Capítulo 37 – Antenor nas Sombras

1501 Palavras

A madrugada se derramava lenta sobre a cidade pequena, tingindo os telhados de prata com a luz opaca da lua. Enquanto a fazenda de Felipe respirava o frágil alívio da esperança, outra presença caminhava na escuridão. Antenor. Não havia desaparecido. Nunca. Era sombra que se alimentava do medo, era fera que rondava a presa mesmo quando parecia distante. Ele caminhava pelo quarto do hotel barato onde se escondia, os passos pesados ecoando no assoalho gasto. As mãos calejadas seguravam uma garrafa de cachaça pela metade, mas os olhos — vermelhos, febris — não estavam embriagados. Estavam cheios de ódio. Na parede, pregada com um prego enferrujado, uma fotografia antiga de Rosa. Não um retrato amoroso, mas a imagem recortada de um jornal do casamento. O rosto abatido dela, o vestido claro e

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