Episodio. 05

2291 Palavras
O dia seguinte se arrasta, especialmente sem ele no escritório. A cada hora que passava, eu sentia mais e mais falta dele e estava ficando ansiosa para que ele voltasse para casa. Nós conversamos o tempo no almoço, e eu o informo sobre minha reunião com os gêmeos enquanto ele me ouve, comendo sua salada. Eu disse a ele que estava me sentindo sozinha naquela casa grande, e ele sugeriu que eu chamasse as meninas para ficar até ele voltar para casa no dia seguinte. Liguei para elas, e elas gentilmente concordaram em me fazer companhia enquanto ele estivesse fora. -Cara, eu não tenho a menor ideia do que estou fazendo aqui, a propósito. Declara Ana, batendo a massa do bolo que estávamos tentando fazer. Eu franzo a testa, olhando para a receita no tablet. -Está cremoso? Eu pergunto a ela, e ela encolhe os ombros timidamente. -Se cremoso você quer dizer grumoso, então sim. Eu rio e me inclino, olhando para a bagunça que ela fez com a massa. -Ana você tinha um trabalho. Creme de manteiga e açúcar. Como você estragou tudo? Jo a repreende enquanto olha para a tigela. Ana olha para ela com uma sobrancelha arqueada. -Tudo bem, Betty fodido Crocker, você faz isso então! Eu balanço minha cabeça, rindo das duas enquanto elas brigam. -E do que você está rindo? Ela ri, jogando farinha na minha cara. Eu tusso e gaguejo, acenando com a mão na frente do meu rosto para limpar a nuvem de farinha. Ana e Jo riem enquanto eu as encaro com o rosto coberto de farinha. -Ah, é! Você vai ver agora. Eu pego um punhado de farinha e jogo nelas, o que então se transforma em uma guerra de comida na minha cozinha. Estávamos todas cobertas de farinha, ovos e massa. Corro e atendo meu telefone quando Cole me liga. O olhar em seu rosto quando ele viu o meu estado foi impagável. -Jesus, o que diabos aconteceu com você? Cole ri enquanto as meninas e eu rimos. -Estamos tentando fazer um bolo para você. Digo a ele, limpando a farinha dos meus olhos, e ele ri alto. -Querida, os ingredientes vão em uma tigela, você sabe disso, certo? Eu sorrio e dou de ombros. -Culpe Ana. Ela começou jogando farinha. Eu provoco, e ela joga mais farinha na minha cara. -Aqui, coma isso! Ana gargalha maliciosamente. Cole me observa com um sorriso enquanto dou um tapa na b***a de Ana. -Eu liguei para dizer boa noite, baby. Divirta-se com as meninas. Estou esperando voltar para casa amanhã à tarde. Eu te amo. Eu sorrio. -m*l posso esperar. Eu também te amo. Cole me manda um beijo antes de desligar. Suspiro e olho para o telefone com tristeza. Meu coração estava pesado, e eu não tinha certeza do porquê. -Sheila, você está bem? Jo questiona quando percebe o olhar sombrio no meu rosto. Eu aceno e me forço a sorrir. -Sim, eu realmente sinto falta dele. Eu digo e tento me livrar desse sentimento desconfortável que estava fazendo meu peito ficar todo apertado. Depois de limparmos, as meninas e eu nos aconchegamos na minha cama e assistimos a um filme até adormecermos. * * * No dia seguinte, acordei me sentindo animada. Meu baby estaria em casa em algumas horas. Depois do café da manhã, tomei um banho e me vesti, esperando ansiosamente que Cole voltasse para casa. Eu estava contando os minutos. As horas se passaram e ele não voltou para casa. Já passava das seis da tarde; ele deveria estar em casa horas atrás. -Sheila, querida, por que você não se senta? Você está fazendo um buraco no chão. Ana suspira, me observando andar de um lado para o outro enquanto redisca o número de Cole pela milesima vez. -Eu não posso sentar! Cole deveria estar em casa agora. Onde ele está? Eu estalo irritada enquanto ando freneticamente. -Sheila talvez o vôo dele tenha atrasado. Jo sugere, caminhando até mim, e eu balanço minha cabeça. -Então por que ele não me ligou?! Eu grito e respiro fundo, fechando os olhos. -Ele sabe que eu me preocuparia. Algo está errado. Eu posso sentir. Eu sussurro. Meu peito estava ficando mais apertado, dificultando a respiração. -Sheila não diga isso. Cole vai entrar por aquela porta a qualquer minuto, querida. Ana tenta me tranquilizar, e eu balanço a cabeça. -Tive essa sensação horrível na boca do estômago desde que ele me disse que estava saindo. Simplesmente não parecia certo, e está piorando. Algo está errado. Eu digo a elas, e Ana envolve seus braços em volta de mim. -Sheila, tente se acalmar, querida. Você está grávida. Todo esse estresse não é bom para você ou para o bebê. Ela me diz, e eu suspiro quando a campainha toca. Eu me afasto do aperto de Ana e corro para a porta. Eu a abro, esperando ver Cole parado ali, mas não era – era Josh. Ele ficou lá olhando para mim, seus olhos azuis avermelhados, cheios de desespero. -Sheila... Josh sussurra, sua voz falhando, e eu balanço minha cabeça. Oh Deus… -Josh, não. -Sinto muito. Murmura Josh, segurando meus braços. -O avião de Cole caiu... -Nããão! Eu grito, e Josh me pegou quando minhas pernas cederam como se alguém tivesse puxado o chão debaixo de mim. Josh me embala em seus braços, e nós dois caímos no chão. Aimee e Jo vêm correndo até nós. Eu continuo gritando o nome de Cole repetidamente. Cole não tinha ido embora. Ele não era. Ele me prometeu... ele disse que estava voltando para casa. Cole não mentiria para mim. -Josh... Josh, ele não iria me deixar, ele não iria! Por favor, diga que ele não se foi. Por favor, me diga que ele está voltando. DIGA-ME! Eu grito com ele, soluçando, empurrando seu peito. Josh chora, balançando a cabeça. -Eu gostaria de poder, Sheila. Ele sussurra, e eu choro em seu peito enquanto ele me balança. Ana e Jo se aproximam, e todas me abraçam enquanto eu choro. O telefone de Josh toca e ele se abaixa para atender. -O que? Ele estala com raiva em quem estava do outro lado. Josh olha para mim, soluçando em seus braços. -Onde? Ok... ok. Obrigado. Ele suspira e acena com a cabeça antes de desligar. -Sheila, ei, ei, eles o encontraram. Ele está vivo. Cole está vivo. Ele me diz, pegando meu rosto em suas mãos. Abro os olhos e olho para ele. -O que? -Ele está em estado crítico, mas está vivo. Josh me diz, e eu cubro meu rosto com as mãos e choro impotente. -Oh Deus. Eu choramingo. -Josh, por favor, me leve até ele. Eu imploro, enrolando meus dedos em sua camisa, e ele balança a cabeça. Eles me ajudam a levantar, e todos nós saímos de casa. Sentei-me no banco de trás do carro de Josh, minha cabeça no peito de Jo, chorando enquanto ela passava os dedos pelo meu cabelo. Eu estava orando com toda a fé que eu tinha em meu coração para que ele ficasse bem. Ele tem que estar bem. Se alguma coisa acontecer com ele, como vou sobreviver? Eu não faria. Eu não poderia continuar sem ele. Naquele breve momento, eu pensei que ele tinha ido embora. Eu estava pronto e disposto a me juntar a ele. A dor era diferente de tudo que eu já senti na minha vida. Quando paramos do lado de fora do hospital, abro a porta e corro para a recepção com Josh e as meninas no meu encalço. -Tristan Cole Hoult. Onde ele está? Eu pergunto, soluçando, e a enfermeira olha para mim e pisca. -Qual é a sua rela... -Eu sou a esposa dele! Onde ele está?! Eu grito, batendo minhas mãos com força na mesa. A enfermeira digita em seu computador enquanto eu ando freneticamente. -Ele acabou de ser trazido por uma ambulância aérea. Vá para a Unidade de Terapia Intensiva no terceiro andar. A enfermaria lhe dará mais informações. Eu nem espero ela terminar antes de sair correndo pelo corredor. -Sheila, vá mais devagar. Ana grita enquanto todos me perseguem pelos corredores do hospital. Josh agarra meus braços e me puxa para ele enquanto eu ofego. -Sheila, ei, vá com calma. Você está grávida! Eu luto em seu domínio e o empurro para longe de mim. -Me deixar ir! Eu grito e empurro a porta para as escadas e corro o mais rápido que minhas pernas me permitem. Olho em volta das placas e corro até o final do corredor onde ficava a UTI. Paro quando vejo uma equipe de médicos e paramédicos correndo com uma maca em minha direção. Senti minha alma deixar meu corpo quando vi que era Cole. -COLE! Eu grito e corro até a maca. Ele estava inconsciente e tinha um corte profundo na cabeça, onde sangrava muito, deixando um rastro de sangue no chão do corredor enquanto o empurravam. -Cole, baby, estou bem aqui, estou bem aqui. Você vai ficar bem. Você tem que ficar bem. Por favor, estou implorando, não desista de mim. De nós. Eu lamento. -Senhorita, por favor, afaste-se. O médico fala, e eu seguro sua mão ensanguentada. -Ele é meu marido. Por favor, salve-o, por favor, não o deixe morrer. Eu soluço impotente, e ele assente. -Faremos tudo o que pudermos, eu prometo, mas você precisa deixá-lo ir agora. Eu choro e solto a mão dele – seguindo-os até que eles o levem para a sala de cirurgia. -Cole! Eu choramingo, gritando para ele enquanto Josh envolve seus braços em volta de mim para me impedir de correr pelas portas da sala de cirurgia. Eu olho para minhas mãos manchadas com seu sangue e choro. Meus joelhos tremeram sob meu peso, e eu caio nos braços de Josh, meus gritos ecoando nos corredores. -Sheila, ei, shh, shh. Cole vai ficar bem - ele vai ficar bem. Olha, ele está lutando para se manter vivo por você e seu bebê. Agora você deve fazer o mesmo por ele. Você precisa ser forte por ele. Josh continuou sussurrando no meu ouvido enquanto eu soluçava, incapaz de recuperar o fôlego. -Josh está certo, Shay. Você tem que ser forte por ele e seu bebê. Ele vai sobreviver a isso. Cole nunca vai deixar você, querida. Ana me conforta enquanto eu soluço e balanço a cabeça. -Por que nós? Eu choramingo. -Por que isso continua acontecendo conosco? Finalmente estávamos tão felizes. Por que não podemos apenas ser felizes Aimee, por quê? Eu soluço, e ela me abraça. -Sheila, foi um acidente. Jo me diz, afastando meu cabelo do meu rosto. Eu balanço minha cabeça. -Eu deveria ter ido com ele. Eu sussurro, olhando para minhas mãos trêmulas. -Eu deveria estar com ele. -Sheila?!" Eu olho para cima e vejo a mãe de Cole correndo em minha direção, parecendo tão arrasada quanto eu. Ela cai de joelhos na minha frente, e nós dois soluçamos. -Ele está bem? Por favor, me diga que ele está bem? Ela chora desesperadamente, e eu balanço minha cabeça fracamente. -Eu não sei. Eu sussurro, fechando meus olhos. -Ele não parece bem, mãe. Eu choro, segurando minhas mãos para cima, e quando ela olha para o sangue em minhas mãos, ela chora. Elaine segura meu rosto em suas mãos e enxuga minhas lágrimas. -Ele vai ficar bem, querida. Eu acredito nisso com todo o meu coração, e você também precisa. Fecho os olhos e aceno. Ela coloca a mão na minha barriga. -Ele não vai deixar vocês dois, não quando ele te ama tanto. Ela me consola, e eu choramingo. -Oh Deus, eu estou com tanto medo. Eu não quero perdê-lo. -Ei, olhe para mim. Não vamos perdê-lo. Ela me diz severamente, e eu aceno. Eu não tinha outra escolha a não ser segurar essas palavras, mas por dentro eu estava morrendo, e nenhuma quantidade de palavras ou garantias poderia parar o tormento em meu peito. * * * As horas se passaram sem notícias de ninguém. Minha mãe e meu irmão também vieram assim que Jo o chamou. Josh estava andando para cima e para baixo no corredor ansiosamente enquanto Sam se encostava na parede olhando para o chão. Minha mãe estava confortando minha sogra, e eu apenas fiquei ali sentada olhando para minhas mãos. -Sheila, vamos lavar as mãos e jogar um pouco de água no rosto. Jo sugere, e eu balanço minha cabeça entorpecida. -Podemos pegar alguma coisa para você? Ana oferece, e eu suspiro, fechando os olhos. Um fluxo interminável de lágrimas continuou rolando pelo meu rosto. -Não. Eu me desvencilho das meninas e me levanto. Minha bexiga estava tão cheia que estava começando a doer. -Sheila, onde você está indo? Minha mãe questiona e eu digo a ela que tenho que usar o banheiro, e ela gesticula para as meninas me seguirem. Paro do lado de fora do banheiro e me viro para encarar Ana e Jo. -Meninas, me dê um minuto. Por favor? Eu imploro, e eles acenam em resposta. Eu precisava ficar um pouco sozinha. Entro no banheiro e entro em uma cabine. Fecho a tampa da privada e sento nela. Eu cubro minha boca com a mão para abafar o gemido que me escapa. Eu sentei lá chorando por um tempo, apenas balançando para frente e para trás. -Deus, por favor, por favor, eu estou implorando que você não o tire de mim também. Eu rezo, colocando minha mão no meu peito. -Por favor, devolva-o para nós, não deixe minha filha crescer sem o pai dela como foi comigo, por favor, por favor, eu estou te implorando. Eu imploro desamparada. -Não nos faça viver sem ele. Coloco as mãos na barriga e fecho os olhos. -Volte pelo seu anjo papai. Eu sussurro perturbada.
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