12 Ruby

1485 Palavras
Interclasse escolar essa semana. Sinal que os garotos vão se matar, se machucar, se lesionar, dar a vida por uma bola a troca de merda nenhuma. Nunca entendi o porquê garotos gostam tanto de futebol, ao meu ver eles apenas acostumaram com essa idealização de que futebol é coisa de homens. Cresceram acreditando nisso e ficariam com essa idéia até hoje, e então eles acreditam que gostam de futebol. Essa é a minha teoria. Observo os garotos no centro da quadra conversando e se organizando para começarem a jogar. Cada time tem a sua própria roupa criada pela turma, com uma musa e mascote. Línea está séria demais, e eu não consigo entender. Abby e eu tentamos conversar com ela, mas é impossível. Abby, Killer e eu estamos conversando sobre os uniformes dos jogadores e o quão ridículos maioria estão, as vezes um dos dois fazem algum comentário que não consigo não rir, e simplesmente a Línea não demonstra reação nenhuma. Tudo bem, ela é sempre assim, mas nem sempre. Línea em seu estado normal, de vez em quando fala alguma coisa, solta alguma ironia ou qualquer coisa do gênero. Simplesmente ela está em silêncio desde cedo, desde que subi no ônibus e vim para a escola. — Aquela camisa da primeira série, aquela alí. — Abby aponta. — Está parecendo camisa de carnaval, lembra muito, sério! — E então cai na gargalhada. Paro para reparar e então começo a rir junto com ela. Não que seja maneiro zoar os uniformes das pessoas, mas só acho uma temática legal para ter o que conversar com os amigos. Acho que todos já passaram por essa situação, de não ter assunto para conversar com o amigo. Por isso, as vezes a gente apela por julgar a vida dos outros, só para conversar sobre algo. Parando para pensar, isso é bem chato. — Por que está aqui, Killer? Por que não está com seu novo melhor amigo? — Abby questiona. — Ele sempre foi meu amigo, não tem nada de novo. Não estou lá porque não quero ficar segurando vela, é chato. — Ele deu de ombros. Segurando vela. Só se segura vela para um casal, então essa tal Jesse e Dean namoram? — Arranja uma namorada para você também, Killer. — Abby sugere. — Já estou atrás disso. — Ele sorri de canto enquanto encara o centro da quadra. Hum. Está atrás disso, ele está interessado em alguém e eu estou sem nada para fazer, e se eu analisasse os fatos? — Seu amigo namora? — Questionei aleatoriamente. — Quem? Dean? — Sim. — Não! — A forma como Killer n**a é como se estivesse respondendo a uma pergunta mais absurda que ele já ouviu. Se Dean não namora com Jesse, então pode ser ela. Killer pode ter vindo até aqui porque não suporta ficar perto deles enquanto eles estão tão melosos um com o outro. — Hum. — Por que a pergunta, Ruby? — Abby me olha com um sorriso malicioso, não exatamente um sorriso mas sim um ar de malícia. Sei bem o que ela está pesando. — Estou só analisando algumas coisas. — Dei de ombros. Olho para o outro lado da arquibancada e vejo Dean sozinho, Jesse não está mais alí como antes estava. Ele está distraído olhando para os jogadores, observando o movimento deles. Não estou tão próxima dele mas consigo notar um pouco. — Ele está sozinho, Killer. — Abby diz. — Chama ele para cá, tadinho. Travo o maxilar tentando não impedir, mas apenas fico em silêncio encarando o chão. — Não sei se ele vem. — Chama, pelo menos você vai ter tentado. — É, verdade. — Killer leva os dedos até a boca e assovia. Vejo sua sombra no chão mexendo as mãos como se o chamasse por gestos. E então Abby e ele voltam a conversar. Fico imóvel, parada. O frio ainda está aqui, e parece que está aumentando. Tudo começa a escurecer novamente, é ele. É Dean que sempre faz isso, que sempre esfria e escurece tudo. Ele sempre tem essa capacidade de deixar tudo frio e sombrio. Sempre faz com que tudo pareça estar prestes a cair uma enorme tempestade, ele é como uma madrugada chuvosa, e me faz sentir em uma. Meu corpo começa a arrepiar por causa do frio, e continuo encarando o chão, ou pelo menos tento. Olho para o lado e vejo ele se aproximar de nós, cada vez mais. Dean está olhando para o céu fora da quadra, seu rosto iluminado fica diferente, eu estou o vendo diferente. Ele é maluco. Ele me olha, e me encara. Firma o olhar, e fica me encarando. Me rendi, não desvio o olhar, encaro mesmo meu corpo tentando cada vez mais desviar, até tento desviar mas não consigo. Dean é como a medusa, mas invés de transformar em pedra, ele te fisga para ele. — Para onde Jesse foi? — Killer questionou puxando conversa com ele. Minha respiração pesa, fica ofegante mesmo estando silenciosa. Dean, sentou, ao, meu, lado. Seu ombro está encostado no meu, está roçando, e não que seja r**m porque não sinto mais frio. Consigo ouvir ele respirando, consigo encarar suas pernas mais de perto. Ele está ao meu lado, encostado em mim. Espera... Eu pedi para ele não chegar mais perto de mim! Que i****a, babaca de merda. — Foi atrás da amiga dela. — Ele respondeu coçando a garganta. — Amiga? — Killer repete. — É, não sei quem é também. Não sabia que ela tinha uma amiga. A voz dele... Ah, merda! Minha respiração fica ofegante, ou é só impressão minha? Eu não sei, apenas sei que estou respirando rápido demais. Minha visão está ficando turva, parece que minha alma vai sair do corpo. — Vocês podem afastar, por favor? — Ouço alguém pedir para Dean, mas não olho para saber quem é. Estou tão paralisada encarando o chão, que parece que nem mesmo consigo me mexer outra vez. — Calma aí. — Dean pede, enrosca o braço em torno da minha cintura, me levanta e me afasta um pouco mais para longe, se aproxima de mim novamente logo em seguida. — Pronto. O encarei imediatamente. Indignada, eu acho, não faço a menor idéia de qual palavra descreveria melhor esse sentimento. Me sinto molenga, fraca e sem reação. Foi rápido, mas meu cérebro está processando isso devagar. — O jogo já vai começar! — Abby avisa tomando a atenção de Killer e Línea. Mas ela não consegue tomar a atenção de Dean, ele está me encarando com seu olhar neutro. Não o move, apenas o deixa firme nos meus olhos. Ainda está com a mão pousada na minha cintura, faz de propósito que eu sei. Ele lembra que o mandei não se aproximar de mim, Dean não é i****a. Seguro a sua mão e com muito ódio a jogo para longe de mim, ele me encara com raiva pelo meu ato. Quando me distraio prestando atenção no jogo, no qual não dou a mínima e não estou nem um pouco interessada, sinto a mão dele pousar sobre mim novamente com brutalidade e em seguida sinto um aperto tão forte que meu olho lacrimeja. — Ah! i****a! — Resmungo dando um tapa tão forte na mão dele que o faz a tirar. Ele não diz nada, apenas me encara em silêncio continuando com seu olhar neutro que não me diz nada. — Você é maluco? Não encosta mais em mim! — Resmungo quase em um sussurro, mesmo que os outros não percebem de tão concentrados no jogo e pelo barulho alto que não deixa eles ouviram. — E se eu fizer? O que você vai fazer? — Ele me desafia, aproxima o rosto do meu e me encara tentando me intimidar. Os olhos dele são claros, fundos, sufocantes, um túnel sem saída que não leva a lugar algum. Empurro o seu peito e levanto, pisando fundo tento desesperadamente sair dalí, ele me assusta. Dean me assusta, eu fico assustada perto dele e eu não aceitava isso, mas é verdade. Mal consigo olhar para ele, Dean me intimida sim. Tenho medo dele. Olho para trás e o vejo caminhando em passos rápidos atrás de mim, quando saio da quadra começo a correr pelos corredores. Não é patético? Estou fugindo dele, estou correndo dele como uma louca, e por que? Eu também não sei. Dean também corre atrás de mim, por nenhum motivo. Ele também é maluco, um louco. O lobo m*l correndo atrás da chapeuzinho, ele é o lobo m*l, está tentando me devorar viva e eu preciso fugir. O que é isso? Pega-pega? Olho para trás e ele ainda está correndo, não importa o quanto eu acelere meus passos, ele também acelera. Não há ninguém nos corredores, estão todos na quadra. Não há quem me salve, o lobo m*l vai me pegar e eu não tenho como fugir.
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