A noite que descia sobre a cidade tinha a cor de metal aquecido. Não havia estrelas só lâmpadas amareladas que tremeluziam nas calçadas, reflexos cansados numa paisagem que já aprendera a temer. Onde antes as vozes se erguiam com despreocupação, agora havia um silêncio cuidado, uma moderação imposta pelo receio. O ar cheirava a chuva por vir e a pó seco de estrada; por baixo, sempre, o cheiro ácido de tabaco e uísque que carregava o nome de Antenor como sombra. Ele estava em todos os boatos, como se a própria cidade respirasse em torno do seu nome. Não precisava aparecer em público: suas escolhas já eram notícias. Mulheres chegavam à pensão do andar de baixo com malas pequenas e olhares maiores, e saíam com o corpo marcado por um medo antigo que não se cura com dinheiro. As palavras se re

