Talvez só tivesse aquele dinheiro.
conteve sua felicidade quando se virou para homem de voz suave, não tinha notado, mas seu rosto era assustador, tinha uma cicatriz que ia da sua testa até o queixo, a lâmina que fizera aquele corte, levou também seu olho e um pedaço do seu nariz.
Suas vestes eram ásperas e gastas, tingidas pela poeira da estrada e manchadas pelo suor do trabalho pesado no campo. Sua camisa de linho, outrora branca, agora desbotada e rasgada, estava amarrada precariamente com um cordão de couro. As calças de tecido grosseiro, remendadas várias vezes, pendiam soltas em suas pernas, expondo os joelhos calejados e sujos. Um chapéu de palha desgastado protegia seu rosto do sol, mas as bordas estavam desfiadas e dobradas. Nos pés descalços, calçava sandálias rudimentares, amarradas com tiras de couro desgastado. Seu porte era curvado pelo trabalho árduo, seu olhar era cansado.
_devia ter pegado o barco dos viajantes, os dos mineradores são mais baratos, mas já te largam perto das minas. Sua sorte é que colho nabos a essa hora. _ ele riu e Eleanor se forçou a rir também, estava com medo, quando passou a lado do potrinho ele lhe deu uma lambida, e a sensação da sua língua a divertiu.
_ele gostou de você! _ precisou passar a mãe nele
_como é seu nome? _falava carinhosamente, passando a mão pela longa extensão de suas orelhas, um asno, com um topete acinzentado acima dos olhos.
_ seu nome é potrinho, vamos venha, me dê suas bolsas- Eleanor se se aproximou depositando sua mochila na mão do homem que as deposito na traseira da carroça.
quando subiu na boleia, sentia de perto o cheiro azedo do camponês, uma garota de valentia, provavelmente estaria correndo aos prantos, mas Eleanor não podia se dá ao luxo de escolher quem aceitaria ajuda, agora estava sozinha e precisava ser corajosa.
_Vamos...
O senhor chicoteou o potrinho com as rédeas, e o animal começou a se mover lentamente. Seus cascos não faziam barulho, trotava suavemente. O homem a olhou e sorriu, seus dentes podres faziam um desenho bizarro em seus lábios. _ você é de valentia, não é?
Aquilo a assustou, mas respondeu com uma pergunta_ como adivinhou?
_Seu cheiro, tem o cheiro da fruta de Akar, já fui lá uma vez quando era mais novo, nunca vou me esquecer de como aquela cidade é linda.
Eleanor se sentia estranhamente à vontade, tinha uma tendencia a confiar em todos, talvez reflexo dos anos que passou nas torres das madres, não conseguia ver a maldade oculta nas pessoas.
_sim, já foi aos conventos dos senhores de valentia. É tudo tão lindo, luzes amarelas pela cidade, todos cantando e dançando. Vou sentir saudades disso.
_não vai mais voltar?
Ela se entristeceu, olhou para seus dedos querendo sentir novamente o toque gelado do rio, mas olhou para o fazendeiro e falou tristemente_ não.
O velho pareceu entender de alguma forma que aquele não era um assunto que ela se sentia bem em compartilhar, então de forma abrupta mudou de assunto.
_ vai se dá bem aqui, dá para fazer dinheiro. Mineradores, transportadores e fazendeiros estão sempre contratando. _ o fazendeiro, pensou e continuou_ se quiser uma aventura dá para ser um caçador, são os que pagam bem. esses são o que mais precisam de gente.
Esse nome a deixou intrigada_ o que são os caçadores?
O fazendeiro respondeu rápido_ são os que andam a noite!!_ parecia que essa resposta já tinha explicado tudo que precisava saber.
_ o que? _ Eleanor, precisou pensar, não estava entendendo aquele homem_ o que tem na noite?
Ele olhou fundo nos seus olhos, e falou baixo.
_homens... _ fez uma pausa dramática, engolindo a saliva para limpar a garganta_ lobos em pele de homem vivem nessas terras.
Eleanor começou a rir, aquele assunto era estranho, começou a achar que teria de aguentar isso de todos em cinérea, achavam que ela era uma bruxa e agora homens lobos. Todos ali eram desprovidos de alguma noção da realidade. homens lobos não existiam, isso fora criado para as crianças não entrarem nas florestas para não se perderem.
_ um homem morreu por essas bandas ontem de madrugada, _ olhou para floresta e continuou com a voz embargada de medo_ as notícias correm rápido em cinérea, caçadores foram investigar, mas tenho certeza de que foram os homens lobos.
_ por que tem tanta certeza? _ Aquilo estava assustando Eleanor, mas carregava uma curiosidade estranha.
_aquela parte da floresta!!_ respirou fundo e desconversou_ conhecia aquele velho, estávamos na mesma taverna bebendo, quando um homem com uma máscara vermelha, amarrou o cavalo no estabulo e entrou no bar, todos ficaram assustado com a sua altura. _ o homem fez um sinal para seu deus e continuou_ se dirigiu ao estalajadeiro, o estalajadeiro apontou para nossa mesa. Ele chegou até onde estávamos, sua voz parecia um trovão. pediu para alguém o guiar até o castelo, mas por dentro da estrada abandonada, poucos homens sabem andar por aquele lugar. Mas quando mostrou o saco de moedas, Chencho aceitou na hora. Antes de saírem vi que carregava no pescoço o símbolo dos nobres da casa Noctis.
_ casa Noctis?
_sim, são os donos do castelo _ ele apontou depois de passarem por pinheiros, um castelo imenso na colina, feito de pedras escuras. _ ninguém gosta de andar por essas bandas. A morte do meu amigo provavelmente nem será investigada. Quando descobrir que o homem no bar era um Noctis. Logo vão fechar o caso.
_ mas ainda não entendi... por que acha que foram homens lobos que o mataram?
_ todos nesse castelo são homens lobos, _ o homem engoliu seco, suas mãos tremiam.
_ o que foi?
_aqueles homens são bestas devoradoras, ansiando por sangue e carnificina. _ Eleanor percebeu nos seus olhos que ele já avistara algo, passou a mão na cicatriz em seu rosto, mas não falaria sobre em voz alta.
_ você me deixou assustada!!
_ ah me desculpe, para uma nova moradora não devia estar falando disso_ ele sorriu aliviando a tensão. _ mas se puder siga meus conselhos, feche bem a porta do quarto a noite, se escutar qualquer coisa do lado de fora, se cubra e finja que não ouviu nada e acima de tudo não se envolva com ninguém daquele castelo.
Eleanor olhou para colina e respirou profundamente. Seja lá o que tinha naquele castelo, todo aquele lugar lhe passava um sentimento r**m, uma urgência para ficar segura.