O quarto estava mergulhado em silêncio, quebrado apenas pelo som compassado da chuva que ainda batia nos vidros. A lamparina projetava sombras trêmulas nas paredes, e o ar era impregnado pelo aroma metálico de sangue misturado ao perfume invisível das rosas. Felipe não desgrudava os olhos dela. Sentado na beira da cama, segurava-lhe a mão como se aquele gesto fosse o último laço capaz de impedir que ela deslizasse para longe. O coração dele, acostumado a dominar salas de conselho e enfrentar bilionários em disputas implacáveis, agora batia como o de um menino à beira do abismo. Rosa estava imóvel, pálida demais, a respiração curta e arrastada. Mas, de repente, um detalhe — quase imperceptível — incendiou o peito dele: os dedos dela se moveram. Um espasmo leve, mas inegável. Ele prendeu a

