Capítulo 24 - Morte

1162 Palavras
Armin POV Descendo as escadas completamente devastado pelo que acabei de ver, encontro me com Victor no primeiro degrau com uma expressão sombria, mas quando ele me vê ele cria um sorriso montado na hora. Olhei para sua cabeça tentando encontrar qualquer que fosse o vestígio de suas orelhas terem passado por alí, mas nada vi. Lembrei-me também de que na foto ele tinha cabelos castanhos quase pretos, e aqui ele tem loiros. Estaria sendo muito otimista se dissesse que minha mente estava em um turbilhão, quando na verdade eu já nem sabia mais o que se passava por ela. Eram tantas perguntas e tão poucas respostas que eu já estava cansado de criar o "e se?" para todas elas – Eu já ia te procurar e... O Goldberg começou comentando enquanto vinha até mais próximo de mim, mas de certo reparou que algo em minha expressão não estava normal. – ...tudo bem com você? Ele perguntou inclinando o rosto desconfiado e eu assenti passando por ele e indo até Niki que guardava suas coisas em sua pasta com sua expressão facial neutra como se nada houvesse acontecido. – Já acabaram? Perguntei baixinho e vi o híbrido assentir sem levantar seus olhos. Guardando minhas coisas, vi por r**o de olho que Victor me observava de braços cruzados. Eu possuía minhas mãos tremendo em medo sem saber o que ele poderia estar pensando. Se ele realmente era um híbrido como eles, ele deve ser bem mais forte do que aparenta e isso me deixou com mais medo ainda. Se ele descobrisse que eu entrei naquele quarto, possivelmente ele não seria tão agradável quanto agora. Ao que fui sair atrás de Niki para irmos embora, tive meu braço segurado pelo loiro que me encarou rude, então quase pude sentir minha alma se esvair de meu corpo ao escutar suas próximas palavras: – Onde quer que você esteja escondendo Vikram eu o acharei... Entre dentes ele comentou baixo tendo como objetivo me assustar e fazer com que apenas eu ouvisse. – ...e quando eu achar vou fazer questão de que ninguém nunca mais ponha os olhos nele. Concluiu áspero perto do meu ouvido e me disvencilhei de seu aperto rapidamente correndo até Nikita que me protegeu me puxando para mais perto de si e me tirando daquele lugar. Minha vontade era apenas chorar de desespero, confusão e cansaço. Mas precisava botar algumas coisas que estavam voando em minha mente no lugar delas, mesmo que isso me rendesse uma boa dor de cabeça. Por isso decidi que aceitaria o que Niki tinha me sugerido mais cedo naquela sala enquanto andávamos ainda pela praça que havia na frente da mansão dos Goldberg. – Niki... O chamei fazendo com que ele parasse e me olhasse aparentando estar meio sem paciência comigo e eu não o tiro de sua razão, pois em seu lugar eu estaria da mesma forma. – Eu... eu vi... De alguma forma misteriosa eu não conseguia nem mesmo explicar o que eu tinha visto e como eu me sentia com aquilo. Porém, de uma forma mais misteriosa ainda, Niki pareceu entender exatamente do que eu estava me referindo. – Eu sei o que você viu. Se sentando em um dos bancos existentes naquela praça ele apoiou a pasta em seu colo acenando para que eu me sentasse também. – Agora a pergunta é: Você quer saber o quê? Ele perguntou sem nem mesmo querer saber o que eu tinha visto, onde tinha entrado, o que tinha feito e tudo mais. Me sentando naquele banco ao seu lado enquanto escutava o leve farfalhar das árvores eu respiro fundo. – Eu quero saber sobre Vikram. Respondi sucinto e ele suspendeu as sobrancelhas talvez não esperando que eu dissesse aquilo, já que a minha curiosidade certamente deveria ser maior pela situação de Victor. – Tudo? Indagou ele cruzando suas pernas casualmente e eu afirmei contundente. E suspirando Niki olhou para as crianças que passavam brincando e correndo afoitas atrás da bola que as escapou. – Vikram Goldberg era um nobre jovem muito respeitado. Começou ele explicando e gesticulando com sua mão esquerda tão pálida quanto qualquer outra parte de seu corpo. – Quase venerado por ser o herdeiro mais precioso da alta sociedade. Sinalizou ele com uma de suas sobrancelhas e seu tom sarcástico, então eu arregalei levemente meus olhos com aquela informação. Como assim? – Ele tinha tudo o que um herdeiro precisava ser e ter. Continuou o híbrido confabulando com velada paciência a fim de sanar minha curiosidade de uma vez por todas, mas aquele sentimento parecia que nunca teria fim. Toda informação que eu adquiria me dava acesso a uma nova fonte de curiosidade e isso estava me consumindo. – Ele tinha beleza, carisma, inteligência e pompa dignas de um Goldberg. Pontuou o órfão ao meu lado e eu tentei imaginar Vikram em roupas chiques, andando com pessoas nobres e sendo um homem de negócios. Senti-me arrepiar com a cena. – Mas então... como? Gaguejei confuso diante daquilo. Não sabia como podia ser possível esse Vikram do qual ele falava ter sido real diante do Vikram que eu convivo que dorme sobre o guarda roupas e faz barba com meu sabonete líquido. – Tudo na vida tem seu preço. Niki suspirou pesaroso e sua frase me trouxe certa aflição. – Mas Vikram achou o preço de se ter essa vida alto demais. Ao escutar aquilo eu tentei imaginar de várias formas o que poderia ser, mas nada me levava a conclusão nenhuma. – E por isso não aguentou. Pressionou os lábios consternado enquanto finalizava sua explicação que não me levara a nada além de mais dúvidas. – Mas você não disse que ele era o herdeiro ideal? O nobre perfeito?! Questionei me ajeitando no banco exasperado por mais respostas, então vi ele respirar fundo. – Sim. Ele era. Ele afirmou e eu pendi a cabeça para o lado tentando entender o que ele estava dizendo. – Como assim era? Mais uma vez insisti tocando em seu ombro para que ele olhasse para mim. Eu não desistiria de saber a verdade, custe o que custar. Não por Vikram, nem por mim, mas por causa de minha mãe. Pois se ela morreu guardando esse segredo, é porque é algo que merece a minha atenção. – Ele morreu, Armin. Atirou sua resposta sem medo de me chocar, e isso me fez desacelerar por completo. – De um trágico acidente de carro na noite do próprio aniversário, mas nunca acharam o corpo. Ele explicou com uma pseudo-paciência e eu arregalei os olhos novamente não esperando por uma resposta como aquela. – Mas...- o que...- quem...- Devaneei verdadeiramente em choque, e ele riu levemente abanando suas mãos. – Não acha melhor perguntar para ele o resto da história? Perguntou ele se levantando e, com as mãos enfiadas nos bolsos, voltou a caminhar rindo levemente. Por que eu estava sentindo que depois das respostas que obtive eu precisava de mais respostas?
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