Yoongi saiu mais cedo.
A sexta-feira era sempre o dia mais corrido, e quando Jeongguk acordou ele não estava mais lá. Não era como se necessitasse estar acordado quando seu cliente saísse, mas o Jeon sabia que era o melhor quando o cliente em questão era Yoongi, o Min precisava de um abraço para passar aquele dia, precisava ter a atenção e o aconchego de alguém para se sentir confortável.
Quase 10 horas quando o Jeon acordou, ficou perambulando pela casa e beliscando algo na cozinha enquanto esperava o retorno do Min, ainda se perguntando se ele almoçaria novamente no trabalho. Yoongi tinha dinheiro o suficiente para que fizessem sua comida e ele não aparecesse para comer, e a cozinheira da casa havia lhe dito que nada ali era jogado fora, pois sempre que Yoongi não aparecia, ela levava para casa e distribuía entre as famílias mais carentes de seu bairro.
Jeongguk queria entender mais de seu cliente, Yoongi era tão singular, tão frio e ao mesmo tempo tão carente, seus olhos e atos clamavam por amor e atenção, ao mesmo tempo que sentia medo de se aproximar mais. Yoongi era confuso, e ao mesmo tempo tão simples de se entender. Céus! Jeongguk queria fazer algo por ele, por mais que não fosse sua obrigação resolver os problemas pessoais de seus clientes.
Só queria entender.
Na maioria das vezes era só sexo, pessoas ricas pagavam para ter seu corpo e nada mais, enquanto gemia enlouquecidamente o nome de outra pessoa. Todavia, Yoongi pagava por seu amor, o calor que ele queria não era o calor de dois corpos nus sobre uma cama, e sim o calor de um abraço carinhoso, de um afago nos cabelos. Min Yoongi estava procurando em Jeongguk aquilo que nunca teve coragem de procurar em um homem que não fosse obrigado a guardar segredos.
Jeongguk era seu maior segredo.
O rapaz se jogou sobre o sofá pegando seu celular, da mesma forma que seus clientes recebiam seu número de telefone, ele também recebia o número de seus clientes, e não pensou duas vezes antes de mandar uma mensagem para o Min.
[...]
Yoongi estava no meio de uma reunião importante quando seu celular vibrou sobre a mesa, Mr. Rabbit brilhava na tela, com aquela mesma foto sorridente que avistara no site. Rapidamente o pegou antes que qualquer pessoa pudesse ver, abriu a mensagem que dizia “Estou sentindo sua falta”. Sorriu involuntariamente, Luhyun costumava mandar mensagens como aquela sempre que estava viajando, porém jamais sorriu para a tela como estava sorrindo agora.
— Está de acordo, Sr. Min?
Demorou até notar que seu nome se repetia pela sala, havia se distraído demais com aquela simples mensagem. Um de seus funcionários apresentava um projeto de suma importância, e por desatenção Yoongi perdera a parte final da explicação.
— Ah, claro, está ótimo.
Viu um sorriso se formar no rosto do rapaz, que até então parecia muito nervoso, era um sorriso muito bonito, porém não se comparava ao sorrido do Jeon. Depois disto ignorou todos ali presentes e foi o primeiro a deixar a sala de reuniões, carregando consigo apenas seu celular e uma vontade imensa de visualizar as mensagens que não paravam de chegar.
Aqui fica muito chato sem você (rostinho triste)
[11:32]
Vai vir para o almoço?
[11:32]
Yoongi, não gosto de ficar longe de você.
[11:33]
Ainda vai demorar muito?
[11:33]
Eu te amo. (coração vermelho)
[11:36]
Era de longe seu sorriso mais bobo, e estando ali escondido em seu escritório, Yoongi não se sentia culpado por sorrir diante das mensagens de um homem. Estando ali escondido das outras pessoas, Yoongi não sentia nojo de si mesmo por estar ansioso para ir pra casa abraçar um homem. Estando ali escondido dos olhares acusadores, Yoongi não se sentia um depravado por seu coração estar batendo acelerado só de imaginar o sorriso de outro homem.
Me desculpe, meu amor, estarei em cada apenas para o jantar, me espere.
[11:42]
Mr.Rabbit enviou uma foto.
E ele estava sorrindo.
[...]
Yoongi demorou para chegar.
E quando chegou já era tarde da noite, esperava encontrar Jeongguk dormindo tranquilo na cama, todavia teve uma grande surpresa ao encontrar o rapaz deitado no sofá, encolhido pelo frio, ainda o esperando. Seu coração estaria partido se isso não o tivesse deixado tão comovido, comovido de um jeito bom, a espera do Jeon o fizera criar uma pequena esperança de haver ali um sentimento verdadeiro.
Mal sabia ele que aquela falsa fé poderia significar uma provável paixão crescendo em seu peito.
Tirou seus sapatos, e sorrateiramente, sem fazer nenhum barulho, se deitou ao lado do Jeon, se aninhando aos braços ao rapaz e se aquecendo com o calor do mesmo. Iria acorda-lo, mas somente depois que curtisse aquele momento de extrema paz. Por aqueles dois segundos Yoongi apenas aspirou o cheiro bom do mais novo, e se aconchegou ao seu peito buscando sua proteção. Era uma sensação tão mágica, como se não houvesse mais problemas no mundo, naquele momento era apenas o Jeon e ele.
Até mesmo dormindo Jeongguk o fazia se sentir seguro.
— Por que eu me sinto assim com você? — sussurrou rente ao peito do Jeon — Um minuto com você me traz a felicidade que não senti a minha vida inteira.
Para ser sincero Yoongi já sabia a resposta daquela pergunta, mas era covarde demais para aceitar essa resposta, pedia para que houvesse outra explicação, uma solução, uma saída, para que quando acordasse sentisse nojo daquele homem, todavia, tudo o que sentia por ele era desejo.
Um desejo tão errado.
— Meu amor... — ouviu quando o Jeon sussurrou — Você finalmente chegou.
— Deveria estar dormindo na cama, aqui está frio. — levantou seu rosto procurando pelo do rapaz, que ainda mantinha seus olhos fechados.
Jeongguk abriu seus olhos, apertou Yoongi contra seu corpo.
— Você me disse para te esperar.
Aquilo doeu em seu coração, deveria ter imaginado que Jeongguk seguiria sua ordem ao pé da letra, deveria ter imaginado que não conseguiria chegar cedo, deveria pensar melhor antes de dar qualquer ordem, Jeongguk era pago para obedecer e não para questionar.
Idiotice sua pedir para que ele o esperasse.
Crueldade também.
— Jeongguk, você comeu algo?
— Me disse para espera-lo para o jantar, e eu obedeci.
Mas que droga! Se sentia péssimo por ter dito algo assim, por fazer isso com ele. Que merda! Não fazia ideia de como esses contratos funcionavam, e nem de que todas as ordens eram seguidas à risca, tudo ao pé da letra. Se tivesse pedido para que o rapaz o esperasse de pé até ele chegar, era capaz dessa ordem também ser obedecida.
— Mas você poderia ter comido algo, não precisa seguir as minhas ordens como se sua vida dependesse disso. — Yoongi estava exaltado, levantou-se do sofá rapidamente puxando o rapaz para que levantasse também — Vamos, você precisa comer, céus Jeongguk, você deve estar morrendo de fome!
Yoongi segurava o rapaz pelo pulso enquanto o puxava para a cozinha, só o soltou quando o mesmo ocupou uma das cadeiras da pequena mesa que ficava na cozinha, era ali onde os funcionários da casa faziam suas refeições, e era bem mais aconchegante do que a enorme mesa de vidro da sala de jantar.
O mais novo ficou calado enquanto observava Yoongi servir vários pratos para ele, tudo o que havia sido deixado pronto para o jantar de ambos. O menor colocou uma das vasilhas no micro-ondas, e só enquanto parou para observar o Jeon, ainda calado em seu canto.
— Isso foi muita irresponsabilidade sua! — Yoongi não saberia dizer se aquela bronca era para Jeongguk ou para ele mesmo — E se eu te pedisse para passar a tarde inteira trancado no banheiro, você me obedeceria?
Se sentiu ainda pior ao ver o rapaz menear a cabeça afirmando.
Que tipo de serviços eram esses? Ou melhor, que tipo de cliente pediria algo tão absurdo assim? E por alguns instantes Yoongi imaginou o número extenso de pessoas com quem Jeongguk esteve, e os absurdos que essas pessoas o obrigaram a fazer. E se tivesse o machucado? Alguém o bateu? O feriu de forma bruta? Quando olhava para Jeongguk tudo o que conseguia ver era um rapaz doce que merecia ter o mundo aos seus pés.
Isso não era vida para alguém ter.
— Coma tudo. — o Min retirou o prato principal do micro-ondas e o colocou diante do rapaz — Ou melhor, coma o quanto quiser comer.
Jeongguk não disse nada, apenas começou a comer, seu estômago já doía de tanta fome que sentia. E Yoongi ficou ali apenas o admirando e esperando por ele, detestava comer sozinho, e imaginava que ele poderia ser da mesma maneira, afinal, ninguém merecia a solidão. Depois que o rapaz terminou, sorriu para ele.
— Bom garoto. — Yoongi afagou os cabelos do Jeon — Vamos pra cama.
Dessa vez fora Jeongguk o responsável por entrelaçar seus dedos aos de Yoongi e ir na frente o puxando. Eles praticamente correram pelas escadas até chegar no quarto. Yoongi não conseguia entender o porquê do rapaz estar rindo enquanto o apressava para o quarto, só sabia que queria rir também.
E no fechar daquela porta Jeongguk o abraçou pelas costas, Yoongi se arrepiou assim que sentiu o nariz do mesmo roçar por toda a extensão do seu pescoço, aquele toque o fazia se sentir mais quente. O calor do Jeon ao redor de seu corpo era inebriante, e aquela voz em seu ouvido o fazia ter os pensamentos mais impuros de sua vida.
— Eu senti tanto a sua falta. — aquele sussurro — Ficar aqui sem você é uma tortura.
As mãos grandes do Jeon abriam os botões de sua camisa, Yoongi queria para-lo, mas ao mesmo tempo não queria, queria ficar ali com ele, pra sempre sentir aqueles braços ao redor de seu corpo. Deixou, deixou ele tirar sua camisa, e não o parou mesmo quando se sentiu sendo levado até a cama.
Ele o jogou ali.
Agora Yoongi se via por baixo daquele rapaz, seu corpo gostou de estar por baixo, não o impediu quando o mesmo tirou seu cinto, e nem quando desceu o zíper de sua calça. Mas quando o sentiu tocando no cós Yoongi pôs sua mão por cima da dele.
— Pare. — segurou seu pulso — Não quero ser tocado dessa forma.
Jeongguk soltou sua mão e a dirigiu até os cabelos do Min, sorriu para ele da forma mais simples e calorosa.
— Meus limites são os seus limites.
Yoongi se sentiu mais calmo e deixou que o rapaz tirasse sua calça. Jeongguk sentou-se na cama ao lado de Yoongi, e por alguns segundos apenas o silêncio existiu ali. O Min se sentia envergonhado por estar apenas com uma única peça intima diante do mais alto, enquanto Jeongguk observava suas coxas brancas pelo canto de olho. Yoongi demoraria até descobrir que tinha o corpo certo para atrair qualquer homem.
O Min virou-se para o rapaz, e mesmo receoso segurou a barra da camisa do mesmo e a levantou, Jeongguk levantou seus braços permitindo que Yoongi tirasse sua camisa.
— Tire os seus shorts.
Jeongguk ficou de pé e o obedeceu. Ficou parado diante do Min por alguns segundos, dando a chance para que Yoongi admirasse seu corpo por inteiro, desde seu peito definido às suas coxas malhadas. O corpo do Jeon era totalmente perfeito.
Nunca estivera de forma tão íntima ao lado de um homem, ambos apenas com uma única peça de roupa. Yoongi se sentia um homem sujo por se sentir tão quente estando naquela situação.
— Hoje está quente. — o mais velho finalmente falou — Vamos dormir assim.
Jeongguk não conseguiu segurar seu pequeno sorriso, não queria demonstrar nada ao ouvir aquilo, mas não conseguia deixar de ficar feliz por Yoongi, aquele era um possível passo na sua quebra de preconceito próprio, se permitindo estar de forma mais intima na mesma cama com um homem.
— Você se sente confortável assim, Yoongi? — perguntou, não deixaria de se importar com o conforto de seu cliente, e nem queria que Yoongi se arrependesse depois e o expulsasse do quarto em algum surto.
Engraçado pensar nisso, pra falar a verdade Jeongguk sentia que parte de Yoongi queria expulsa-lo dali e o mandar para o quinto dos infernos, enquanto a outra parte queria f***r loucamente a noite inteira.
— Não. — confessou — Mas eu quero.
Jeongguk o compreendia, talvez não da forma exata, mas mesmo assim o entendia. Yoongi queria liberdade, e estava começando a lutar por ela.
Yoongi sentiu-se no centro da cama e bateu contra o colchão duas vezes até que Jeongguk entendesse que deveria sentar ali. O mais novo sentou-se onde havia sido indicado, bem de frente para o Min, que apenas ficou em silêncio olhando para suas pernas por alguns instantes. Droga, Yoongi queria falar algo! Mas não conseguia, estava travado diante do passo que queria dar. Não tinha mais pernas para isso.
E se pulasse e caísse no abismo?
Quem o tiraria de lá?
— Jeongguk. — o encarou — Eu quero beijar você, mas eu não consigo.
Dizer aquilo já havia sido um grande esforço, era o fim de suas forças, sentia que dali não passaria, não era forte o suficiente para lidar consigo mesmo, vencer a si mesmo.
— Feche os olhos, Yoongi.
— Mas e se...
— Paramos quando você quiser parar.
Concordou com a cabeça, em sua última gota de coragem. Fechou seus olhos e levantou sua cabeça. Estava apreensivo e ansioso, preso em um clichê adolescente onde centenas de borboletas sacudiam seu estômago. Desmaiaria se Jeongguk demorasse mais.
Desmaiaria se visse o sorriso que havia no rosto do Jeon antes do mesmo colar seus lábios aos dele.
Era macio e quente, e por dois segundos o Min criou coragem novamente para entreabrir seus lábios e deixar que o Jeon se aprofundasse. Não se arrependeria jamais. Sentiu a língua de um homem dentro de sua boca e viu que era bom, era muito bom, diferente de qualquer outra boca que já havia provado.
Diferente da dela.
Jeongguk não beijava como ela.
O beijo de Jeongguk carregava um sentimento diferente, um sentimento jamais sentido, era cuidado, era lento, era apaixonante, e tinha um gosto bom. Não tina gosto de repulsa, e beija-lo não necessitava de esforço nenhum, Yoongi fazia aquilo por querer próprio.
E isso era bom.
— Jeongguk, eu gosto de beijar você.