11 Dean

1302 Palavras
Semana de interclasse escolar. Os garotos jogam bola como se a vida deles dependesse disso, correm, morrem, se machucam por uma bola. E o que ganham com isso? Simples, nada. — Mas que merda! m*l temos um reserva, e os garotos não vão conseguir jogar contra os outros times. Isso é humilhante, a terceira série do colégio não ter um time, nem mesmo um r**m. — As garotas que sentam nas carteiras da frente reclamam para Vera, professora de não sei qual matéria. — Sim! Até aqueles idiotas da sala aqui do lado tem um time, e aqui não. — Mas o importante é participar, pessoal. Vocês não precisam ganhar, apenas se divirtam, vencendo ou perdendo. — Vera dá um conselho de merda. Quem diabos fica satisfeito em perder? Comigo não tem essa, ou ganha ou ganha. Perder não pode ser uma opção. — Tem essa não, se for para participar que seja para ganhar. — Uma das meninas praticamente grita. — Vocês todos não se conformam com pouca coisa, tem mesmo é que ganhar, não é? — Vera questiona rindo. — Claro, Vera. Ninguém pode se conformar com pouca coisa, quem se conforma com pouco conquista pouco. — Me intrometi na conversa. — Olha o Dean filosofando, que motivador. — Vera gritou surpresa com minhas poucas palavras fazendo todos olharem para mim. Me incomodei. Fiquei incomodado pela primeira vez na vida com pessoas me olhando, mas não exatamente por essas pessoas estarem me olhando, mas sim a Ruby. Todos entortaram seus corpos em minha direção, e ela se achou no direito de virar também. A encaro com o maxilar travado, forcei o olhar o suficiente para que ele dissesse "Está olhando o que, sua c****a?" Endureci o rosto com tanta força que chegava a doer. Ela firmou o olhar em mim, e se manteu com o olhar neutro. v***a atrevida. — E é um filósofo? — Yuri, meu amigo ironizou ecoando sua voz suavemente rouca pela sala e então começou a bater palmas, isso induziu que as outras pessoas batessem palmas também. Com excessão da Ruby e as amigas. Ela simplesmente virou para frente e me deu as costas, ela não... O que eu... Ah, esquece. Devo estar enlouquecendo. — E você, Dean? Não vai jogar também com seus colegas? — Vera questionou. — Eu não, não gosto de jogar bola. Nunca me interessei muito. — Dei de ombros. Encaro as costas da Ruby enquanto ela olha não sei para onde, não está conversando com ninguém, está apenas parada. Creio que olha para alguma direção, mas não faço a mínima idéia de qual é, mas não tem importância. — Está apaixonado, Dean? — Vera questiona repentinamente. — O que!? — Dou um pulo desnecessário e assustado da cadeira, fazendo com que as pessoas ao meu redor me encarem torto. Eu, apaixonado? Isso é algum tipo de piada? — Que susto foi esse, Dean? — Uma das meninas humoriza. — Ele ficou pálido. — A amiga dela acrescenta me encarando enquanto ri. — Ela é daqui, Dean? — Vera questiona rindo junto. — Ela? — Repito erguendo uma sobrancelha. — Seria um "ele"? — A professora me encara com uma sobrancelha arqueada. — O que!? Eu não sou gay! — Todos riram da minha indignação. Hoje acontecerá o primeiro jogo do interclasse, estamos esperando a diretora liberar para irmos para a quadra. Por esse motivo, essa professora bem pouco fofoqueira está se metendo na minha vida. Não estamos tendo aula. Ruby olhou para Línea e riu minimamente. Ela riu. Me acha engraçado, Ruby? — Ele sorriu, que fofo. — A menina tagarela comentou. — Mas você está mesmo apaixonado, Dean? — Vera questiona pela milésima vez. — Não. — Respondo seco, mas tentando não ser tanto. Ruby começa então a conversar com Abby e Línea. Ela fala alto, mas não consigo entender, mas fico prestando atenção porque não custa nada tentar. Presto atenção na conversa porque não tenho nada para fazer agora, já que eu sento sozinho um pouco mais no final da fileira. Killer senta ao meu lado as vezes, mas no mapeamento o lugar dele não é ao meu lado. E então como ele está sentado ao lado dela, não demora muito para que ele também entre na conversa. Ela está rindo, sorrindo para ele. Por que está sorrindo para ele? O que ele falou de tão engraçado? Não consigo entender o porquê dela confiar nele o suficiente para sorrir assim, Killer age como eu, ele é como eu... Somos amigos, fazemos as mesmas piadas e gostamos de conversar sobre as mesmas coisas. Por que ela confia nele? Ela deve gostar dele também. Killer olha para ela e sorri, e o sorriso dele chega a brilhar como os olhos dele. Ele não olha desse jeito para a Línea e nem para a Abby, ele só olha assim para a Ruby. Ele gosta dela, mas por que ela? A Ruby é chata, fala muito alto e mais do que as pessoas são capazes de ouvir, ela é cheia de idiotices de não fazer amizade com qualquer pessoa, é calada demais... Como ela consegue ser calada e ao mesmo tempo tagarela? A Abby também é insuportável, até mesmo o jeito como ela olha para as pessoas faz com qu... — Dean! — Killer gritou quase no meu rosto me fazendo acordar dos meus pensamentos, me fez acordar também dessa loucura de ficar analisando essa garota. — Hum? — Resmunguei. Quando olho em volta não vejo mais ninguém alí, olho para a porta e vejo as últimas pessoas saindo. Merda! Eu devo ter dormido, não é possível. — Você vai ficar na sala? Não vai ir assistir os jogos? — Killer questionou me olhando incrédulo. — Vou, acho que... — Estiquei os braços me espreguiçando. — Dormi e você me acordou. — Mas você estava de olhos abertos. — Ele apontou. — Estava é? — Questionei franzindo o cenho enquanto fico de pé indo até à porta. Caminho em passos rápidos pelos corredores indo em direção à quadra, enquanto Killer fala sobre algo que não dou atenção. Procuro um lugar vazio enquanto analiso as arquibancadas da quadra com o olhar, vejo Jesse do outro lado sentada em algum lugar bem vago. — Vou sentar com a Jesse, você vem? — Sugeri. — Não, na verdade vou ficar alí com a Abby e a Ruby. — Está bem. — Dou de ombros virando o rosto para a direção em que ele apontou, fico procurando Ruby alí na multidão das arquibancadas. A encontro, o sol bate em suas costas fazendo com que ela fique bem iluminada e destacada no meio das pessoas. Els não me vê, e quando seu olhar finalmente encontra o meu, não firma o olhar, ela não me olha. Ruby desvia o olhar de mim, e nem mesmo me dá atenção. Caminho até o outro lado da quadra, em passos ligeiros corro até Jesse e sento ao seu lado. Ela me cumprimenta com um sorriso, e retribuo. — Está tudo bem? — Ela me olha com um olhar um pouco preocupado. — Está. — A encaro sem entender o porquê da pergunta. — "Está"? Alguma coisa está incomodando você, Dean? — Não, está tudo normal. Por que a pergunta? — Você está com algumas olheiras, está com o rosto amassado, sua testa cheia de tensão, cabelo bagunçado e a pele pálida que nem papel. — Mas estou feio? — Humorizei a situação. Jesse me encarou como se dissesse "É sério?" Com a sobrancelha arqueada, mexo as minhas insistentemente até que ela ri. — Não está, ok? Você é muito lindo, Dean. — Fez caretas de nojo e fingiu enfiar o dedo na garganta. — Até mesmo destruído como está. A encarei incrédulo enquanto ela gargalhava, mas acabei rindo também junto com ela.
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