*Duda narrando*
Hoje era o dia daquela merda de jantar de noivado, a primeira vez em que eu ia ver o meu "noivo", mas também a última, hoje eu finalmente estaria livre do peso dessa família, e poderia viver em paz, com o amor da minha vida.
Enquanto terminava de arrumar minha mala, comecei a lembrar da minha família, a família que eu achava ser perfeita, eu amava tanto o meu pai, apesar da minha mãe sempre ter sido desse jeito, eu tinha no meu pai o meu porto seguro, e agora eu estava prestes a ir embora pra sempre e eu não podia nem me despedir dele.
-DONA MARIA EDUARDA! SUA MÃE DISSE QUE SE A SENHORITA NÃO ESTIVER NA MESA DO CAFÉ EM 5 MINUTOS, ELA VAI VIR PESSOALMENTE TE TIRAR DO QUARTO.
Escondi minha mala rapidamente, embaixo da cama e abri a porta, era Penha, a minha empregada.
-Penha! me salva dessa, pelo amor de Deus! fala que eu tô doente, que eu peguei sarampo!-Eu disse, abrindo a porta.
-Ah, Duda! tudo o que eu mais quero é te ver feliz menina, eu te vi crescer por essa casa, cheia de felicidade, e não queria essa sua carinha triste, mas você conhece sua mãe, sabe que quando ela coloca uma coisa na cabeça, nem o diab0 tira.
-Tudo bem Penha, eu já tô descendo.
Penha cuidava de mim desde que eu nasci, as vezes, ela era mais minha mãe do que a Sophia, me tratava feito uma filha, de verdade, e eu amava ela, era meu único ponto de paz nessa casa, desde que meu pai foi embora.
Joguei uma água no rosto, e tirei meu pijama, colocando um vestido floral, típico do verão do Rio de Janeiro, fiz um r**o de cavalo, que minha mãe odiava, e respirei fundo, eu precisava levar esse teatro pelo resto do dia se não quisesse que minha mãe desconfiasse de nada.
Chegando na cozinha, minha mãe estava lá, impaciente.
-Pensei que só veria você na semana que vem, Maria Eduarda, compromisso 0.
-Me desculpa, o despertador não tocou.-Menti.
-Bom, eu tenho muita coisa pra resolver hoje, então, vou deixar você no salão, e te busco assim que terminar, o seu Stylist chega aqui as 17:00 e ele disse que preparou um vestido que você vai amar.
-Nenhum vestido é capaz de esconder uma noiva infeliz.
-Ah, minha querida, olhe pra esse seu rostinho, esse corpinho esbelto, ficaria surpresa de descobrir a quantidade de coisas que um bom vestido é capaz de esconder.-Ela disse, apertando minhas bochechas.-Agora vamos! anda logo!
Mal consegui terminar o café da manhã, e levantei apressada, dei uma olhada pra Penha, enquanto caminhava até o carro, e ela me encarou de volta, entendendo meu olhar de tristeza.
Entrei no carro, em silêncio, enquanto minha mãe tagarelava ao telefone, provavelmente com alguma das dondocas que urubuzavam ela.
-Sabe Maria Eduarda, eu não entendo, você é uma menina de 21 anos que tem a vida que metade das garotas matariam pra ter, e mesmo assim você não parece dar nenhum valor a isso, eu não impliquei quando você decidiu fazer um curso completamente fora da área da família, eu sempre fiz tudo o que você queria, e agora, que te peço pra fazer uma coisa pelo bem de todos, você age como uma garota mimada.
Ah como eu gostaria de responder muitas coisas a minha mãe,descer desse carro e fugir pra sempre, mas ainda não era a hora, então eu só, respirei fundo e disse:
-Você tem razão, mamãe, você sempre me apoiou, e não é justo eu não te apoiar agora que você precisa, prometo tentar ser mais amigável.-Eu disse, dando um sorriso forçado.
-Ah, finalmente, minha filha! você entendeu que o que eu estou fazendo é apenas para o seu bem!
Tive a sorte de não ter que estender muito a conversa, por que finalmente tínhamos chegado ao salão, minha mãe me deixou lá, e saiu, o que era muito estranho, por que ela nunca perdia uma manhã no salão, mas, decidi ignorar.
Afinal, eu até que tava merecendo um diazinho no salão, pra dar um gás pra mais tarde, faltavam poucas horas.
*Gustavo narrando*
Acordei com uma put4 dor de cabeça, que sac0! sabia que não podia misturar bebida, eu nunca teria cometido esse erro se aquela loira gostosa não tivesse chamado a minha atenção, mas valeu a pena, ela tá aqui, bem deitadinha na minha cama.
Levantei, e fui até a cozinha, enquanto pulava alguns corpos espalhados pelo chão da minha casa em Búzios, não podia trazer empregados, se não eles iam contar tudo pro meu pai, e pra imprensa, eram os piores fofoqueiros que existiam, então, tive que dar uma festa com celulares barrados, e sem qualquer tipo de empregado.
Quando peguei meu telefone, percebi que tinha dado certo, nenhuma notícia em site nenhum, fofoca, nada, eu estava livre!
Abri a geladeira, que tinha tudo e ao mesmo tempo nada, eu não sabia cozinhar nada do que tinha ali, então, peguei uns Cheetos que estavam no balcão, e me servi uma dose de vodka pura, ah! combinação perfeita. Por um momento, lembrei de ontem, e daquela maluca que eu quase atropelei, não acredito que é com ela que eu ia me casar, quer dizer, ela parecia ser bem diferente do que o meu pai falou, com todos aqueles palavrões na boca, tava longe de ser uma menina recatada, mas, ela me desafiou e eu gostava disso.
-Senti sua falta na cama, gatinho.-Disse a Loira, me abraçando.
-Ah, você acordou...-Eu disse, tentando me lembrar do nome dela.
-É SÉRIO? VOCÊ NEM LEMBRA O MEU NOME?-Ela perguntou irritada.
-Mil desculpas, docinho, é que eu não tenho a menor intenção de te ver novamente, então não perco meu tempo gravando nomes que não vou precisar saber depois, mas a noite foi ótima, você é realmente muito boa no que faz, por isso, eu vou te dar um bônus extra.-Eu disse, colocando algumas notas dentro do seu sutiã.
Ela não pareceu muito satisfeita, mas aceitou o dinheiro, e voltou para o quarto, pra se vestir, eu imagino.
-Gustavo, Gustavo, isso são modos?-Perguntou Natan.
-Ah, sabe como é né, se vou ter que ficar preso numa coleira, preciso deixar meu legado.
-Como se você realmente tivesse qualquer intenção de levar esse casamento a certo, né Gus? todo mundo sabe que isso não vai te impedir de nada, eu só tenho pena da noiva...
-Ah, ela sabe muito bem aonde tá se metendo, só tá entrando nessa por que tá interessada no dinheiro da minha família, então, nada mais é do que uma troca de favores.
-Você é um filho da put4 sem coração mesmo né? Será que algum dia alguém vai quebrar essa parede que tem aí?
-Nunca! meu coração pertence a bebidas caras e mulheres bonitas, e claro, ao próximo carro que eu vou comprar agora, vamos comigo na concessionária, que de lá eu já vou direto pra essa porcaria de noivado.
Passei na concessionária, e comprei um Audi preto, modelo 2022, com cheirinho de novo, mais um pra minha coleção, eu amava colecionar carros, quase tanto quanto amava colecionar mulheres, e essa tal de Maria Eduarda ia ser mais uma, eu tinha certeza disso, quanto maior o desafio, maior o prêmio.
Depois que saímos dali, Natan foi levando o carro em que eu estava, enquanto eu dirigia meu possante novo, o telefone não parava de chegar mensagens, era meu pai.
-Fala papai!-Eu disse, atendendo pelo fone sem fio.
-GUSTAVO MALHEIROS, VOCÊ PODE ME DIZER O PORQUE UMA TRANSAÇÃO DE 500 MIL REAIS FOI FEITA COM O MEU CARTÃO DE CRÉDITO?-Ele perguntou.
-Presente de casamento, papai!! você não quer que eu me case? então eu mesmo escolhi um presente em seu nome.
-Você nunca aprende, não é mesmo? espero que esteja aqui na hora do jantar, sem atrasos.
-Vou ser tão pontual quanto um relógio pai.-Eu disse, desligando.
*Maria Eduarda narrando*
Finalmente tinha chegado a hora, assim que cheguei do salão, chequei outra vez minha mala, pra ver se tudo estava okay, tava na hora, eu estava arrumada para o meu jantar de noivado
Joguei a mala pela janela do meu quarto, que dava nos fundos da rua, assim, eu podia pegar sem ninguém perceber, coloquei um sorriso falso no rosto, e desci, para recepcionar meus convidados.
-Você está linda, minha filha! seu noivo é um homem de sorte!-Disse minha mãe, empolgada.
-Obrigada, mamãe.-Eu disse, sorrindo.
-Agora, venha, eu quero lhe apresentar ao seu sogro.
Ela me levou até um homem, que estava sentado com um grupo de pessoas a parte na festa, ele estava cercado por alguns seguranças, como se dentro do condomínio mais nobre de todo o Rio de Janeiro, alguém realmente fosse tentar matá-lo.
-Com licença, senhor Malheiros, quero lhe apresentar minha filha, Maria Eduarda.-Disse minha mãe.
-Ah!!! como você é mais linda ainda pessoalmente, encantadora, dará lindos filhos.-Ele disse, falando de mim como se eu fosse apenas uma parideira.-Meu filho já deve estar chegando, sabe como é o trânsito do Rio de Janeiro, caótico.-Ele disse, acendendo um cigarro.
-Entendo perfeitamente, doutor Malheiros, se puderem me dar licença, vou cumprimentar os outros convidados da festa.-Eu disse, me retirando.
Como Gustavo ainda não tinha chegado, era o momento perfeito para sair sem que ninguém desse falta, quando ele chegasse, as atenções se virariam todas para nós, e seria mais difícil, era agora ou nunca!