Capítulo 17 – A Herança de Perpétua

2277 Palavras

O corredor do hospital cheirava a desinfetante e silêncio. Era um aroma áspero, que queimava discretamente as narinas e deixava o gosto de metal na boca, como se cada respiração lembrasse que ali a vida e a morte caminhavam lado a lado. O som ritmado das máquinas, os passos apressados de enfermeiras e o tilintar de instrumentos médicos criavam uma sinfonia estranha, ao mesmo tempo mecânica e humana. Foi nesse cenário que Fabrício e Antonella, pais de Felipe, atravessaram o saguão com passos lentos, medidos pela gravidade de quem carrega mais do que o peso do próprio corpo: carregavam culpas. Não estavam ali por acaso. Haviam sido chamados e talvez fosse a hora de ouvir aquilo que tanto evitaram durante anos. O quarto era simples. Uma janela deixava entrar a luz do fim da tarde, filtrada

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