Pamela
eu vi que o cara não tava de brincadeira e que ele realmente ia atirar na cabeça do meu pai. as lágrimas começaram a escorrer automaticamente, porque eu não queria ser marmita de b.u.n.d.a.l.a., ainda mais dentro do presídio. mas pelo visto, não vou ter escolha, porque senão ele vai dar um tiro na cabeça do meu pai. por mais que ele não preste, ainda assim ele é o meu pai.
Pamela: por favor, não faz isso. me diz quanto ele te deve, eu vou pagar essa dívida. é só você parcelar que eu vou te pagar tudinho. eu trabalho, eu consigo juntar o dinheiro pra poder te pagar.
Insano: de tanto dar volta na boca, teu pai tá me devendo mais de dez mil, mina. esse a.r.r.o.m.b.a.d.o e essa v.a.g.a.b.u.n.d.a aí parecem aspiradores de pó.
Pamela: parcela que eu pago, eu juro que eu pago.
Insano: eu tenho cara de banco nessa p.o.r.r.a? ou será que a minha cara é de o****o? tu acha mesmo que eu vou deixar esse filho da p.u.t.a vivo pra ele me dar mais prejuízo ainda? esse p.o.r.r.a de mentiroso falou que ia dar um jeito no meu problema. aí eu chego aqui e tu fica nesse c.u doce. tá pensando que a vida é um morango? eu prefiro ver os olhos dele no chão do que parcelar a dívida.
Pamela: por favor.
Olga: Pamela, pelo amor de Deus, topa logo. ele vai matar teu pai por causa dessa tua graça.
minha vontade era descer a porrada nela ali na frente deles, mas ao invés disso eu respirei e falei:
Pamela: tudo bem, eu vou fazer as visitas. mas deixa a gente em paz, pelo amor de Deus, e me deixa aqui na minha casa.
Insano: suave. eu vou avisar ao chefe.
eles saíram e eu sentei no sofá me tremendo todinha. eu nunca cheguei perto de nenhum dos caras da boca e pensei que eles nunca chegariam perto da minha casa. eu sempre andei na linha e sempre trabalhei muito pra nunca ter a vida de marmita, e agora simplesmente fui jogada nos braços do homem mais perigoso do Rio de Janeiro. olhei pra cara do meu pai, que ainda tava de joelhos, e comecei a chorar. eu não acredito que ele fez isso comigo.
Pamela: o que vocês estão fazendo com a minha vida? eu trabalho que nem uma cachorra pra poder sustentar essa casa, e vocês me jogaram nos braços de um traficante. e não é qualquer traficante, é o Monstro! você tem noção do que ele vai fazer comigo?!
Miguel: para de drama, Pamela, pelo amor de Deus. várias mulheres vão fazer visita íntima na cadeia, eu não sei por que você tá com essa maluquice. eles podiam ter dado um tiro na minha cara. eu pensei que você ia deixar eles me matarem por causa de uma graça sua.
Pamela: graça? eu passei a vida toda evitando os homens do tráfico e agora você me jogou no colo do mais perigoso deles, e você tá falando que eu tô fazendo graça? eu deveria ter deixado ele te matar.
quando eu terminei de falar, ele deu um tapa na minha cara. na hora, eu senti o meu rosto arder, umas lágrimas escorreram. ele segurou o meu rosto e falou:
Miguel: enquanto tu viver debaixo do meu teto, eu acho bom você andar na linha. e se você falar que quer que eu morra, eu vou te arrebentar todinha, entendeu, sua c.a.c.h.o.r.r.a do c.a.r.a.l.h.o? você nunca serviu pra nada, só me deu dor de cabeça, sempre foi certinha, e agora que tem alguma utilidade, você simplesmente fala que era melhor eu ter morrido. eu sou teu pai!
eu me levantei do sofá praticamente num pulo, me afastei um pouco dele, olhei bem pra cara dele e falei:
Pamela: eu queria muito que você tivesse morrido no lugar da minha mãe. eu tenho certeza que vocês dois aprontaram alguma coisa com ela pra ficarem juntos. eu não tenho como provar, mas eu odeio vocês dois. eu só vou nessa visita íntima porque eu dei minha palavra, e porque se eu não for, eles vão me matar também. mas eu juro pra você que eu nunca mais passo a mão nessa cabeça e nem gasto mais meu dinheiro dentro dessa casa.
Olga: hahaha, você é igualzinha à sua mãe. mas deixa eu te falar uma coisa: se você não quiser mais colocar dinheiro dentro dessa casa, você vai ter que arrumar outro lugar pra morar, querida. o teto é do seu pai, não seu. então faz o que tem que fazer. eu e o seu pai temos que aproveitar a vida, e não vai ser uma menina mimada que nem você que vai dar lição de moral na gente, né? vai pro teu quarto, vai, antes que eu mande ele te descer a porrada pra você aprender a não ser tão língua solta.
eu olhei pra cara dela durante alguns segundos. eu queria gritar, eu queria bater nela, mas ao invés disso eu subi a escada correndo e me tranquei no meu quarto.