Capítulo 9

1680 Palavras
Clara andou alguns metros para se afastar de Eduardo, enquanto procurava um táxi. Precisava ficar longe dele. Com álcool nas veias e Eduardo por perto ela não conseguia pensar direito. Estava frio, e ela estava queimando, ela não sabia se era isso ou se era a bebida, mas sentiu uma tontura e teria caído se alguém não a tivesse segurado. - Vem, Clara eu vou te levar pra casa – era Eduardo. - Não, eu vou de táxi! - Deixa de ser teimosa, não tem táxi por perto e você teria caído se eu não estivesse aqui pra te segurar. Anda logo. Ele a arrastou para o estacionamento ao lado da boate e Clara não resistiu. Ela chegou a pensar que ele tivesse ficado com raiva dela, mas quando entraram dentro do carro dele, ele estava com aquele mesmo sorriso zombeteiro nos lábios e aquele olhar sedutor. - Então, onde é seu apartamento? A não ser que você queira ir para o meu. - Não, bebi mas ainda não perdi o juízo. Eu moro perto do ibirapuera, vai dirigindo que eu te guio. - Você fala como se eu fosse um delinquente – ele pareceu um pouco ofendido – Você me conhece a anos, posso ter sido um i****a com você na nossa adolescência mas você sabe que eu nunca faria m*l a você. Ela suspirou. - Desculpa, não foi isso que quis dizer. É que você não é o tipo de homem com o qual eu quero ter alguma coisa. Ainda mais tendo a relação profissional que temos e nossas famílias tendo o vínculo que têm. - Eu sei separar bem as coisas – ele respondeu – Vida profissional e vida pessoal não precisam se misturar e nossas famílias não precisam saber de detalhes. - Aham... vai me dizer que nunca comeu sua secretária, a Michelle, na sua sala? - Comer não, mas uns amassos... - Argh, Eduardo! está vendo! Por isso não quero nada com você! - O que foi que eu disse de errado? Fui sincero. - Você pode ser o cara mais gostoso do mundo, a gente pode sentir uma atração enorme um pelo outro, mas você faz sexo como se fosse esporte, e coleciona buce*** como um colecionador de selos. Eu simplesmente não vou ser mais um troféu para você pendurar na parede. - Ah, então você sente atração por mim é? – ele sorriu triunfante. “Eu e minha boca grande”, Clara pensou antes de prosseguir irritada: - Será que essa foi a única parte do que eu falei que você registrou? - Ok! Eu ouvi o que você disse. Não tem nada de errado em não querer relacionamento sério, namoro, noivado... - Claro que não, eu não me relaciono sério com ninguém já faz um tempo, mas não transo com um cara por dia, não tenho um lema de não f***r com o mesmo cara duas vezes e não fui pra cama com a metade, ou mais da metade, dos homens da empresa que trabalho. A impressão que dá é que as mulheres são apenas um objeto pra você. - Eu não trato as mulheres como objeto – foi a única coisa que ele respondeu alguns minutos depois. Ou Clara estava realmente bêbada, ou Eduardo estava considerando o que ela disse. Quando eles chegaram na frente do prédio de Clara, ela deu graças aos céus. Aquela noite, definitivamente, não havia terminado como ela esperava. - Eduardo, obrigada por me trazer. - Não vai me convidar para entrar? Ele tinha um olhar sedutor, um tom de voz rouco que fez os pelos dela se arrepiarem e um sorrisinho nos lábios. “Ah, essa boca”, ela pensou. - Melhor não Eduardo. - Tem certeza? – ele se aproximou, estava ficando perto demais, de novo. - Absoluta – ela deu um beijo na bochecha dele – Boa noite – e saiu do carro sentindo o ar frio da noite. Aquilo pareceu clarear as ideias dela. Clara caminhou decidida até a portaria do prédio sem olhar para trás. Eduardo dirigiu devagar para casa pensando no que acontecera na última hora, começando pela raiva que sentira quando vira Clara beijando aquele loiro, depois do maravilhoso beijo na boate, até o momento que a deixou na sua casa. Quando se lembrou da sensação dos lábios dela nos dele, das mãos dela o apertando com força, do cheiro dela, o volume dentro das suas calças dobrou de tamanho instantaneamente. - Droga! Eu preciso beijar a Clara de novo – ele disse em voz alta quando parou o carro na garagem do prédio que morava. Quando entrou no seu apartamento escuro, decidiu que precisava de um banho gelado. Seu p*u latejava dentro das calças e ele pensou com raiva quando fora a última vez que saíra para uma danceteria e não tinha terminado a noite comendo uma mulher qualquer. Debaixo do chuveiro ele começou a se lavar, mas ainda não conseguia tirar aquela morena teimosa e muito gostosa da cabeça. Sem perceber, levou a mão para baixo e começou a se tocar. - Não acredito que vou fazer isso – ele grunhiu enquanto movimentava a mão mais rápido. Começou a imaginar a mão de Clara o masturbando e soltou um gemido entredentes. Ele não era homem de se aliviar sozinho no chuveiro, afinal, mulheres nunca lhe faltou. E naquele momento ele prometeu a si mesmo que ainda teria Clara embaixo dele, numa cama, gemendo seu nome, enquanto ele a comia desesperadamente. Clara acordou na manhã seguinte sentindo um gosto terrível na boca. Abriu os olhos com dificuldade e fez força para se lembrar do motivo de estar assim, então ela se lembrou da noite passada. - Ah, não – ela gemeu com a voz grossa, enquanto as lembranças a invadiram de uma vez só. Por último, ela se lembrou do que fez quando deitou na sua cama para tentar dormir. “Não acredito que me masturbei pensando naquele i****a”, ela pensou, “Um i****a muito gostoso por sinal”, sua mente completou o pensamento sem sua permissão. Quando Clara ficava sem sexo por algum tempo, costumava se masturbar depois de ler um conto erótico, ou ler um livro de romance adulto, mas nunca tinha se masturbado pensando em alguém especificamente, e agora, tinha feito isso pensando em Eduardo, logo nele. “Por que eu fui deixar aquilo acontecer ontem? Por quê?”. Agora ela tinha dois problemas. Um, Ethan não iria deixá-la em paz, e dois, ela ia ter um grande dificuldade para não lembrar da sensação dos lábios dele nos seus quando o visse de novo. Já que ela não tinha muito o que fazer, resolveu se levantar e tentar fazer alguma coisa daquele sábado, que já começou há tempos por sinal. Já era quase meio dia. Quando saiu do seu quarto, viu Milena jogada no sofá e escutou o barulho de Camila na cozinha. - Bom dia – ela disse sentando ao lado da amiga. - Bom dia bela adormecida. O que aconteceu ontem? - A Monica não deu meu recado? - Deu sim, mas achei estranho, você não estava tão bêbada. - Não estava, mas também não estava me sentindo muito bem – Clar decidiu mudar de assunto – Te vi conversando com o Mateus, e aí, o que achou dele? - Amiga, eu só conversei com ele porque ele me disse que você falou pra ele vir até nós. Pelo amor de Deus, você falou isso mesmo não foi? Não sou amiga fura olho não, você sabe disso. - Relaxa, Milena, eu falei mesmo. Eu não sei porque o beijei, acho que foi o álcool, e quando resolvi ir embora, falei pra ele ir até você, já que você o viu primeiro. E aí, rolou uns amassos ou não? - Ah amiga... – ela suspirou – E como rolou – ela deu uma gargalhada – Você tem certeza que está tudo bem, não está? - Claro que está – foi Camila que respondeu entrando na sala e se jogando no sofá ao lado de Clara – Eu tenho certeza que nossa amiga fisgou um peixe muito maior não foi? Camila não deixava escapar nada, olhava Clara com aquele olhar que dizia “Desembucha logo”! - Não sei do que você está falando Camila. - Claro que sabe. Você e o Eduardo sumiram e foram embora no mesmo horário. - Ah é? – Clara tentou se fazer de desentendida – Coincidência. - Que coincidência nada, conta logo! Clara suspirou e se deu por vencida. Acabou contando tudo que aconteceu para as amigas, e se ela estava achando que seria recriminada estava muito enganada. - Aleluia Clara, se fosse eu no seu lugar já tinha cedido há muito tempo! – Camila exclamou – Se fosse eu tinha ido para o apartamento dele quando ele a convidou! - Espera aí – Milena disse – Já estava rolando algo entre vocês antes e eu não sabia? Me conta isso aí. - Não estava acontecendo nada. - Nada mesmo, só aqueles olhares de molhar calcinha que ele direciona pra você desde que viemos para Sao Paulo, sem contar aquele beijo perto da boca que eu vi lá na boate quando chegamos. - Camila, sabemos a fama que o Eduardo tem, ele faz isso com todas que quer comer. Saber que ele quer fazer o mesmo comigo não é um privilégio já que ele já comeu boa parte de São Paulo. - Pode até ser amiga – Milena disse - Mas pelo que as meninas da recepção lá da empresa dizem, ele não parece ser o tipo de homem que fica muito tempo investindo em uma mesma mulher não. Se a mulher não quer, ele já parte para a próxima vítima. - Quer saber? Não quero falar mais disso! Vamos logo arrumar alguma coisa pra comer e arrumar essa casa que por sinal está uma bagunça. Clara viu os olhares cúmplices que as amigas trocaram, só queria esquecer daquilo, o que já não seria fácil sem as duas sorrindo para ela daquele jeito.
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