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Minha Doce Enteada 3

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família
diferença etária
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os opostos se atraem
drama
segredos
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intro-logo
Sinopse

Depois da morte de Sabrina, Ayron assumiu a responsabilidade de criar Alana, que tinha apenas sete anos.Ele não era o pai dela. Era apenas o homem que estava com a mãe dela quando tudo desabou.Ele seguiu com a vida.Três anos depois, estava num relacionamento estável com Catarina, uma mulher com quem dividia a casa, a rotina, e a criação do próprio filho, Ian.A casa onde ele construiu uma nova vida… também passou a abrigar Alana.Mas Alana cresceu.E dentro dela cresceu outra coisa também.Desde os dez anos, ela sente — e esconde.Tudo começou numa madrugada silenciosa, quando ela viu Ayron se tocando no escuro, sem saber que estava sendo observado.Ali, ela sentiu o primeiro formigamento, o primeiro calor estranho, a primeira vontade que não podia dizer em voz alta.Agora, com dezessete, ela não é mais uma criança.Mas vive sufocada num papel que não lhe serve.Ayron continua acreditando que o amor que ela sente é de filha.Mas ela olha pra ele como mulher. E deseja como mulher.Ela espera, observa, finge.O tempo inteiro, ela está ali: desejando o homem que criou ela — o mesmo que jura que nada disso pode acontecer.Mas o silêncio tem prazo de validade.E o desejo… não obedece ninguém.Alana — Naquela noite, escondida na sombra do corredor, eu vi o corpo dele tremer… e entendi que nenhum outro homem no mundo nunca mais ia importar.

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Obsessão
ALANA NARRANDO Às vezes, eu me perguntava se era pecado amar tanto uma pessoa que não te pertence. Mas nunca consegui responder. Porque mesmo que fosse… eu continuava amando. Ayron me criou desde os sete anos. Eu me lembro da primeira noite em que dormi naquela casa. A sala ainda cheirava a tinta fresca, e ele me deixou no quarto que era do Ian quando bebê. Me cobriu com um cobertor azul que não era meu, e mesmo assim eu me senti segura. Eu tinha perdido a minha mãe. E ele… ele não disse nada. Só me olhou nos olhos e apertou minha mão. Foi ali que ele virou tudo que eu tinha. Cresci ali dentro, naquela rotina em silêncio. Ayron sempre foi reservado, metódico, quase duro. Mas havia um jeito dele demonstrar cuidado nas coisas pequenas — como colocar um suco já pronto na geladeira pra quando eu voltasse da escola. Ou me deixar escolher o que assistir na TV mesmo cansado. Era o jeito dele. Nunca me tratou como filha, mas também nunca me deixou sozinha. Ele era meu tudo. E eu queria ser alguma coisa pra ele. Catarina entrou na nossa vida três anos depois. No começo, foi estranho. Eu tinha dez anos e ainda sentia o gosto do luto. Mas ela era doce. Tinha um jeito calmo, leve, e tratava bem não só a mim, mas ao Ian também. Nunca brigamos. Nunca discutimos. Só que havia uma coisa que ela nunca soube: O espaço que ela ocupava… era o que eu sonhava ocupar. Eu me sentia suja por isso. Sentia culpa. Tinha dias que eu acordava e evitava olhar nos olhos dela. Tinha vergonha de mim. Mas à noite… À noite tudo mudava. Naquela madrugada, a chuva batia fraca na janela. Eu estava deitada, sem conseguir dormir. O som abafado de vozes atravessava a parede fina. A cama ao lado estava vazia — Ian tinha ido dormir na casa de um amigo. E então eu ouvi. A voz baixa da Catarina. O tom grave e arrastado do Ayron. Movimentos. Suspiros. E gemidos. Fechei os olhos. Mas o som não saía da minha cabeça. Ele estava ali. Do outro lado da parede. Com ela. Minha garganta apertou. Senti o coração bater no pescoço. Não era a primeira vez. Mas, naquela noite, foi diferente. Porque, pela primeira vez em muito tempo… eu deixei a lembrança vir. Eu tinha dez anos. Estava com sede e levantei pra pegar água. Passei pelo corredor, devagar. A porta do quarto dele estava entreaberta. E eu vi. Ayron estava deitado, pernas afastadas, o corpo nu quase todo coberto pela sombra. A mão dele se movia firme entre as coxas. Os olhos fechados, os dentes cravados no lábio inferior. O peito subia e descia como se estivesse lutando com ele mesmo. Eu fiquei ali parada. Hipnotizada. Sem entender o que era aquilo. Mas sentindo — sentindo coisas que eu não conseguia nomear. Naquela noite, algo mudou. Eu nunca mais o vi do mesmo jeito. De volta àquela madrugada, com o som do corpo dele se movendo com o dela, meus dedos apertavam o lençol. O peito doía. Mas não era dor. Era algo quente, vivo, que crescia entre as pernas e na garganta. Eu não me mexi. Não ousei fazer nada. Apenas senti. Quis ser ela. Quis ser tocada do jeito que ele tocava. Quis que ele me visse — não como menina, mas como mulher. Como alguém capaz de amar ele mais do que qualquer outra pessoa jamais amaria. Fiquei assim até o silêncio voltar. E chorei em silêncio. Não por dor, mas por saber que tudo isso era errado. Por saber que, pra ele, eu ainda era só a garota que a mãe deixou pra trás. (…) O dia seguinte veio como sempre bem cedo demais.. A luz da manhã atravessava a cortina quando batiam na porta. Catarina — Alana, café .. Vesti o moletom por cima da blusa e fui até a cozinha. A mesa já estava posta. Ian comendo cereal. Catarina passando manteiga no pão. E ele… Ayron estava encostado na pia, de camisa aberta, só com a bermuda escura e o café na mão. Era sempre assim: aquele ar de quem acorda inteiro. O peito largo exposto. A tatuagem no ombro visível. Os cabelos ainda molhados. E eu… tentando não olhar. Mas olhava. Porque eu não sabia não olhar. Porque toda vez que ele virava de lado, eu via a curva dos músculos. E lembrava do que ouvi horas antes. Ayron — Dormiu bem? — perguntou, puxando a cadeira pra mim. — Dormi — menti. E sorri. Mas por dentro, eu queimava. O café da manhã seguiu como sempre. Ian falando sobre o jogo de futebol da escola, Catarina sorrindo com a xícara nas mãos. E Ayron… aquele silêncio dele. Ele nunca foi de falar muito de manhã, mas sua presença preenchia tudo. Eu tentava parecer normal. Mas por dentro… Por dentro, meu corpo ainda vibrava com o que ouvira horas antes. O som da voz dele, as palavras abafadas, o ritmo do movimento. Desviei o olhar, tentando me concentrar na manteiga escorrendo sobre o pão quente, mas ele se abaixou pra pegar algo na geladeira e a curva das costas dele sob a camiseta solta me fez engolir seco. “Você é doente”, sussurrou a voz na minha cabeça. “Ele te criou.” “Ele ama outra.” Mas o que eu sentia… era maior que qualquer razão. Depois do café, cada um seguiu seu rumo. Ian foi pra casa do Kael , Catarina pro plantão dela no postinho , e eu fiquei em casa, já que era sábado e não tinha aula. Ayron foi pra área da frente, consertar uma peça do carro. Eu o ouvi mexendo nas ferramentas. Os estalos metálicos. O som de suas mãos firmes ajustando cada parte. Demorei a sair do quarto. Mas saí. Fingi normalidade. Peguei um livro qualquer, sentei na varanda. Mas não li uma linha. Observei. Ele estava agachado, o braço sujo de graxa, os músculos se movendo sob a pele. O sol batia no ombro dele, e uma gota de suor descia pela lateral do rosto. — Vai chover de novo — eu falei, só pra dizer algo. Ele olhou por cima do ombro, passando o antebraço na testa. Ayron — Tomara que não agora. Se esse carro morrer de vez, eu juro que jogo morro abaixo. Sorri. Um sorriso pequeno, meio bobo. Ele voltou a mexer nas ferramentas, e eu aproveitei pra observar as mãos dele. Tão grandes. Tão fortes. Eu já tinha imaginado — mais de uma vez — como seria sentir aquelas mãos em mim. A vergonha vinha logo depois. Mas sempre tarde demais. — Quer ajuda? — perguntei. Ayron — Não. Tá tranquilo. Só tô tentando entender essa peça. É teimosa igual você. Arregalei os olhos, surpresa. — Teimosa? Eu? Ele riu. Um riso breve, abafado, mas sincero. Ayron — Te conheço há dez anos, Alana. Você não engana ninguém. Engoli em seco. Ele nem fazia ideia do quanto aquilo era verdade. Ficamos um tempo em silêncio. O som dos passarinhos ao longe, o cheiro da manhã misturado com gasolina. Eu me sentia presa num universo paralelo — onde só existia ele e eu. Mas então ele se levantou, caminhou até o tanque do lado da garagem e tirou a camisa suada. Jogou sobre o banco. Lavou o rosto, passou água na nuca. E eu congelei. O corpo dele era esculpido em linhas que pareciam feitas à mão. Tatuagens antigas marcavam a pele com histórias que eu nunca tive coragem de perguntar. E o movimento dele ao inclinar o rosto pra frente, deixando a água escorrer… Era o suficiente pra me tirar o ar. Fechei o livro. Levantei. — Eu vou… tomar um banho. — Minha voz saiu trêmula, baixa. Ele não respondeu, só assentiu com a cabeça. E eu entrei correndo, o coração parecendo um tambor dentro do peito. Subi pro meu quarto e encostei a porta. Sentei na beirada da cama, tentando recuperar o fôlego. A verdade é que ele nunca foi meu. Mas meu corpo inteiro gritava por ele. À noite, a casa ficava em silêncio outra vez. Catarina voltou do plantão, exausta. Jantamos os três já que Ian não retornou . Ayron no sofá vendo TV, eu fingindo estudar. Mas meus olhos insistiam em buscar o perfil dele. A barba rala, os olhos que sempre pareciam esconder alguma coisa. E eu me perguntava — será que ele já imaginou? Será que em algum segundo desses anos… ele já me viu como mulher? Às vezes ele me olhava de um jeito estranho. Rápido. Sutil. Ou talvez fosse só ilusão minha. Talvez fosse só esperança. Catarina — Tô indo deitar — disse, bocejando. Ayron a acompanhou até o quarto. Fechei o caderno e respirei fundo. A tensão me consumia em silêncio. Minutos depois, voltei pro quarto também. Mas dormir… era impossível. E quando ouvi a porta do quarto deles fechar, e o ranger leve da cama… senti tudo de novo. Aquela presença. Aquela lembrança. Aquela ausência de mim na vida dele. Fechei os olhos. E desejei ser Catarina. Desejei que ele me visse. Desejei que ele soubesse. Mas, por enquanto, eu era só isso: a menina que ele criou. a sombra atrás da porta. o segredo escondido dentro de mim. OBS: PARA MAIS CAPÍTULOS COLOQUEM O LIVRO NA BIBLIOTECA..

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