Capítulo 54 – Proteção

1199 Palavras

A manhã nasceu cinza, com nuvens carregadas que pareciam pesar sobre o campo. O vento trazia o cheiro úmido da terra e o som distante de trovões que ainda ameaçavam voltar. As roseiras, úmidas de orvalho, balançavam sob o sopro do vento, como se sussurrassem entre si segredos antigos. Naquela manhã, a paz era apenas aparência. Felipe desceu da caminhonete, o corpo tenso, o olhar frio. Dois homens o seguiam, trazendo em uma maca o corpo machucado de Joselino. O rosto do peão estava pálido, manchado de sangue seco. Ao redor, o choro abafado de Guilhermina, uma mulher de cabelos desgrenhados e olhos vermelhos de tanto clamar por socorro, cortava o silêncio pesado do pátio. Rosa observava da varanda. A dor estampada na face de Guilhermina era a mesma que ela havia conhecido por tantos ano

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