AYRON NARRANDO Acordei com a cabeça pesada, não de ressaca, mas de pensamento. O ventilador girava devagar no teto, fazendo um barulho irritante, mas nada mais alto do que o zunido que eu carregava por dentro. Me sentei na cama devagar, passando a mão na cara, e quando olhei pro lado, vi a Catarina dormindo. O cabelo espalhado no travesseiro, a respiração calma. Dormia como se o mundo lá fora não estivesse em guerra. Mas dentro de mim… o caos. Veio a lembrança, vívida, real demais pra ser sonho. Eu atrás da Alana. A forma como o corpo dela se arrepiou quando meus lábios encostaram na pele quente do pescoço. Como ela suspirou, com aquela respiração ofegante, descontrolada. Aquilo não era só desejo, não. Era guerra interna. Eu vi nos olhos dela — o medo, o fogo, a confusão. Mas também vi

