Capítulo 6

1556 Palavras
— Não gosto de falar sobre isso, Olívia... — Edward virou o rosto para o lado, visivelmente incomodado com a pergunta de sua vizinha. — Eu só queria entender você Edward, mas tudo bem se não quiser me contar. É um direito seu e eu sei respeitar isso. — Lily argumentou mordendo o lábio, pois tinha ficado ainda mais curiosa diante de tanto mistério. — Está bem, então irei te explicar. — ele voltou a olha-la, respirando profundamente antes de prosseguir — Eu tinha uma família completa quando eu era criança. Pai, mãe e meu irmão mais novo. Meu pai idolatrava minha mãe, era atencioso, fazia tudo por ela, tão apaixonado. Eles pareciam um casal perfeito, eu não conseguia ver um defeito neles. Naquela época eu acreditava que o amor existia — sorriu triste — Até que um dia eles discutiram feio durante toda a madrugada. Estava chovendo muito e as trovoadas não ajudaram eu e meu irmão a entender o que estava acontecendo, não até aquele momento. Então aquela mulher fez sua mala, m*l nos olhou e saiu pela porta da nossa casa. Ela nem se despediu da gente, ela simplesmente abriu a porta e saiu. E nunca, nunca mais voltou. — completou com a voz embargada. — Para onde ela foi? — Lily perguntou engolindo em seco.— Você sabe o que houve naquela noite? — Sim, ela fugiu para viver a vida que sempre quis com seu amante, deixando o marido e os filhos pequenos sozinhos, sem amparo algum. Ela nunca ligou, nem mesmo mandou uma carta ou um cartão-postal. Você não tem ideia do quanto isso foi doloroso pra mim, mas no final foi bom porque eu pude entender que amor entre homem e mulher é balela, não existe de verdade, é uma grande farsa. — disse com lágrimas nos olhos. — Sinto muito, Edward. Sinto muito mesmo pelo pequeno Edward ter sofrido tanto — Lily disse se sensibilizando com a história dele — Cada um tem sua história e a minha mãe também tem seus pesares. Minha família sempre foi perfeita e cheia de amor, até o dia em que meu irmão se assumiu homossexual e foi expulso de casa pelos meus pais. Mesmo assim, eu ainda acredito no amor porque o casamento dos meus pais mesmo com os problemas é cheio de parceria e carinho. Mas lamento por você não acreditar pois deve ser muito triste viver sem acreditar em algo tão lindo como o amor verdadeiro. E sabe... Não é porque sua mãe traiu seu pai que todas as mulheres do mundo farão isso, muito pelo contrário. Ela é mais excessão do que maioria. — Sinto pelo seu irmão também, você deve ter sofrido bastante por ele. Mas não adianta, não acho que consigo mais acreditar nessas coisas. — ambos se entreolharam. — Bem, é melhor eu ir Olívia. — Smith avisou pegando as cervejas novamente. — Está bem... Adeus, Edward. — a morena despediu-se acenando para o médico e o vendo ir embora de seu apê. ~*~ — Trabalhar como garçonete em uma casa noturna? Mas nem por cima do meu cadáver! — Alec avisou a esposa assim que terminara seu almoço, onde a mesma revelara a ele seus novos planos de trabalho. — Por quê não querido? — Sophie questionou incomodada. — Eu sempre te sustentei e nunca deixei te faltar nada. Nem para você, nem para a nossa filha. Você sabe disso — o moreno a alertou tomando um gole de seu suco. — Eu sei disso, mas não importa. Não no meu caso, Alec. Eu não estou querendo trabalhar porque você não coloca comida na mesa. Quero a minha independência, uma atividade para ocupar meu tempo livre nesta casa que diga-se de passagem é bem extenso, até mais do que eu gostaria. — o lembrou fechando a cara. — Não vou deixar você andar por aí no meio de uma boate cheia de homens tarados, mas não vou mesmo! — ele insistiu ficando mais nervoso ainda. — Você não tem que deixar nada, essa decisão é única e exclusivamente minha Alec! Eu só estou te informando a minha decisão — Sophie deixou claro em voz alta quando a filha entrou na casa. — Papai, mamãe!! — Lana exclamou jogando a mochila no chão e correndo até ambos. — Oi meu amor. — Sophie sorriu nervosa. — Está tudo bem? — a criança perguntou notando que o clima entre os pais estava estranho. — Claro que está querida — Sophie disfarçou — Como foi sua aula? — indagou deixando a menina sentar em seu colo e mudando de assunto, pois não queria que ela visse que Alec e ela estavam em conflito. ~*~ — Poxa mano, você perdeu a cena da cruzada de pernas. — Nathan falou para o irmão assim que Edward voltou para casa. — Tudo bem, depois eu reassisto a cena pela milézima vez. — o ruivo disse esticando a mão para o irmão e lhe entregando uma cerveja. — Ei, que desânimo é esse? — o moreno questionou franzindo o cenho. — Você saiu feliz e voltou com essa cara? O que aconteceu? — Conversei com a Olívia e acabei contando tudo sobre aquela mulher. — explicou abrindo a geladeira e guardando as outras cervejas dentro dela. — Você sabe, lembrar dela sempre me faz m*l. — A mim também. — o jovem médico pausou o filme. — Não gosto de falar desse assunto, só falei disso com a Charlotte uma única vez e só porque ela insistiu demais para saber porque eu não tinha mãe. — Também não gosto, irmão. — Edward concordou sentando-se no sofá. — Minha vida s****l era ótima, por quê a Olívia tinha que aparecer para estragar tudo? Porque eu estou pensando tanto nela, cara? Eu não acredito nessa coisa de romance, então porque fico pensando o tempo todo justamente naquela garota romântica e cheia de frescuras? — Não sei, irmão. — Nathan colocou a mão no ombro dele. — Pior que conversar com ela me fez perceber o quão vazia é a vida que eu levo, que t*****r com uma garota diferente todo dia só para não me apegar e machucar meu coração não me satisfaz tanto quanto imaginava, nem me deixa feliz. Você sabe o que é ser feliz, Nate? — Acho que não sei também, estou na mesma situação que você, mano. — Nathan retrucou dando um sorriso triste e os irmãos se calaram, ficando bastante pensativos. ~*~ — Você está indo para aquele antro da perdição, não é? — Jake perguntou vendo o esposo se arrumar no quarto deles. — Estou indo trabalhar Jake, TRABALHAR! — Ethan gritou a última palavra, já impaciente com seu parceiro. — Como se isso fosse um trabalho de verdade... — Jake murmurou virando-se do outro lado da cama. — Não aguento mais você menosprezando meu trabalho... — Ethan deu um soco na parede. — CHEGA, JAKE! Eu já tive muita paciência com você. É um trabalho sim e muito honesto, eu tenho muito orgulho do que faço, aliás. — Quer saber? Você vai ter que decidir entre mim e seu trabalho, não aceito mais que você trabalhe naquele lugar horroroso. — o fotógrafo se levantou da cama e foi até o amado. — Anda, escolha querido! — o pressionou tendo certeza que seria escolhido. — Você está sendo muito egoísta. — Ethan disse deixando uma lágrima cair de seus olhos. — Mas quer saber? Eu escolho o meu trabalho! Sofremos tanto para ficarmos juntos, mas você nunca deu o valor que eu merecia e já cansei disso. — foi até o guarda-roupa e de cima dele pegou uma mala marrom. — O que você está fazendo? — Jake questionou não entendendo nada. — Indo viver a minha vida. — O loiro respondeu abrindo o armário e pegando algumas de suas roupas e objetos pessoais. — Adeus. — falou guardando tudo na mala, fechando, pegando-a em mãos, saindo do quarto e em seguida do apartamento que dividira por muitos anos com Jake. ~*~ [...] — Edward não é tão sapo quanto eu imaginei. — Lily comentou com Alice entrando no quarto da oncologista — Ele tem motivos para não acreditar no amor e por isso pensa que sexo e prazer são o melhor da vida. — Ah... Mas eu entendo o Edward, afinal, sexo é bom demais, não? — Alice comentou enquanto penteava seus cabelos — Na verdade, é uma delícia. — Deve ser. — Lily sentou na cama dela, dando de ombros. — Deve ser? — a morena a olhou boquiaberta. — Espera, você é virgem? Ainda é virgem? — Sou. — a pediatra assumiu com as bochechas coradas. — Quero perder minha virgindade com alguém a quem eu realmente tenha sentimento, mas isso não significa que eu não pense em sexo. — E no Edward, você pensa? — a instigou. — As vezes, sim. Acho que é normal, não é? Ele não sai do meu pé nos últimos dias — assumiu mordendo o lábio quando a campainha tocou — Quem será? — saiu do quarto da morena, foi até a porta da casa e a abriu. — Ethan? — arregalou os olhos ao se deparar com o irmão mais velho, com uma mala na mão. — Oi Lily... Será que eu posso morar nesta casa contigo?
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