07 Ruby

1259 Palavras
Caminho pelo corredor, mas algo em mim me dá uma sensação de adrenalina. Sinto vontade de sair correndo pelos corredores, ninguém está vendo. Correr dá uma idéia, uma sensação quase igual de fuga. Estou fugindo, correndo pelos corredores como uma maluca. Estou sorrindo animada, ouvindo o som dos meus próprios passos no chão do corredor. Viro a esquerda e dou mais uma corridinha, até me aproximar um pouco mais da sala de aula e é aí que meu brilho some. Vejo Dean alí sentado em cima da mesa com os pés apoiados no encosto da cadeira ao lado da porta. Ele me olha, e então o mundo ao redor para. Não tipo aqueles filmes de romance que passa na televisão, mas sim por raiva mesmo. Indiferença insaciável. Ele me olha neutro, sem esboçar nenhuma reação. Não sei o que ele pensa, o que ele sente, porque ele não demonstra no olhar dele. Caminho um pouco mais sentindo frio, e o céu parece se fechar agora. Tudo está escuro, nublado como se fosse cair uma tempestade de derrubar casas. Dou mais alguns passos e ele continua me encarando sem dizer uma palavra, e eu não sei o porquê dele estar me encarando. Não tem motivos. — Algum problema? — Questiono séria, com a voz fria. Não me importo, demonstro que não vou com a cara dele sem pudor. Me mantenho em sua frente enquanto ele está sentado em cima da mesa. Dean me encara da cabeça aos pés e continua em silêncio, não diz nada e também não demonstra nenhuma reação. — Fiz uma pergunta. — Falo sem paciência. — Eu ouvi. — Ele fala grave e meu corpo estremece ao ouvir a voz dele. Ele me intimida!? — E-então por que não responde? — Por que está gaguejando? — Dean me encara com desprezo, agora sim esboçou reação, mas essa me desapontou... Eu... Me senti afetada? — O que diabos você está fazendo aqui? Vá ouvir palestra sobre educação s****l, aprenda a usar camisinhas e não voltar grávida para casa. — Vá se f***r! — Esbravejo. Dean me olha surpreso com uma sobrancelha arqueada, o encaro sem entender. — Pelo visto a santinha tímida da turma não tem a boca tão limpinha assim. — Riu irônico. — Por que eu mandei você se f***r? — Questionei irônica sem esperar por uma resposta. — Você fugiu da escola por meses, e quando voltou arrastou um i****a para fazer o que não deve com você. Seu babaca, estragar sua própria vida já não é o bastante? — Esbravejo. Tudo bem, extrapolei um pouco. Dean riu sem humor me fazendo querer voar no pescoço dele e sufocá-lo até a morte. A forma como Killer me tratou minutos atrás, ele nunca havia falado comigo assim antes. Talvez ele estivesse falado brincando, mas o fato é que ele nunca fez esse tipo de brincadeira grosseira comigo. — Por acaso está falando do Killer? — Você levou outro para fugir e ficar chapado com você? — Ironizei. — Por que se importa, está dando para ele? Bufo com a sua fala. — Isso não é da sua conta, mas eu me importo porque ele é meu amigo. Sabia que ele é um ótimo garoto que nunca deu problemas? Se o que aconteceu ontem se repetir, eu acabo com você. Você não pode acabar com a vida dele como a sua já está. — Gritei com ele. Em um movimento tão rápido que nem ao menos pude captar, Dean desceu da mesa e segurou meu pescoço com força me prensando contra a parede. O encaro com dificuldade de deixar os olhos abertos, sentindo as lágrimas escorrer dos olhos enquanto seguro suas mãos tentando me livrar do seu aperto. Seguro seus braços com força fincando as unhas neles tentando me libertar do aperto dele, mas Dean me segura com tanta força que meus olhos queimam ao ponto de lacrimejar. — Quem você pensa que é para me ameaçar? O que você acha que poderia fazer contra mim, hum? — Ele sussurra contra meu rosto com seu tom de voz cheio de ódio e rancor. — Es-está me machucan-ando! — Balbucio com os pulmões a flor da pele, buscando ar desesperadamente e respirando o mesmo ar que ele. — Não faça isso novamente. — Ordena me soltando e caminhando de volta para a mesa sentando na cadeira agora. Caio de joelhos no chão tossindo, buscando, ofegando por ar me livrando daquele ardor do peito aos poucos. — Vá dá uma volta, respire ar puro. — Dean sugeriu gesticulando com a mão em direção à porta sem muita paciência, fazendo descaso. — Vá se f***r seu i****a de merda, você se acha o centro do mundo por encurralar uma mulher, não é? Por que você não tenta fazer o mesmo com um garoto? — Gritei sentindo meu sangue ferver. Dean continuava me encarando com o seu olhar surpreso, mas não falava nada. Revirei os olhos e cerrei os punhos enquanto ia em direção à minha carteira guardando toda a raiva para mim. Mexo em minha bolsa a procura de um espelho, o seguro em minhas mãos verificando meu pescoço o vendo vermelho no formato de dedos, os dedos de Dean. — Sabe o que aconteceria se eu fosse até a direção agora? — Questiono ameaçadora sem olhá-lo. — Você quer ir? Não vou te impedir. O tom de voz de Dean parecia relaxado, mas algo em meus instintos insistiam em acreditar que ele não estava nem um pouco. — Ótimo, será bem mais fácil. — Respondo enquanto caminho em direção à porta. — Onde você vai!? — Ele eleva seu tom de voz. Eu sabia, ele se importa sim. — Acabei de falar que ia até a direção, seu i*****l. Estou em perigo, acabei de ser estrangulada por meu colega de turma problemático. Vou até à diretoria, não é óbvio? Dean levanta rápido da cadeira caminhando até mim, segura meu braço com cuidado agora. Apesar de que ele não me assusta, já passei por coisas... Me submeti a coisas bem piores no passado. Gostei de fingir. — Você não vai. — Ele me segura agora autoritário. — Está em perigo? Não parece estar com medo. — Dean comenta se aproximando de mim. — Você falou que não ia me impedir. — Retruco tentando afastá-lo de mim. Dean segura meus braços e me balança, me obrigando a olhar no abismo castanho esverdeado que são seus olhos. — Não faça isso, não foi minha intenção, tudo bem!? Não faz isso. — Ele abaixa a guarda, mas o tom continua rude. Fico encarando seu rosto, me deixando nervosa. — Humhum... — Resmungo enquanto o encaro. Não sei mais o que está acontecendo, nada faz sentido aqui. Nada está fazendo sentido. Dean me encara, e então fica alí me encarando com seu olhar neutro sem vida que não me diz nada. A raiva volta, toco meu pescoço e o sinto dolorido. Encaro seus olhos novamente que estão me encarando sem nenhum motivo, dando ainda mais falta de lógica para esse momento. Cerro os punhos com força e o acerto com a maior capacidade de força que eu tenho. Ouço o som da pancada e em seguida meus dedos doerem, junto ao som de um gemido de dor da parte dele. Isso só me satisfez. — Nunca mais encoste em mim, seu babaca! — Esbravejo. — Filha da p**a! — Dean retruca tocando seu nariz ensanguentado enquanto se apoia na mesa do professor. — Agora estamos quites. — Dou de ombros, ele não retruca.
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