— Só me faltava essa mesmo, um vizinho psicopata e um peladão cafona... — Lily murmurou fazendo uma careta e tirando o binóculo dos olhos, os entregando de volta para a amiga.
— Pelo menos se o peladão fosse bem dotado seria até interessante, mas Joe está mais para um palito de dente do que uma banana, se é que me entende. — Alice zombou pondo o binóculo sob a mesa de centro da sala.
— Eca, Alice!! — Bella deu risada, sentando-se no sofá quando Charlotte entrou em casa.
— Você anda roubando corações hein, dona Lily? Smith está lá na casa dele com cara de cachorro morto, quase subindo pelas paredes porque não está conseguindo te levar para a cama. Não só você, mas nenhuma outra mulher — fofocou entre gargalhadas.
— Não está conseguindo e nem vai, se depender de mim. — a morena avisou dando de ombros — Eu quero distância daquele sapo boi. — as três acabaram dando risada de novo.
— Para Lily, de sapo boi ele não tem nada. Pelo contrário, Edward é bem gatinho, isso sim. — Alice comentou maliciosa.
— Só se for para você porque para mim ele é o cara mais feio do mundo. — Lily mentiu pois mesmo não querendo, achava sim Edward um belo rapaz.
~*~
— Você parece tão frustrada, maninha. — Ethan comentou enquanto almoçava com Sophie em um restaurante perto da casa noturna onde ele trabalhava há anos.
— E estou frustrada mesmo, Ethan. Passo o dia todo trancada arrumando casa, fazendo comida, levando minha filha para a escola. A mesma rotina sempre e sempre. Quando chega à noite, ao invés de ter o meu marido comigo fico sozinha porque ele não sai mais daquele hospital. — a morena desabafou incomodada com o modo que vinha levando sua vida nos últimos anos. — Parece até que ele mora mais naquele hospital do que na nossa casa.
— Você precisa de estímulo irmã, de incentivos para seguir em frente. — ele sugeriu tomando um gole de suco de laranja, seu sabor favorito.
— E onde eu encontrarei isso? — ela questionou pondo uma garfada de comida na boca. — Parece que tudo está cada vez mais sem graça, eu até queria comentar com a Lily, mas deixei para lá porque não queria deixa-la triste. Mas me diga, onde eu poderei encontrar algum estímulo?
— Trabalhando, estudando. — ela arregalou os olhos ao ouvir a sugestão do loiro. — Você precisa sair dessa bolha chata que a sua vida se tornou.
— E quem me daria trabalho? Eu não tenho profissão, só concluí o ensino médio porque a Lily praticamente me forçou, já que quando Alec me pediu em casamento, ele se tornou o centro da minha vida, dos meus sonhos. — contou lembrando de seu doce passado.
— Eu! Posso te arrumar um serviço de garçonete na boate, caso você queira. Mas o salário não é lá essas coisas, mas para um começo acho que está bom. O que você acha?
— Você faria mesmo isso por mim? — ele assentiu com a cabeça. — Maninho, você não existe! — exclamou sorrindo mas logo ficou séria. — Mas tem um porém, Alec jamais deixaria que eu trabalhasse em uma boate, ele costuma ser muito conservador comigo.
— E desde quando ele tem que deixar alguma coisa? — Ethan gargalhou. — Estamos no século vinte e um, Sophie!
— Alec é controlador assim como o Jack, esqueceu disso por acaso? — Sophie disse lembrando o rapaz de que ele também tinha teto de vidro.
— Pior que é verdade. — Ethan fez uma careta. — Céus, aonde fomos nos meter, não é mesmo? — e ambos deram risada juntos.
~*~
Nathan e Edward estavam em casa assistindo DVD na televisão. O filme no caso era o favorito de ambos, Instinto Selvagem, com uma das mulheres que ambos acham mais lindas na vida, Sharon Stone.
— Nossa. — Edward murmurou tomando um gole de sua cerveja.
— Como essa mulher é gata. — Nathan mordeu os lábios.
— Muito mesmo. — o ruivo foi tomar mais um pouco de sua bebida quando notou que a mesma tinha acabado. — Argh... — gruniu levantando do sofá e indo até a geladeira, a fim de pegar mais cervejas. — Droga, acabou a cerveja Nate.
— A minha também. — o moreno revirou os olhos.
— Vou lá na Lottie ver se ela tem mais na geladeira. — Edward avisou indo até a porta.
— Vai perder a cena da cruzada de pernas, cara.
— Quando chegar nessa parte você pausa para mim, ok? — o ginecologista pediu antes de sair do apê e o irmão fez sinal de positivo com a cabeça.
~*~
— As canecas sempre ficam organizadas da cor mais clara até a mais escura e por tamanhos, está vendo? — Alice estava explicando para Lily como funcionava a organização do armário da cozinha.
— Eu estou sim. — a morena fez uma careta — Precisa mesmo ficar tudo tão arrumado assim Ali?
— Sim, quando algo fica fora do lugar me dá uma aflição danada. — a morena explicou fechando a porta do armário quando Edward entrou na casa delas.
— Lottie, você tem cervejas? As nossas acabaram. — o ruivo olhou para os lados vendo que a loira não estava ali.
— Lottie foi trabalhar, Ed. — Alice avisou.
— Ah... Mas e as cervejas? Vocês tem aí?
— Oi para você também. — Lily disse irônica.
— Oi, pensei que não estivesse em casa. — Edward acenou para a jovem.
— Mas estou e gostaria muito que batesse na porta antes de entrar, este é um dos princípios básicos da educação. — Olívia ironizou de novo cruzando os braços.
— Por quê vocês dois não se pegam de uma vez? — Alice revirou os olhos — Tem cervejas na geladeira sim, Edward. Pode pegar a vontade. Vou tomar um banho para ir ao plantão. Ah, não quero nenhuma bagunça na casa, crianças. — brincou saindo da sala e indo até o banheiro.
— Aqui. — Lily abriu a geladeira, pegou algumas cervejas e entregou para o rapaz. — Bebendo há essa hora do dia?
— Sim, quer beber comigo?
— Não. — a morena revirou os olhos — Qual o problema conosco, Edward? Por quê não conseguimos nos sentar e conversar civilizadamente?
— Eu também queria entender isso. — ele colocou uma das cervejas sob a mesa e coçou a cabeça. — As vezes nós parecemos dois adolescentes.
— Pois é, parecemos mesmo e isso é ridículo. — ela virou o rosto para o lado.
— É melhor eu ir. — Edward pegou as cervejas de volta. — Obrigado por elas. — as ergueu para o alto e sorriu.
— Ok, mas antes de você ir embora... Posso te fazer uma pergunta? — Lily questionou mordendo o lábio.
— Pode sim, claro. — confirmou e ela se aproximou dele.
— Edward... Por que você não consegue acreditar na existência do amor?