A queda foi dolorosa porque a areia misturada com pequenas pedras arranhou seus braços e pernas. Mas isso não o impediu de se levantar rapidamente diante do olhar atônito de Lucía que não sabia o que fazer.
— Senhor, me desculpe, não queria te assustar, é que você não estava respondendo e pensei...
— Chega de coisa do Senhor, por favor
— Me desculpe jovem, eu não sabia...
— Vamos voltar, preciso me lavar e pegar um kit de primeiros socorros.
— Sim, jovem, agora entendi
Lucía correu na velocidade da luz em direção à casa enquanto Alfonso caminhava o mais devagar que podia para aumentar a distância entre os dois porque mais do que dor ele se sentia muito envergonhado com o que acabara de acontecer, suas orelhas ardiam e seu rosto queimava, ele ficou realmente aliviado por estar sozinho naquela ilha sem ninguém que pudesse vê — lo naquele estado.
Ao sair do banho, ouviu uma batida na porta do quarto.
— Acontece.
Era Lucía quem tinha nas mãos o kit de primeiros socorros que ele havia pedido.
— Deixe em cima da mesa, obrigado.
Ele colocou sobre a mesa, mas antes de sair parou na entrada e se virou. Pegou novamente o kit de primeiros socorros e se aproximou da cama onde Alfonso estava sentado. Ele olhou para ela de forma estranha.
— O que faz?
— Se você me permitir, vou te ajudar com seus ferimentos.
Ele não queria se envergonhar ainda mais na frente dela. Mas ele não podia recusar. Havia algo em Lúcia que ele não entendia. Algo nele que o forçou a se virar para vê — la onde quer que estivesse. Ele ainda estava com o curativo, mas parecia que a dor havia diminuído porque suas mãos não tremiam mais como de manhã e ele se sentiu aliviado.
— É isso, o creme vai ajudar a acelerar a cicatrização mas temo que o arranhão fique perceptível por alguns dias.
— Sim, obrigado, me sinto melhor agora.
— Jovem, sinto muito por não querer te surpreender dessa forma.
— Não se preocupe, a culpa foi minha por não atender a primeira ligação.
— Eu estava acordado?
Ops... Ficou exposto.
— Um pouco... eu estava com sono, ou melhor, pensei que ainda estava sonhando.
— Claro meu jovem, bom, se ele não precisar de nada eu vou embora e deixo ele descansar.
— Espere, sua mão está bem?
Ela ficou surpresa com a súbita preocupação de Alfonso.
— Sim... sim, um leve corte ficou um pouco melhor, esse curativo é obra da minha tia que, como vocês podem ver, não sabe curar muito bem feridas.
— Tia?
— Ilda, meu jovem, é minha tia
— Oh, eu vejo. Ela trouxe você para trabalhar aqui?
— Sim. Mas só enquanto você estiver aqui é claro, porque você acha que como eu tenho a mesma idade eu poderia entender melhor o que você precisa, o que é completamente errado claro...
Ambos coraram. Ela estava a quase um metro de distância, mas podia sentir as batidas fortes de seu coração ou talvez fosse o dele. Um pequeno silêncio caiu na sala e os sons da natureza ficaram mais altos.
— A propósito, queria agradecer por ontem, pela piscina.
Lembrar de sua imagem encharcada, de seus lábios, de seus cabelos, de seu abraço, de seus olhos verdes o fez olhar para baixo para que ela não descobrisse o quão nervoso ele estava.
— Não te preocupes.
Ele conseguiu dizer enquanto bagunçava o cabelo.
— Esqueci de perguntar, quer que sirvamos o jantar na sala de jantar ou na piscina como ontem?
Eu tinha esquecido completamente que não tinha comido nada.
— Pode trazer ela aqui, não quero mais sair da sala.
— Claro, vou fazer o upload agora, permissão.
Quando ela finalmente saiu, ele sentiu como se estivesse respirando com facilidade novamente. Quão e******o ele se sentia. Ele está sempre rodeado de mulheres bonitas e agora uma garota como ela com quem ele trocou apenas duas palavras o deixou nervoso daquele jeito.
Assim que deixaram a comida no quarto dela, ela sentiu que faltava sabor a cada pedaço que comia. Não era culpa da Ilda, claro, ela tinha um sabor incrível, por isso trabalhava lá há anos. Era ele. Alfonso Castelo tinha esquecido o sabor da comida porque só queria lembrar o sabor dos lábios daquela menina.