Episódio 4

1477 Palavras
A luz fraca no quarto iluminava o rosto preocupado de Audrey enquanto ela estava sentada na cadeira da penteadeira, olhando para seu reflexo com a testa franzida. Ao lado dela, a sua babá, a mulher que a criou e protegeu desde criança, olhava para ela com desaprovação. A preocupação nos seus olhos escuros era evidente. — Você não pode estar falando sério, garota. Disse a babá, cruzando os braços. — Nana, por favor… Audrey suspirou, virando-se para ela. — Preciso fazer alguma coisa. Não posso continuar vendo Max se distanciar cada vez mais de mim a cada dia. A velha balançou a cabeça e franziu os lábios. — E a solução é seguir as ideias daquela sua amiga, que nunca me pareceu uma boa influência. Você realmente acha que jogar o jogo dela vai mudar alguma coisa? Audrey olhou para baixo. Ela sentiu o peso da decepção da babá nos seus ombros, mas estava desesperada. Katie garantiu-lhe que se Max a visse com outro homem, mesmo num simples e inocente encontro, ele reagiria, perceberia o que tinha acontecido. E Audrey queria acreditar que isso era verdade. Que o seu marido ainda a amava, que ele só precisava de um empurrãozinho para se lembrar disso. — Katie diz que os homens gostam do que não podem ter. Ela murmurou, enrolando uma mecha do seu cabelo ruivo entre os dedos. — Se Max achar que há outra pessoa interessada em mim, talvez ele perceba que está me perdendo. A babá bufou, balançando a cabeça em descrença. — Escute-me com atenção, minha menina. Os homens não se conquistam com ciúmes baratos. Você os conquista com respeito, com autorespeito. E se Max não vê o que tem a seu favor, não é porque não há outro homem na equação. É porque ele não quer ver. Audrey sentiu um nó na garganta. Ela não queria aceitar essa possibilidade. Ela não conseguia. Ela deu tudo por aquele casamento, ela se tornou a esposa perfeita, aquela que Max queria. E ainda assim, não foi o suficiente. — Não quero perdê-lo. Ela confessou num sussurro. A babá aproximou-se e pegou as mãos dela. — Você não pode perder alguém que não está disposto a ficar, Audrey. Ela disse ternamente. — E se você tiver que se rebaixar a ponto de fazer isso só para que ele te veja, vale mesmo a pena? Audrey apertou os lábios, segurando as lágrimas. Ela queria acreditar que sim, que Max a amava o suficiente para reagir. Mas uma parte dela, a mais machucada, aquela que passou noites inteiras chorando sozinha, duvidou. — Eu só quero tentar. Ela sussurrou por fim, com a voz embargada. A babá suspirou, soltando delicadamente as mãos. — Se você vai fazer isso, pelo menos me prometa que vai cuidar de si mesmo. Que você não deixará que ninguém a trate como menos do que você vale. Audrey assentiu lentamente, embora, no fundo, não tivesse certeza de quanto valia para Max naquele momento. E essa dúvida, mais do que qualquer outra coisa, era o que mais a aterrorizava. O som do celular vibrando no criado-mudo a assustou. Ela pegou o dispositivo e viu o nome de Katie piscando na tela. Ela mordeu o lábio antes de atender. — Audrey! Exclamou Katie no seu tom habitualmente entusiasmado. — Tenho boas notícias, meu amor. Já falei com o meu amigo, ele está te esperando às sete no Sheraton. Ele é encantador, você vai adorá-lo. Relaxe e aproveite. Audrey franziu a testa, sentindo uma pontada de nervosismo no estômago. — Que horas você vai chegar? Você disse que viria comigo… Houve uma pausa do outro lado da linha, e então a voz de Katie soou com um toque de falsa pena. — Ah, querida, houve uma mudança de planos. Não poderei ir, mas não se preocupe. É completamente seguro, o meu amigo é um cavalheiro. Apenas divirta-se, ok? É disso que você precisa. A ruiva mordeu a parte interna da bochecha, sentindo-se estranhamente exposta. Mas Katie era a sua melhor amiga, ela sempre esteve lá para ajudá-la. Ela não tinha motivos para desconfiar. — Está tudo bem… Ela sussurrou, embora algo no seu peito apertasse desconfortavelmente. — Eu gosto assim! Katie cantarolou. — Fique linda e lembre-se, esta noite é sua. A ligação terminou e Audrey abaixou o telefone lentamente. A babá, que a observava em silêncio, logo falou. — Eu não gosto disso, garota. Ela disse séria. — Tem alguma coisa que não me cheira bem. — Katie só quer me ajudar. Ela sussurrou, mais para convencer a si mesma do que à babá. Mas a velha olhou para ela com uma seriedade que lhe arrepiou a pele. — Espero que você não se arrependa. ✿·━━━━━━━━※━━━━━━━━·✿ "O amor é uma escolha diária; todo o resto é apenas uma desculpa para não arriscar o seu coração." Audrey saiu do carro, com o coração batendo forte no peito. O seu vestido preto caía elegantemente no seu corpo, embora na sua mente ela só conseguisse parecer desajeitada e insegura. Não consegui evitar. Desde criança, ela lutava contra uma insegurança feroz, alimentada por comentários cr*uéis e olhares de julgamento. Aquela noite não foi exceção. Ela entrou no restaurante com passos cautelosos, tremendo por dentro enquanto tentava parecer confiante. Ela sabia que Max chegaria lá com o seu melhor amigo e, embora odiasse recorrer a métodos desesperados, tudo o que queria era que ele a visse e, por uma vez, sentisse alguma coisa... mesmo que fosse ciúmes. Ao chegar à mesa designada, ele afundou na cadeira com um suspiro trêmulo. Quando o garçon se aproximou, ela pediu um mojito leve de limão. Qualquer coisa para ajudar a relaxar seus nervos. A sua mente começou a divagar, relembrando a sua infância, marcada pela sensação de nunca ser suficiente, pelo olhar exigente da sua mãe, pela indiferença do seu marido. Ela estava condenada a se sentir assim pelo resto da vida? O som de sapatos firmes parando em frente à sua mesa a tirou do seu devaneio. Ela olhou para cima e viu um homem alto, de cabelos escuros e olhos negros, observando-a com uma mistura de diversão e curiosidade. — Nunca vi uma ruiva com tantas sardas. Comentou com um sorriso encantador. Audrey sentiu o calor subir às suas bochechas. — Muito obrigado. Ela respondeu timidamente. O estranho não parecia qualquer um. Ele tinha uma presença imponente, mas seu sorriso desarmava qualquer tensão. Ele se inclinou levemente, como se estivesse avaliando a situação. — Você está esperando alguém? Ele perguntou com interesse. — Sim... bem, sim, por um amigo da minha melhor amiga. Ela esclareceu, sentindo-se um pouco estranha. — Que pena... Ele comentou brincando. Audrey ficou tensa, sentindo que a situação estava tomando um rumo estranho. Ela se apressou em explicar. — Não é um encontro... ele é só... um cara que vai me ajudar a deixar o meu marido com ciúmes. Ela admitiu, sentindo-se ainda mais envergonhada. O homem levantou uma sobrancelha, divertido. — Então você não é tóxica, você só está desesperada. Ele brincou, ainda sorrindo. Ela afundou no assento. — Parece terrível quando você diz isso desse jeito… O homem soltou uma risada baixa antes de dizer: que pena. Quando Katie me disse que estava me marcando um encontro às cegas com uma ruiva bonitinha, pensei que tinha uma chance. Mas eu deveria ter pensado que tantas coisas boas não poderiam ser verdade. Audrey sentiu a vergonha afogá-la. — Oh, Deus… Você é Jackson Tuller? Ela sussurrou, sentindo como se a terra pudesse engoli-la naquele momento. — Em carne e osso. Ele disse, deslizando uma cadeira na frente dela. — Achei que você soubesse... Ela gaguejou, incapaz de encará-lo. Jackson mordeu o lábio, divertido, apoiando o cotovelo na mesa. — Não se preocupe, mas estou intrigado... por que uma mulher como você iria querer armar uma armadilha para o marido? Audrey abaixou a cabeça, sentindo um nó na garganta. — Estou desesperada. Ela admitiu baixinho. — Sinto que o meu casamento está indo de m*al a pior e não sei o que fazer. Jackson a observou atentamente, sem pressa de interrompê-la. — E você acha que isso vai resolver? — Não sei. Ela sussurrou. — Katie diz que os homens gostam do que não podem ter, que se Max me vir com outra pessoa, ele reagirá. Jackson bufou e balançou a cabeça. Ele conhecia muito bem a sua prima e sabia até onde ela poderia ir. O médico tinha certeza de que a joia da família só queria piorar a vida da amiga. Aquela jovem nervosa parecia inocente, sem m*alícia. Em outra vida ele teria aproveitado aquela situação, mas depois de um passado doloroso e da morte da irmã, a vida o humanizou mais. Ele teve que ter empatia por aquela garota que de longe parecia muito boa, para um mundo tão ru*im.
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