Dario Santoro
— Você está cometendo um erro.
A voz de Matteo ecoa pelo escritório algumas horas depois.
Nem preciso olhar para ele.
— Seja mais específico. Segundo você, cometo vários diariamente.
— Deixá-la sair amanhã.
Fecho a pasta que estou lendo.
— Bianca precisa de roupas. Não posso mantê-la trancada nesta casa indefinidamente.
— Não estou dizendo que pode. Estou dizendo que a situação está perigosa.
— Por the isso ela terá escolta.
Matteo aproxima-se da mesa.
— Os russos estão movimentando homens perto do porto. Nossos informantes acreditam que estejam preparando alguma coisa.
— Eu sei.
— Então sabe que podem tentar atingir alguém próximo de você.
Minha mandíbula se contrai.
— Ninguém vai encostar nela.
Ele me observa em silêncio.
— Está levando essa promessa muito a sério.
— Bianca será minha esposa.
— Isso não responde tudo.
Ergo os olhos.
— O que exatamente está insinuando?
— Nada.
— Matteo.
Ele suspira.
— Só acho curioso.
— O quê?
— Você nunca demonstrou tanto interesse por uma mulher que m*l conhece.
Solto uma risada sem humor.
— Interesse? Aquela garota é um problema ambulante.
— Um problema que você levou pessoalmente para um hotel, trouxe no seu avião, instalou na sua casa e agora está organizando uma operação de segurança para que possa comprar vestidos.
— Ela é minha responsabilidade.
— Claro.
O tom dele me irrita.
— Tem alguma coisa para fazer ou pretende passar o resto do dia analisando minha vida?
Matteo ergue as mãos.
— Como quiser, Dom.
Antes de sair, acrescenta:
— Só espero que você perceba o que está acontecendo antes de todo mundo.
A porta se fecha.
Fico olhando para ela.
Não está acontecendo absolutamente nada.
Bianca Bellini é uma obrigação.
Uma promessa feita entre famílias.
Uma aliança que precisa ser cumprida.
Nada além disso.
Repito mentalmente essa conclusão.
Duas vezes.
Talvez três.
São quase onze da noite quando recebo a ligação.
Estou no escritório, revisando os últimos detalhes da segurança para o dia seguinte.
O nome de Enzo aparece na tela.
Atendo imediatamente.
— Fale.
— Dom, encontramos um dos homens envolvidos no ataque ao carregamento.
Endireito-me na cadeira.
— Onde?
— Num depósito próximo à região portuária. Matteo está vindo para cá.
— Mantenham o desgraçado vivo. Estou a caminho.
Desligo.
Pego minha arma, verifico o carregador e a coloco no coldre.
Quando abro a porta do escritório, encontro Bianca no corredor.
Está descalça, vestindo uma camiseta larga e um short de dormir.
Os cabelos caem soltos sobre os ombros.
Ela olha primeiro para meu rosto.
Depois para a arma.
— Vai matar alguém?
— Volte para o seu quarto.
— Isso é um sim?
— Bianca.
— Dário.
Fecho os olhos por um segundo.
— Não tenho tempo para isso.
Tento passar, mas ela dá um passo para o lado.
— Está acontecendo alguma coisa?
A pergunta vem diferente das outras.
Sem deboche.
Sem provocação.
Olho para ela.
— Assuntos de trabalho.
— Seu trabalho normalmente envolve sair armado às onze da noite?
— Frequentemente.
Ela faz uma careta.
— Que profissão encantadora.
Quase sorrio.
Quase.
— Vá dormir.
Bianca observa meu rosto por alguns segundos.
— Você está preocupado.
— Não.
— Mentiroso.
Aproximo-me um passo.
— Escute bem. Não saia desta casa. Não abra nenhuma porta e não discuta com os seguranças.
Ela franze a testa.
— Por quê?
— Porque estou mandando.
Imediatamente percebo meu erro.
Seus olhos se estreitam.
— Você tem um talento impressionante para estragar qualquer conversa.
Solto o ar devagar.
— Porque existe a possibilidade de termos problemas esta noite — explico, finalmente. — E preciso saber que você estará segura.
Ela fica quieta.
Pela primeira vez, não tem uma resposta pronta.
— Problemas com quem?
— Pessoas que não gostam de mim.
Bianca inclina a cabeça.
— Isso não reduz muito a lista, Santoro.
Dessa vez, não consigo impedir um breve sorriso.
— Boa noite, Bianca.
Passo por ela.
Estou quase alcançando a escada quando escuto sua voz.
— Dário?
Paro.
— O quê?
— Tenta não morrer.
Viro o rosto.
Ela cruza os braços rapidamente.
— Não por preocupação, obviamente. É que seria uma burocracia infernal explicar que fiquei viúva antes mesmo de casar.
Encaro-a por um instante.
— Vou tentar poupar você desse inconveniente.
Continuo andando.
Mas levo aquelas três palavras comigo.
Tenta não morrer.
O depósito fede a ferrugem, óleo diesel e sangue.
Quando chego, Matteo está diante de um homem amarrado a uma cadeira.
O sujeito tem o rosto inchado e a camisa ensanguentada.
— Ele estava transportando informações sobre nossas rotas — Matteo informa.
Aproximo-me.
— Para quem trabalha?
O homem cospe sangue no chão.
— Vá para o inferno.
Puxo outra cadeira e me sento diante dele.
— Já moro lá.
Ele me encara.
— Você acha que controla tudo, Santoro?
— O suficiente.
O desgraçado começa a rir.
Uma risada baixa.
Nervosa.
— Nem tudo.
Observo seu rosto.
Há alguma coisa errada.
Homens capturados costumam demonstrar medo, arrogância ou desespero.
Aquele está esperando.
— O que você fez? — pergunto.
He sorri.
— Você realmente acha que a guerra vai acontecer apenas nos seus portos?
Meu sangue esfria.
— Matteo.
Meu amigo já está com o telefone na mão.
— Estou ligando para a propriedade.
O homem continua sorrindo.
— Um rei sempre acredita que seus muros são suficientes.
Levanto-me lentamente.
— Se encostaram em alguém da minha casa...
— Talvez devesse ter pensado nisso antes de trazer a Bellini para Nápoles.
Não escuto o restante.
Puxo a arma e a aponto para a cabeça dele.
— Como sabe sobre Bianca?
O sorriso desaparece.
— Eu...
— Como sabe o nome dela?
Matteo se aproxima.
— Dário, precisamos ir.
— Responda!
O homem começa a tremer.
— Todos sabem que vai se casar com ela!
Meu telefone vibra.
É Enzo.
Atendo.
— Dom, temos uma situação.
Meu coração dá uma batida pesada.
— Que situação?
— Um veículo tentou atravessar o portão secundário. Os homens abriram fogo. Estamos contendo o ataque.
— Bianca?
Silêncio.
Um segundo.
Dois.
— Enzo, onde está Bianca?!
— Estamos tentando confirmar. A última informação é que estava no andar superior.
Viro-me para Matteo.
— Vamos. Agora.
Nunca dirigi tão rápido.
Matteo está no banco do passageiro, dando ordens pelo telefone enquanto ultrapasso os carros na estrada.
— Os homens já bloquearam o acesso principal — informa.
— E Bianca?
— Ainda não confirmaram.
Aperto o volante.
— Se alguma coisa acontecer com ela...
Não termino.
Não preciso.
Matteo sabe.
Quando finalmente alcançamos os portões da propriedade, encontro dois veículos danificados e homens armados espalhados pelo jardim.
Há sangue no chão.
Vidros quebrados.
Marcas de tiros nas paredes.
Saio do carro antes mesmo de o motor desligar.
— ENZO!
Ele corre na minha direção.
— Dom, conseguimos impedir que entrassem na residência principal. Dois invasores morreram e um fugiu.
— Onde está Bianca?
— Na sala, senhor.
Passo por ele sem responder.
Entro na casa.
E paro.
Bianca está no meio da sala, usando a mesma roupa de dormir de antes.
Descalça.
Com os cabelos desgrenhados.
Há um pequeno corte em seu braço.
E uma pistola em suas mãos.
Por alguns segundos, não consigo processar a cena.
Ela me vê.
Seus olhos se arregalam.
— Ah, ótimo. O dono do hospício chegou.
Olho para a arma.
Depois para o corte.
— Que p***a aconteceu aqui?
Bianca aponta para um dos seguranças.
— Pergunta para esse i****a! Ele tentou me arrastar para um quarto enquanto tinha gente atirando lá fora!
— Estávamos tentando protegê-la, senhor — o homem explica imediatamente.
— E eu estava tentando explicar que não sou um saco de batatas! — ela rebate.
Aproximo-me.
— Bianca, me dê a arma.
Ela olha para a pistola como se tivesse acabado de lembrar que está segurando aquilo.
— Ah. Isso.
— Agora.
Ela me entrega a arma com cuidado.
Verifico a segurança e a passo para Matteo.
— Você está ferida?
— Não.
Seguro delicadamente seu braço.
Ela faz uma careta.
— Isso é o quê?
— Um arranhão.
— Como aconteceu?
— Uma janela quebrou.
Observo o sangue.
— Vou chamar um médico.
— Santoro, pelo amor de Deus, é um corte, não uma amputação!
Ignoro.
— Matteo, chame o médico.
— Dário!
Encaro-a.
— Você vai deixar que ele examine seu braço.
Ela abre a boca.
Fecho a expressão.
— Não é uma negociação.
Bianca revira os olhos.
— Nossa, que saudade eu estava da sua delicadeza.
Respiro fundo.
— E a arma?
Ela fica estranhamente quieta.
Olho para Matteo.
Ele também parece desconfortável.
— Alguém pretende me explicar por que minha futura esposa estava armada?
Um dos seguranças limpa a garganta.
— Senhor... um dos invasores conseguiu alcançar a entrada lateral.
Meu corpo fica rígido.
— Continue.
— Ele estava armado. Tentamos impedir que avançasse, mas houve uma troca de tiros.
Olho para Bianca.
Ela desvia os olhos.
— Bianca.
— O quê?
— O que aconteceu?
Ela suspira.
— Aconteceu que aquele i*****l entrou apontando uma arma para todo mundo.
— E?
— E tinha uma pistola caída perto do sofá.
Fico imóvel.
— Você pegou a arma?
— Não, Santoro. Pedi gentilmente que ela viesse até mim.
— Bianca!
— Peguei, droga!
O silêncio toma conta da sala.
— E depois? — pergunto, baixo.
Ela cruza os braços.
— Depois ele apontou a arma para o segurança, eu mandei parar, ele virou na minha direção e...
Ela hesita.
Pela primeira vez desde que a conheci, vejo suas mãos tremerem.
— E você atirou — concluo.
Bianca assente.
— Uma vez.
Olho para Enzo.
— Onde está o homem?
— Ferido no ombro. Foi levado para receber atendimento sob vigilância.
Volto minha atenção para ela.
— Você acertou o ombro dele?
Bianca ergue o queixo.
— Eu estava mirando na perna.
Matteo solta uma tosse suspeita.
Fecho os olhos.
Puta que pariu.
— Você poderia ter morrido.
Ela perde o sorriso.
— Eu sei.
— Não, Bianca. Você não sabe. Um homem armado entrou nesta casa e você decidiu enfrentá-lo!
— Ele ia atirar no segurança!
— E poderia ter atirado em você!
Ela dá um passo à frente.
— Então o que você queria que eu fizesse? Que ficasse parada esperando alguém morrer?!
— Queria que tivesse se protegido!
— Eu me protegi!
— Atirando em um homem?!
— Funcionou, não funcionou?!
Passo as mãos pelos cabelos.
Estou acostumado a sangue.
A tiros.
À morte.
Mais a imagem de Bianca diante de um homem armado provoca uma sensação que não experimento há muitos anos.
Medo.
Um medo frio.
Violento.
Inaceitável.
Ela parece perceber alguma coisa, porque sua expressão muda.
— Dário...
— Nunca mais faça isso.
Minha voz sai baixa.
Perigosa.
Bianca me encara.
— Não posso prometer que vou ficar parada vendo alguém morrer.
A resposta me atinge de um jeito inesperado.
Ela não está tentando me provocar.
Está falando sério.
E isso me assusta ainda mais.
Aproximo-me até ficar diante dela.
— Então, da próxima vez, faça o que for necessário para sobreviver. Mas não coloque sua vida em risco para provar que não tem medo.
Seus olhos encontram os meus.
— Eu tive medo.
Fico em silêncio.
Ela engole em seco.
— Muito.
Olho para suas mãos.
Ainda estão tremendo.
Sem pensar, seguro-as entre as minhas.
Bianca não se afasta.
— Mas fiz mesmo assim — ela murmura.
Aperto seus dedos com cuidado.
— Eu sei.
Por um instante, nenhum de nós diz nada.
Então ela ergue o rosto.
— Você está bravo?
Solto uma risada sem humor.
— Estou furioso.
— Comigo?
Olho ao redor.
Para os vidros quebrados.
Para as marcas dos tiros.
Para o sangue no chão.
E finalmente para ela.
— Com qualquer desgraçado que tenha feito você passar por isso.
Bianca fica me olhando.
Seu rosto perde um pouco da tensão.
— Bom... — ela murmura. — Pelo menos agora você tem um motivo legítimo para sair por aí ameaçando pessoas.
Balanço a cabeça.
Essa garota é impossível.
Uma hora depois, o médico termina de examinar Bianca.
O corte é superficial.
Nenhum ferimento grave.
Nenhuma lesão causada pelo disparo.
Ela está assustada, embora faça um esforço admirável para esconder.
Encontro-a sentada no sofá, com um curativo no braço e uma xícara de chá nas mãos.
— O médico recomendou descanso — digo.
Ela ergue os olhos.
— E você recomendou o quê? Prisão domiciliar perpétua?
Sento-me na poltrona à sua frente.
— Ainda estou considerando.
Bianca solta um suspiro.
— Lá se vão minhas compras.
Observo-a.
Mesmo depois de tudo, ela ainda está pensando nisso.
— Você realmente quer tanto sair?
Ela abaixa a xícara.
— Quero.
— Por quê?
Bianca me olha como se a resposta fosse óbvia.
— Porque eu passei a vida inteira vivendo dentro de uma casa onde outras pessoas decidiam tudo por mim.
Fico quieto.
— O que eu vestia. Onde podia ir. Com quem podia conversar. Até com quem eu deveria me casar.
Suas palavras pesam mais do que deveriam.
— Não quero sair apenas para comprar roupas, Dário.
Ela faz uma pausa.
— Quero sentir que ainda posso escolher alguma coisa.
Olho para ela.
E, pela primeira vez, entendo que nossa discussão nunca foi realmente sobre compras.
Foi sobre liberdade.
Uma coisa que Bianca nunca teve.
E que eu, sem perceber, estava começando a tirar dela novamente.
Apoio os cotovelos nos joelhos.
— Amanhã você poderá sair.
Ela arregala os olhos.
— Mesmo depois de hoje?
— Especialmente depois de hoje.
Bianca me observa, desconfiada.
— Você bateu a cabeça durante o tiroteio?
— Estou começando a reconsiderar.
— Não! Não, tudo bem. Continue.
Quase sorrio.
— A segurança será reforçada. Os homens estarão armados e você seguirá as orientações deles.
Ela pensa por um instante.
— Quatro seguranças?
— Quatro.
— E posso escolher as lojas?
— Pode.
— E o que vou comprar?
— Desde que seja legal, sim.
Ela estreita os olhos.
— Essa última parte foi desnecessária.
— Com você, nenhuma precaução é desnecessária.
Bianca finalmente sorri.
Um sorriso verdadeiro.
E percebo uma coisa extremamente inconveniente.
Gosto de vê-la sorrir.
Muito mais do que deveria.
— Obrigada, Santoro.
Assinto.
— Vá descansar.
Ela se levanta, mas para antes de alcançar a escada.
— Dário?
— Sim?
— Aquele homem...
Sua expressão muda.
— Ele vai morrer?
Fico observando-a.
Poderia mentir.
Dizer que não precisa se preocupar.
Que tudo será resolvido.
Mais Bianca cresceu dentro da máfia.
Sabe exatamente como esse mundo funciona.
— Ainda não decidi o destino dele.
Ela abaixa os olhos.
— Eu não queria matar ninguém.
Minha expressão endurece.
Não contra ela.
Contra o mundo que a colocou naquela situação.
— Você não matou.
— Mas poderia.
— Poderia — concordo.
Ela respira fundo.
— Eu não quero me acostumar com isso.
Levanto-me.
Aproximo-me devagar.
— Então não se acostume.
Bianca ergue o rosto.
— Você fala como se fosse simples.
— Não é.
Por um instante, vejo algo diferente em seus olhos.
Não medo.
Não desafio.
Talvez a percepção de que, por trás do homem que ela insiste em chamar de d***o, existe alguém que também conhece o preço de viver nesse mundo.
Ela se afasta primeiro.
— Boa noite, Santoro.
— Boa noite, Bianca.
Observo-a subir a escada.
Só quando desaparece no corredor permito que meu rosto volte à expressão de sempre.
Pego o telefone.
Matteo atende no segundo toque.
— Fale.
— Quero todos os envolvidos no ataque identificados antes do amanhecer.
— Estamos trabalhando nisso.
— E o homem que Bianca baleou?
— Está vivo. Sob custódia.
Olho para a escada vazia.
— Mantenha-o assim. Quero saber quem deu a ordem e como descobriram os acessos da propriedade.
— Entendido.
Faço uma pausa.
— Matteo.
— Sim?
— Quero a segurança de Bianca reorganizada. Homens de confiança. Nenhum deles se afasta dela durante a saída de amanhã.
— Ela ainda vai sair?
— Vai.
Ele fica em silêncio por um segundo.
— Você realmente está mudando, Dário.
— Boa noite, Matteo.
Desligo antes de ouvir sua risada.
Caminho até a janela do escritório.
Lá fora, meus homens continuam trabalhando para reparar os danos.
A guerra chegou à minha porta.
E, pela primeira vez em muito tempo, não estou preocupado apenas com territórios, dinheiro ou poder.
Estou preocupado com uma garota que discute comigo por causa de quatro seguranças, negocia como se estivesse diante de um tratado internacional e consegue acertar o ombro de um homem quando pretendia atingir sua perna.
Uma garota que deveria ser apenas minha futura esposa.
Uma obrigação.
Um acordo.
Uma promessa.
Mais que, em poucos dias, conseguiu fazer algo que meus inimigos tentam há anos.
Encontrar uma fraqueza em Dário Santoro.
E o pior?
Ela nem sequer sabe disso.
Olho novamente para a escada.
Bianca Bellini.
A mulher que me foi prometida antes de nascer.
A mulher que acredita estar sendo entregue ao d***o.
Mal sabe ela que, depois desta noite, o próprio d***o estaria disposto a incendiar o inferno inteiro para mantê-la viva.