Olívia não mudou a expressão um pentelhesco. A máscara de controle dela não caiu. Não arregalou o olho com o palavrão, não encolheu os ombros com a minha marra de bandido. Ela simplesmente juntou as mãos perfeitamente esmaltadas de vermelho em cima da mesa de vidro, entrelaçando os dedos finos com muita delicadeza, e continuou me fixando com aqueles malditos olhos castanhos que pareciam que tavam lendo a planta baixa da minha alma esburacada, rasgando a minha pele pra ver meus ossos. Aquilo tava me deixando incomodado pra c*****o, me desarmando. Ninguém, nem no asfalto nem na favela, ousa me olhar desse jeito no olho. Ninguém ousa me dissecar como se eu fosse um bicho em extinção. — As coisas não funcionam assim sob o meu teto, no meu consultório, Noah — ela respondeu, a voz mantendo a me

