*Gustavo narrando*
Droga! tava atrasado pra aquela porcaria de festa, e tudo por causa dessa merda desse trânsito! como que eu ia explicar pro meu pai que peguei engarrafamento por que tava vindo de Búzios??? eu não queria essa empresa, mais do que tudo! apesar de não parecer, eu sou muito qualificado pra isso, entendo a economia desse país como poucos e sei exatamente como levar o grupo Malheiros a outro nível, tudo o que eu precisava era ganhar a confiança do meu pai, custe o que custar.
Foi aí que eu tive a idéia!
Desci do carro e fui até o carro de Natan, que tava logo atrás do meu.
-Dirige o meu carro, e me encontra na festa de noivado, vou te mandar o endereço por whatsapp.-Eu disse a Natan.
-Você tá louco? e o que a gente vai fazer com esse carro aqui?-Ele perguntou.
Vi um motoqueiro passando, com cara de ser bem pobre, era minha isca perfeita, não tinha ninguém mais desesperado nessa vida que um pobre.
-Fala aí amigão, boa noite! -Eu disse, me aproximando dele.
-amigão, não tô afim de arrumar problema não.-Ele disse.
-Mas e quem disse que eu vim te arrumar problema amigo? pelo contrário! eu sou a solução.
-Você é maluco?
-Tá vendo aquele belo carro ali, com aquele homem nem tão belo encostado nele? aquele carro está avaliado em aproximadamente 250 mil reais, e é todo seu, se você me der sua moto.
-O que é isso, uma pegadinha?
-Não, meu amigo, isso é uma nova campanha do grupo Malheiros, estamos presenteando nossos clientes, pegando seus bens mais valiosos, e substituindo por algo beeeem mais valioso.
-Cara, eu nem tenho conta nesse banco.
-Então, considere esse um ótimo motivo para trocar de banco.-Eu disse, pegando as chaves da sua mão, e entregando as chaves do carro.
Ele ficou ali, parado sem acreditar no que tinha acabado de acontecer.
-GUSTAVO, VOCÊ É MALUCO?-Perguntou Natan.
-Não meu amigo, eu estou fazendo um investimento, se eu não chegar pra esse jantar, tudo o que eu tenho cai por terra, então, 250 mil é fichinha perto de toda a fortuna que eu estou prestes a colocar as mãos.-Eu disse, subindo na moto.
-Você é completamente louco.-Disse Natan.
Eu nem o respondi, só liguei a moto, e fui me enfiando pelo meio dos carros, eu nunca gostei de motos, achava Carros bem mais chiques, com mais presença, mas tinha que admitir, a sensação de pilotar, era incomparável.
Fui Ultrapassando todo aquele trânsito, até conseguir chegar, pra minha sorte, não estava muito longe e com a facilidade de poder me enfiar pelos lugares, consegui chegar até o lugar da festa, a casa da minha futura esposa, era até engraçado dizer isso.
Chegando lá, parei a moto, e entrei na casa, assim que cruzei a porta, todos os olhares se viraram pra mim, mas eu estava acostumado a ser o centro das atenções.
Logo vi meu pai, em uma mesa rodeado de seus acessores, seguranças, e é claro, mulheres.
-Gustavo! graças a Deus! eu achei que você não ia aparecer.-Ele disse, simpático demais até.
-É claro que eu estaria aqui pai, não perderia o meu próprio jantar de noivado, era só o trânsito que tava um pouco caótico demais.
-Bom, dessa vez o problema não é você, sua noiva que desapareceu completamente! vi ela no começo da festa, e agora ela sumiu.
-Ora ora! parece que eu não sou o m*l partido aqui, não é mesmo? olha, a gente pode mandar toda essa gente embora e acabar com isso tudo, com certeza o grupo Malheiros não precisa de um banquinho meia boca.
-Isso só mostra que você não faz idéia de como os negócios funcionam, não é? um escândalo desses agora, seria muito m*l pra nossa imagem, acabamos de nos recuperar de toda aquela polêmica do racismo.-Ele disse, visivelmente irritado.
Não vou dizer que estava torcendo para aquela maluca aparecer, eu não queria me casar, eu amava a vida que eu levava, não me prendia a ninguém, não devia satisfações a ninguém, eu era livre, só um louco abriria mão disso.
Mas, quando vi todos os olhares da festa se virando para a porta, percebi que o circo tinha que continuar.
-Mil desculpas, Maria Eduarda teve um m*l estar, mas já se recuperou, podemos continuar a festa.-Disse a mãe dela, enquanto ela entrava pela porta, com uma cara bem abalada.
Voltei até a mesa do meu pai, que estava bem irritado, meu pai odiava quando as coisas saiam do controle, e eu sabia disso melhor do que ninguém.
-Sophia! não espera que eu acredite que um sumiço de 2 horas foi um m*l estar.-Ele disse.
-Guilherme, já está tudo resolvido e na perfeita ordem, podemos prosseguir com o jantar, e melhor ainda, deixar que os pombinhos se conheçam, Maria Eduarda, por que não mostra a Gustavo o nosso jardim?-Ela disse, cutucando a garota.
Ela concordou com a cabeça, não muito animada.
-Não acredito que você é o homem com quem eu vou me casar! você quase me matou.-Ela disse, irritada.
-Também não gostei da forma que me tratou, acredite, não estou nas nuvens por ter você como esposa, me disseram que você era bem mais recatada.
-Apenas com quem merece que eu use meus bons costumes.
-Estou prestes a te transformar na mulher mais rica do Brasil, acho que eu mereço um pouco sim.
-Tudo pra você se resume a isso, não é? eu não tô interessada no seu dinheiro, babaca.
-Ah não? então é o que? o meu belo par de olhos azuis?
-Você se acha né? eu só tô fazendo isso pela minha família, acredite, se dependesse só de mim, eu jamais me casaria com alguém como você.
-Ótimo, então por que não fazemos um acordo? já que nem eu e nem você queremos esse casamento, a gente pode se manter casados por 1 ano, e depois disso, dizemos que não deu certo, meu pai já vai ter me passado o comando da empresa, e, sua família já vai ter recuperado o prestígio, e é claro, os milhões de reais da fusão.