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1018 Palavras
Pamela Eu estou desesperada, e o pior de tudo é que o desgraçado do meu pai nem pra ser homem serve. Eu salvei a vida dele, não deixei aquele homem atirar na cara dele, e a primeira coisa que ele fez foi me bater, só porque eu questionei ele e a desgraçada da minha tia. Eu sempre soube que eles não valiam nada, mas chegar a esse ponto foi demais pra mim. O pior de tudo é que agora não tem como eu voltar atrás, porque se eu voltar, eles vão acabar me matando também. E pensar que eu nunca cheguei perto dos traficantes porque nunca quis me envolver com esse tipo de gente, e agora eu tô caindo nos braços do pior deles. Mas se ele pensa que vai ser fácil, ele tá muito enganado. Eu não vou dar mole pro Monstro. Por mais que eu tenha medo dele, eu não vou fazer as coisas do jeito que ele quer. Eu não vou me render. Eu passei a noite toda chorando no quarto, pensando em várias formas de tentar arrumar esse dinheiro pra poder pagar ele. Mas como eu ia fazer? Ninguém vai querer me emprestar esse dinheiro. Sem falar nas mulheres que vivem brigando por ele aqui do lado de fora. Elas com certeza vão querer brigar comigo por causa dele, e eu não quero nem visitar ele na cadeia, mas elas, com certeza, vão querer arrumar confusão. Eu deitei e apaguei. Quando meu telefone despertou, às seis da manhã, parecia que eu não tinha dormido nada. Meu corpo tava todo dolorido. Tomei um banho rápido, coloquei a roupa do posto de gasolina e desci. Como sempre, não tem café da manhã, porque se eu não comprar, ninguém aqui compra. Meu pai e a minha madrasta tão achando que a vida é um morango e que eu vou ficar dando mole pra eles, mas tão muito enganados. A partir de hoje a mordomia deles acabou. Se fosse antes, eu ia descer na padaria, comprar o pão e o queijo e deixar o café preparado pra eles. Só que agora eu simplesmente vou sair, vou tomar café na padaria aqui do morro e vou pro meu trabalho. E foi exatamente o que eu fiz. Tomei meu café na padaria e depois vim direto pro trabalho. Comecei a atender, e hoje é o dia que o dono do posto passa aqui pra fazer algumas revisões. Ele passa toda semana, geralmente na quinta-feira. Eu dei bom dia pros meus colegas e comecei a trabalhar. Geralmente eu fico na loja de conveniência do posto, e dou graças a Deus, porque do lado de fora acontecem várias coisas loucas. Eu tava arrumando as coisas quando o meu patrão chegou. Ele me olhou de um jeito malicioso, e eu odeio quando ele faz isso. Marcos: Bom dia, Pamela. Pamela: Bom dia, senhor Marcos. Tudo bem? Marcos: Eu já disse que pra você é só Marcos, Pamela. Eu vou direto ao ponto: você sabe que eu te acho muito bonita, né? Amanhã é sexta-feira, e eu queria saber se você não quer tomar um chopp comigo no bar que tem aqui na esquina mesmo, só pra gente se conhecer melhor. Eu sei que você não tem ninguém, então eu achei que a gente podia ter um encontro. — Ele falou na cara de p*u mesmo. Pamela: Olha, se tem uma coisa que eu não quero é que você confunda as coisas. Eu gosto muito do meu trabalho, vocês me pagam direitinho, mas eu não tenho a menor intenção de me envolver com ninguém daqui — nem com funcionários, e muito menos com o meu chefe. Você pode me achar bonita, e eu vou continuar sendo educada com você e te tratando como meu chefe, mas mais do que isso, eu não quero nada com ninguém daqui de dentro. Eu só quero ser respeitada aqui e fazer o meu trabalho. Marcos: É uma pena que você seja burra o suficiente pra não querer crescer na vida, porque eu tenho certeza que posso te dar tudo do bom e do melhor, e que você pode crescer muito aqui dentro desse posto e fora dele também. É só você querer, é só você fazer por onde. Não é a primeira vez que ele me chamou pra sair. Ele nunca tinha sido tão direto em falar que me achava bonita, mas ele já tinha me chamado pra sair com o pessoal daqui do posto, e eu sempre recusei. E é claro que eu vou continuar recusando. Eu nunca vou sair com o meu chefe, e esse negócio de “subir na vida” é maluquice. Eu quero subir através do meu trabalho, não com o dinheiro de um homem que só quer me usar. Pamela: Eu já tenho o meu trabalho, e se eu tiver que subir na vida, eu vou subir. Agora, se o senhor me der licença, eu tenho que fazer o meu trabalho, e tem cliente chegando. Como eu disse, eu não tenho o menor interesse em sair com você. Ele saiu visivelmente irritado, e mentalmente eu tava torcendo pra ele não me perturbar, porque eu só queria fazer o meu trabalho. Eu já tava com problema demais na cabeça. O expediente acabou e eu chamei o mototáxi. Ele me deixou na barreira porque eu não queria que me deixasse na porta de casa. É verdade que eu queria demorar pra chegar, pra não ter que encontrar meu pai e aquela mulher que um dia foi minha tia. Quando eu fui passar pelos bandidos, um deles falou que o Insano tava me chamando na boca. Eu respirei fundo e passei a mão no rosto, porque eu não queria ir na direção do Insano. Tudo que eu não precisava hoje era de mais dor de cabeça pra minha vida. Ele falou que eu não tinha escolha e que o chefe queria falar comigo. Uma moto parou do meu lado e o vapor mandou eu subir. Eu subi, e ele veio direto pra boca. Respirei fundo, desci da moto, e ele falou que eu podia entrar.
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