar nela, queria achar uma gata qualquer, se enterrar nela até cansar, e depois é claro, ir embora. Ele colocou uma calça preta e uma blusa de manga comprida também preta. Cabelo bagunçado e barba perfeita, nenhuma mulher resistiria. Logo encontrou Daniel bebendo um wisky no bar. Ele estava conversando com uma ruiva que me olhou de forma assanhada quando eu me aproximei. - E aí futuro presidente! Achei que não teria piquei pra sair hoje. Nunca vi você trabalhar tanto como nessa semana! – gritou Daniel no meu ouvido por conta da música alta. - Eu não deixaria de sair por nada hoje – Eduardo respondeu enquanto pedia uma bebida, em seguida abaixou o tom de voz – Eu preciso urgentemente de um pouco de álcool nas veias e uma buc*** gostosa pra me distrair. - Falando em buc*** gostosa, vejo três espécimes bastante promissores bem na minha frente. Eduardo olhou na direção que o amigo apontava e deu de cara com três mulheres dançando com uma garrafa de cerveja nas mãos, Monica, Clara e Camila. Todas eram muito bonitas, mas ele só tinha olhos para uma. Clara estava com um vestido tubinho preto, sandálias de salto alto e segurava seu cabelo maravilhoso para cima enquanto rebolava ao som de uma música eletrônica. Ele deve ter encarado demais porque Camila falou algo no ouvido de Clara que se virou e o olhou direto nos olhos. - Boa noite senhoritas! – ele gritou ao se aproximar delas – Não esperava encontrá-las aqui. Foi Camila quem respondeu: - Resolvemos sair pra dançar antes de voltarmos pra Portugal. - Vai voltar pra Portugal nesse fim de semana, Clara? – ele aproximou a boca do ouvido dela e o cheiro do seu perfume invadiu as narinas dele – Por que não me falou? - Não me pareceu importante – ela respondeu tentando soar indiferente, mas Eduardo notou que ela ficou arrepiada com a proximidade da boca dele. “Então você não é tão indiferente assim, senhora durona”, ele pensou. – Como não, somos os futuros presidente e vice-presidente de uma grande empresa! - Presidente e vice-presidente, não marido e mulher, não tenho que te dar satisfação Eduardo! - Quem sabe um dia não seremos? – ele disse chegando ainda mais perto, e colocando a mão na base das suas costas. Caramba, só com aquele toque inocente e ele já estava duro feito pedra. Ela deu uma gargalhada com o comentário dele, “Vai sonhando”, ela disse e continuou dançando. - Eduardo, você não tem nenhum r**o de saia pra correr atrás não? – ela perguntou alguns segundos depois - Nenhum cara vai chegar perto de nós com você aí feito um guarda – - Talvez o cara que você está esperando chegar, ja chegou – ele encostou a boca no ouvido dela dessa vez e percebeu que ela ficou realmente afetada com a proximidade dele. Sua voz falhou quando respondeu: - Sai fora Eduardo , não vou ser mais uma na sua lista! Até mais, vamos meninas! Ethan voltou para junto de Daniel enquanto elas se afastavam. O amigo estava rindo dele. - Essa aí vai te dar trabalho! - É só questão de tempo! – ele olhou ao redor e viu uma morena gostosa bebendo sozinha na outra ponta do bar - Mas enquanto isso, sozinho é que eu não vou ficar – Ele andou na direção da morena sentindo o volume no meio das pernas o incomodar, precisava se aliviar daquele t***o que sentia por Clara, e se não podia ser com ela, que fosse com outra. Mas como ele disse ao amigo, era só questão de tempo.
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