6- Miguel

1283 Palavras
Miguel (Rei) narrando Os cu azul, como sempre, chegaram na minha sela de cárcere com aquele sorriso debochado. Não que eu fosse esperar diferente, mas dessa vez foi complicado. Eles estavam me dizendo que, ainda à tarde, eu ia receber a visita da tal advogada. — "Ó, moleque, se prepara aí, que a famosa advogada vai bater o ponto no rolê, viu? Vai ser tipo... 'poderosa'." O pior foi o tom de zombaria na voz do policial, rindo de mim, dizendo que eu não ia sair tão rápido quanto tava imaginando. O cara tava tirando onda, me deixando ainda mais bolado, rindo do meu desespero e da situação em que eu tava. Aquilo foi f**a, mas não deixei transparecer. Me controlei pra não explodir na frente deles. Já sabia que a melhor coisa era manter a calma, mas dentro de mim, a ansiedade tava batendo forte, querendo que tudo rolasse logo. Fiquei ali esperando o relógio correr, o tempo parece que passa mais devagar em dias assim. Pensando, planejando, visualizando o que aquela advogada ia me dizer. Eu sabia que ela ia ser firme, mas tinha uma leve esperança que ela me traria alguma boa notícia, algum jeito de sair dessa enrascada. Finalmente, a tarde chegou. O cu azul me chamou, me levou pra salinha de visita, e eu só consegui pensar: — "Agora vamos ver o que essa advogada tem pra me oferecer." A situação tava tensa, mas eu só tinha um objetivo: sair dessa cadeia. Quando entrei na salinha de visita e olhei pra advogada, mano... não vou mentir, eu fiquei impressionado. Ela era gata demais, tipo, muito bem arrumada, aquele estilo que mistura poder com elegância. O olhar dela não deixava dúvida: muito profissional, séria, sem perder o charme. Agora, não tem jeito, até o cara mais casca-grossa como eu ia sentir uma parada diferente, né? Mas, claro, eu mantive a pose, porque sabia que o foco ali era outro. Essa mina, além de linda, tinha a missão de me tirar da cadeia, e era disso que eu tava precisando. Eu sentei na frente dela, tentando não demonstrar minha curiosidade, apesar de eu ter que controlar a minha cabeça que tava ficando cheia de pensamentos. Ela me olhou por um segundo e logo falou, sem rodeios, com aquele tom firme de quem sabe o que tá fazendo. — "Olha, Miguel, você precisa me contar tudo. Eu preciso entender seu caso, o que aconteceu e como a sua situação tá aqui dentro, o que você tem feito... porque assim, eu vou conseguir agir da forma certa. Não adianta esconder nada de mim. Vamos ser diretos." Fiquei na moral ouvindo a seriedade dela e, apesar de estar mexendo com a minha cabeça, a ideia de estar ali, conversando diretamente com a advogada, fez um clique na minha cabeça. Ela não era só uma mulher gata, ela era uma profissional. Eu podia ver que ela sabia o que tava dizendo. Então, respirei fundo e comecei a falar. Contar tudo... tava no momento certo. Se eu tivesse alguma chance de sair disso, eu tinha que dar tudo de mim agora. Depois que terminei de soltar tudo que tava me apertando, a advogada, que pelo visto não tava pra brincadeira, ficou me analisando por uns segundos, como se estivesse ponderando tudo o que eu tinha dito. Ela não demorou, não. Começou a passar a visão direta, de forma prática. — “Miguel, o que você fizer dentro da cadeia agora vai contar muito pro seu futuro. Não tem mais espaço pra vacilação. Você vai ter que manter a postura o tempo todo, e mais do que nunca, não pode reagir a provocações. Eu sei que pode parecer difícil, mas tem que ter sangue frio. Qualquer passo em falso lá dentro agora, eles vão ver que você tá vulnerável. E depois... qualquer vacilo pode ser fatal, tanto pro seu processo quanto pra sua vida aqui dentro.” A parada de ter alguém com um nome importante cuidando do meu caso ia deixar a situação ainda mais tensa. Eu sabia que isso ia ser combustível pra os cu azul e a galera aqui dentro tentarem me jogar pra baixo, mexer com a minha cabeça. A advogada me olhou bem sério, e foi quando ela me disse algo que ficou gravado: — "Agora, sabem que você tem uma advogada que tá te defendendo. E eles vão testar sua paciência, vão querer te provocar até você cair na tentação. Mas tem que segurar, Miguel. Qualquer movimento que parecer fraqueza vai ser explorado. Tem que agir com inteligência." Eu até fui tomando o que ela tava dizendo, entendendo a gravidade da parada. O ambiente ia esquentar ainda mais, mas meu objetivo tava claro: sair da cadeia, fazer tudo direito, sem perder a linha. — “Pode deixar que eu vou me segurar. Não vou vacilar,” falei, respirando fundo. Eu sabia que minha cabeça ia ser o maior obstáculo, mas com ela me orientando assim, agora eu tava mais preparado. Antes dela ir, ela fez questão de me dar um último conselho. — "Lembra, qualquer reação impulsiva vai comprometer tudo. O que importa é o longo prazo, não a provocações momentâneas. Se você seguir esse caminho, a gente tem mais chance." Eu agradeci e me despedi dela, com a cabeça a mil. Sabia que a bronca ia ser braba dentro da cadeia, mas agora eu tinha uma visão mais clara do que eu precisava fazer pra dar a volta por cima. Os cu azul me levaram de volta pra sela, e naquela hora, a minha cabeça tava a mil. A conversa com a advogada me deixou com mil pensamentos pra processar. Eu sabia que agora o bagulho tinha que ser diferente, tinha que mudar a postura lá dentro. Eu tinha que ser mais esperto, menos reativo, e, principalmente, segurar a onda com aqueles caras que iam tentar me testar. Mas, no fundo, eu tava pensando mais nela, na advogada. A mina não era só bonitona, não, ela era firme. A forma como ela se comportava, como me fez sentir que ela tava no controle... aquilo mexeu comigo. Eu não sou de me perder com as minas, mas com ela, p***a, a energia era forte. Fiquei deitado na cama da sela, olhando pra parede e refletindo em tudo o que ela me falou. Eu sabia que era o tipo de chance que não aparecia todo dia, e que eu não poderia deixar escorregar. Mesmo que tivesse toda essa tensão com o que ia rolar lá dentro, também tinha que cuidar da minha cabeça. Porque, no fim das contas, o jogo ia ser na mente. Agora eu tava com uma direção, e se eu seguisse direitinho o que ela sugeriu, eu tinha uma chance de sair dessa. A parada é que eu tava com a mente dividida. Eu queria sair logo desse buraco, queria mostrar pros outros que eu não era mais o mesmo cara de antes. E, ao mesmo tempo, essa parada de eu ter uma advogada cuidando do meu caso fazia com que todo mundo me olhasse diferente. Fui crescendo lá dentro, e agora a pressão só aumentava. Mas, ao mesmo tempo, aquilo me deu um gás. Eu ia controlar a situação de um jeito diferente. Só que, p***a, com ela ali, tão próxima, passando a visão... não podia negar: ela mexeu mesmo com a minha cabeça. Eu tinha que dar o meu melhor não só pro meu futuro, mas por ela também, por essa chance que ela tava me dando. Então, tentei focar, desviar o pensamento daquilo que podia me tirar do eixo. Eu precisava mesmo começar a jogar certo e esperar pra ver o que mais ia rolar.
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