Primeiro Encontro

1670 Palavras
1 Capítulo O Salão Imperial brilhava sob a luz dourada dos lustres de cristal. O som das taças ecoavam pelo salão, risos discretos ecoavam e o aroma de perfumes caros misturava-se ao de vinhos raros. Era a primeira grande noite de negócios do ano, um banquete reservado apenas à elite empresarial, política e às famílias mais influentes do submundo financeiro. Zayn Grey entrou no salão como se o lugar lhe pertencesse. O terno preto impecável moldava o corpo atlético, os olhos frios percorriam cada mesa com a confiança de quem já sabia que sairia dali com novos contratos assinados. Aos vinte e três anos, ele já era um nome temido e respeitado. Herdeiro dos Grey, alfa dominante, bilionário e estrategista nato, aquela noite era mais uma oportunidade de expandir seu império. Vários investidores aguardavam por ele. — Senhor Grey, uma honra finalmente conhecê-lo pessoalmente — disse um empresário italiano, apertando sua mão. — O prazer é meu. Tenho certeza de que nossa parceria renderá frutos extraordinários — respondeu Zayn com aquele sorriso calculado que sempre convencia qualquer um. Tudo estava correndo exatamente como ele havia planejado. Até que o salão silenciou. A mudança foi sutil, mas impossível de ignorar. Conversas diminuíram, olhares se voltaram para a entrada principal, e até os músicos pareceram perder o ritmo por um segundo. Zayn ergueu os olhos. E então o viu. Stefan Anderson. Alto, imponente, vestido em um smoking n***o que parecia feito sob medida para destacar sua presença ameaçadora. Seus olhos carregavam uma calma perigosa, quase predatória. Ele caminhava sem pressa, mas cada passo parecia comandar respeito absoluto. Não era apenas um homem rico. Era poder bruto, influência, medo e fascínio na mesma medida. O nome Anderson era sussurrado nos círculos mais obscuros do mundo dos negócios. Um rei do submundo. Um homem que ninguém ousava enfrentar. Os olhos de Stefan encontraram os de Zayn do outro lado do salão. Por um segundo, o tempo pareceu parar. Havia algo naquele olhar — desafio, curiosidade… e uma provocação silenciosa. Stefan se aproximou da roda de investidores que cercava Zayn, pegando uma taça de vinho de uma bandeja no caminho. — Senhores — sua voz grave soou tranquila — espero não estar interrompendo. O empresário italiano imediatamente sorriu, quase nervoso. — Senhor Anderson! Na verdade estávamos justamente discutindo uma possível parceria com o senhor Grey. O canto dos lábios de Stefan se ergueu em um sorriso lento. — Estavam? Zayn sustentou o olhar. — Sim. E acredito que chegamos a números muito interessantes. Stefan girou o vinho na taça, observando o líquido rubro. — Curioso… porque eu acabei de adquirir a empresa de logística que tornaria esse acordo possível. Silêncio. O empresário empalideceu. — Como assim? Stefan tirou um envelope do bolso interno do paletó e o entregou ao homem. — Contrato assinado há quinze minutos. Exclusividade total pelos próximos cinco anos. Zayn estreitou os olhos. Aquilo não era coincidência. Era um ataque. O investidor abriu o documento, surpreso, e depois encarou Zayn com pesar. — Senhor Grey… sem a logística, nosso acordo não pode avançar. A mandíbula de Zayn travou. Antes que pudesse reagir, outro grupo de empresários se aproximou, mas Stefan foi mais rápido. — Ah, senhores, aproveito para informar que a rede portuária do sul também fechou comigo esta noite. E a distribuidora central da Europa Oriental também. Um a um, todos os negócios que Zayn havia planejado começaram a ruir diante dos seus olhos. Cada rota. Cada fornecedor. Cada ponte comercial. Stefan havia tomado tudo. O salão inteiro parecia assistir à cena em suspense. Zayn deu um passo à frente, ficando frente a frente com Stefan. A diferença entre eles era mínima, mas a tensão parecia suficiente para incendiar o ar. — Você fez isso de propósito — Zayn falou baixo, a voz carregada de veneno. Stefan sorriu de lado. — Negócios não são sobre intenção, Grey. São sobre velocidade. E hoje… você foi lento. Os olhos de Zayn queimaram de raiva. — Isso é uma declaração de guerra. Stefan aproximou-se ainda mais, perto o suficiente para que apenas Zayn ouvisse. — Não. — disse ele, com a voz baixa e perigosamente calma. — Isso é só a nossa primeira dança. O choque daquela frase atravessou Zayn como eletricidade. Arrogante. Provocador. Insuportável. Mas havia algo mais. Algo na presença de Stefan despertava nele uma mistura perturbadora de ódio e fascínio. Zayn ergueu o queixo, recusando-se a demonstrar fraqueza. — Aproveite essa vitória, Anderson. Porque será a última. Stefan levou a taça aos lábios, sem desviar os olhos. — m*l posso esperar pela revanche. Naquela noite, enquanto o banquete continuava sob luzes douradas e sorrisos falsos, nasceu a rivalidade que mudaria o destino dos dois. O que começou com contratos roubados e provocações afiadas se transformaria em algo muito maior. Uma guerra entre impérios. Entre alfas. Entre dois homens incapazes de recuar. E, sem que nenhum deles soubesse, aquela primeira colisão também havia marcado o início de uma obsessão perigosa. O começo de tudo. ficou suspensa no ar. E foi naquele instante que a rivalidade deixou de ser apenas guerra empresarial. Tornou-se pessoal. Íntima. Obcecada. Perigosa. Nenhum dos dois percebeu, mas naquela parede de vidro, com a cidade inteira abaixo deles, algo mudou para sempre. O inimigo agora também era a única pessoa capaz de fazê-los sentir-se vivos. ..,............................................................... Zayn entrou na mansão como uma tempestade. A porta bateu com tanta força que o som ecoou por toda a sala luxuosa. O terno impecável já estava desalinhado, a gravata frouxa e os olhos dourados queimando de pura fúria. Danilo, que estava sentado no sofá com um copo de whisky na mão, ergueu uma sobrancelha ao vê-lo naquele estado. Danilo apoiou o copo na mesa de centro e soltou um assobio baixo. — Uau… ou você perdeu bilhões essa noite, ou finalmente encontrou alguém à sua altura. Zayn arrancou o paletó e o jogou sobre a poltrona. — Eu vou matar aquele desgraçado. Danilo soltou uma risada curta. — Então é a segunda opção. Zayn começou a andar de um lado para o outro, os passos pesados no piso de mármore. — Stefan Anderson. Aquele maldito arrogante roubou cada contrato que era meu. Cada um, Danilo! — disse entre dentes, passando a mão pelos cabelos escuros. — Logística, rotas marítimas, acionistas, seguradoras… ele já estava em todos os lugares antes mesmo de eu pensar em agir. Danilo observou em silêncio por alguns segundos, divertindo-se com a cena. — Nunca te vi assim. — Porque isso nunca aconteceu antes! — Zayn explodiu, virando-se para ele. — Ninguém ousa mexer nos meus negócios. Ninguém ousa me humilhar daquela forma na frente de um salão inteiro. Danilo cruzou os braços, o olhar analítico. — E isso é só sobre negócios? A pergunta pairou no ar. Zayn travou. A mandíbula tensa. Os punhos fechados. — Claro que é — respondeu rápido demais. Danilo sorriu de lado, claramente não convencido. — Então por que você está andando pela casa como um alfa enjaulado depois de uma reunião? — ele se inclinou no sofá. — Me diz uma coisa… ele mexeu só com seu império ou mexeu com você? Zayn passou a mão no rosto, frustrado. — Aquele homem me provoca. Age como se sempre soubesse meu próximo passo. Como se estivesse me estudando. Como se estivesse brincando comigo. Danilo soltou uma risada. — Parece que alguém finalmente encontrou um rival de verdade. Zayn parou diante da janela panorâmica, observando as luzes da cidade abaixo. — Rival? — repetiu com amargura. — Ele está transformando minha vida num inferno. Danilo se levantou e foi até ele. — Talvez porque você esteja deixando. Stefan sabe exatamente onde te atingir: no ego. Zayn lançou um olhar cortante. — Meu ego não tem nada a ver com isso. Danilo ergueu as mãos em rendição. — Certo, certo… então me explica por que você consegue listar o nome de cada empresa que ele roubou, a cor do smoking que ele estava usando e até o jeito irritante como ele sorri. Silêncio. Zayn apertou o maxilar. Porque era verdade. Ele lembrava de tudo. Cada detalhe. Cada palavra. Cada olhar. E isso só o deixava mais irritado. — Eu odeio aquele homem — Zayn murmurou. Danilo se encostou na janela ao lado dele. — Ódio e obsessão são vizinhos perigosos, meu amigo. Zayn virou-se abruptamente. — Não começa com essa merda psicológica. Danilo riu. — Estou falando sério. Quanto mais ele te provoca, mais você pensa nele. Mais quer vencê-lo. Mais quer provar que é melhor. Isso deixa de ser sobre dinheiro e vira guerra de orgulho. Zayn respirou fundo, tentando controlar a raiva que ainda fervia. — Então o que você sugere? Danilo sorriu, aquele sorriso típico de quem adorava caos. — Revidar. Mas não no impulso. Se Stefan joga xadrez, você precisa jogar pior que ele. Fazer ele acreditar que está vencendo, enquanto você arranca o chão sob os pés dele. Os olhos de Zayn brilharam. A raiva começou a se transformar em algo mais frio. Mais perigoso. Estratégia. — Eu vou tirar dele tudo o que ele tomou de mim — Zayn disse, a voz baixa e mortal. — Cada contrato. Cada rota. Cada vitória. Danilo pegou novamente o copo de whisky e ergueu em um brinde. — Esse é o Zayn que eu conheço. Zayn pegou seu próprio copo, mas antes de beber, seus pensamentos voltaram involuntariamente para Stefan. Para o sorriso provocador. Para a calma absurda. Para a forma como ele parecia gostar daquela guerra. O líquido desceu queimando por sua garganta. — Ele quer guerra? — Zayn falou, encarando a cidade. — Então eu vou incendiar o império Anderson. Danilo sorriu satisfeito. — Agora sim vai ficar interessante. Naquela noite, entre whisky, raiva e orgulho ferido, Zayn decidiu que não descansaria até derrubar Stefan. Mas no fundo… uma parte dele já sabia que aquilo não era apenas sobre vencer. Era sobre Stefan ter se tornado o único homem capaz de tirá-lo do controle. E isso o enfurecia ainda mais.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR